A actividade humana sempre esteve ligada a poluição. Apesar de estarmos mais sensibilizados para a poluição atmosférica do ar exterior, a poluição atmosférica no interior das habitações foi a primeira a ser produzida pelo Homem, através dos fumos da combustão de madeira libertados por fogueiras e lareiras utilizadas no interior das habitações para aquecimento e confecção dos alimentos.
Nos actuais modelos de vida passamos a maior parte da nossa existência – mais de 20 horas diárias – no interior de uma habitação (residência, local de trabalho, locais de diversão, etc.), pelo que o ar que aí respiramos tem uma enorme importância na nossa saúde.
Acontece que introduzimos nas nossas habitações um conjunto enorme de agentes poluidores que degradam a qualidade do ar: aparelhos de ar condicionado, lareiras, plantas, animais, equipamentos, produtos e hábitos poluentes.
Dos hábitos poluentes merece um destaque particular o hábito de fumar. O fumador activo inala conscientemente o fumo do tabaco. Mas quando essa acção acontece no interior de uma habitação ela não o afecta apenas a si. O fumo do tabaco espalha-se pela habitação e todas as pessoas que aí residem passam involuntariamente a inalar muito desse fumo, sofrendo os seus malefícios – são os fumadores passivos.
Chamamos a essa poluição “poluição tabágica ambiental” na qual o ar que se respira vai contendo concentrações progressivamente maiores dos contaminantes libertados no fumo do tabaco: óxidos de carbono, nitrosaminas, amónia, hidrocarbonetos, metais pesados, etc.
A maioria destas substâncias é altamente irritante para as mucosas e muitas delas cancerígenas – provocam cancro. Entre os efeitos imediatos sentidos pelos fumadores passivos, contam-se: dores de cabeça, irritação dos olhos, inflamação do nariz, tosse e efeitos cardiovasculares, como a subida da tensão arterial. Mais tarde surgirão as doenças relacionadas com o tabagismo: infecções respiratórias persistentes, doenças respiratórias crónicas (DPOC e Asma), doenças cardiovasculares e cancro do pulmão.
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As crianças são um grupo particularmente sensível ao tabagismo passivo. Concluiu-se que a poluição tabágica ambiental relaciona-se com um mau desenvolvimento fetal, baixo peso à nascença e aumento da mortalidade infantil. As crianças mais velhas têm mais infecções respiratórias – rinites, faringites, sinusites, amigdalites, bronquite e bronquiolites – e sofrem mais de asma brônquica. Nos últimos tempos tem-se dado atenção a um novo conceito – “fumo em terceira mão”. Este conceito vem tornar o tabagismo passivo numa realidade ainda mais grave.
De facto, se o fumo do tabaco pode ser removido de uma habitação com uma boa ventilação da mesma, substâncias tóxicas nele contidas vão-se depositando nas roupas, soalhos, carpetes, tapetes, sofás, cadeiras, reposteiros, etc., e como não são eliminadas com a ventilação acabam por ir contaminando todos os habitantes da casa. Os efeitos nocivos exercem-se, então, de forma mais lenta e continuada. O fumo do tabaco é hoje considerado o principal agente responsável pela poluição das habitações e causador de um número importante de mortes. O tabagismo passivo é uma das principais causas de mortes evitáveis.
A forma definitiva de lidar com o problema é impedir que se fume no interior das habitações – em Portugal, a actual Lei do Tabaco já proíbe o seu uso em recintos públicos fechados. E a decisão tem de ser radical: fumar à janela ou às portas não resolve a situação, já que as correntes de ar transportam o fumo para o interior das habitações, poluindo-as.
Pela sua saúde, a dos seus familiares e amigos não permita que se fume em sua casa.
Dr. Jaime Pina
Fundação Portuguesa do Pulmão
Nos actuais modelos de vida passamos a maior parte da nossa existência – mais de 20 horas diárias – no interior de uma habitação (residência, local de trabalho, locais de diversão, etc.), pelo que o ar que aí respiramos tem uma enorme importância na nossa saúde.
Acontece que introduzimos nas nossas habitações um conjunto enorme de agentes poluidores que degradam a qualidade do ar: aparelhos de ar condicionado, lareiras, plantas, animais, equipamentos, produtos e hábitos poluentes.
Dos hábitos poluentes merece um destaque particular o hábito de fumar. O fumador activo inala conscientemente o fumo do tabaco. Mas quando essa acção acontece no interior de uma habitação ela não o afecta apenas a si. O fumo do tabaco espalha-se pela habitação e todas as pessoas que aí residem passam involuntariamente a inalar muito desse fumo, sofrendo os seus malefícios – são os fumadores passivos.
Chamamos a essa poluição “poluição tabágica ambiental” na qual o ar que se respira vai contendo concentrações progressivamente maiores dos contaminantes libertados no fumo do tabaco: óxidos de carbono, nitrosaminas, amónia, hidrocarbonetos, metais pesados, etc.
A maioria destas substâncias é altamente irritante para as mucosas e muitas delas cancerígenas – provocam cancro. Entre os efeitos imediatos sentidos pelos fumadores passivos, contam-se: dores de cabeça, irritação dos olhos, inflamação do nariz, tosse e efeitos cardiovasculares, como a subida da tensão arterial. Mais tarde surgirão as doenças relacionadas com o tabagismo: infecções respiratórias persistentes, doenças respiratórias crónicas (DPOC e Asma), doenças cardiovasculares e cancro do pulmão.
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As crianças são um grupo particularmente sensível ao tabagismo passivo. Concluiu-se que a poluição tabágica ambiental relaciona-se com um mau desenvolvimento fetal, baixo peso à nascença e aumento da mortalidade infantil. As crianças mais velhas têm mais infecções respiratórias – rinites, faringites, sinusites, amigdalites, bronquite e bronquiolites – e sofrem mais de asma brônquica. Nos últimos tempos tem-se dado atenção a um novo conceito – “fumo em terceira mão”. Este conceito vem tornar o tabagismo passivo numa realidade ainda mais grave.
De facto, se o fumo do tabaco pode ser removido de uma habitação com uma boa ventilação da mesma, substâncias tóxicas nele contidas vão-se depositando nas roupas, soalhos, carpetes, tapetes, sofás, cadeiras, reposteiros, etc., e como não são eliminadas com a ventilação acabam por ir contaminando todos os habitantes da casa. Os efeitos nocivos exercem-se, então, de forma mais lenta e continuada. O fumo do tabaco é hoje considerado o principal agente responsável pela poluição das habitações e causador de um número importante de mortes. O tabagismo passivo é uma das principais causas de mortes evitáveis.
A forma definitiva de lidar com o problema é impedir que se fume no interior das habitações – em Portugal, a actual Lei do Tabaco já proíbe o seu uso em recintos públicos fechados. E a decisão tem de ser radical: fumar à janela ou às portas não resolve a situação, já que as correntes de ar transportam o fumo para o interior das habitações, poluindo-as.
Pela sua saúde, a dos seus familiares e amigos não permita que se fume em sua casa.
Dr. Jaime Pina
Fundação Portuguesa do Pulmão