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Epidural: Dar à luz sem sofrimento

15 Setembro, 2009 0

Diz quem já passou pela experiência que não há dor maior do que a do parto. Mas dar à luz não tem, necessariamente, de ser ritual penoso, contrariamente ao que se valorizava há umas décadas. Com a aplicação da analgesia epidural, tudo mudou. Acabaram-se as horas de desespero e passou a ser possível desfrutar integralmente do momento… com menos “ais”.

Um estudo publicado no British Journal of Anaesthesia apresenta informações animadoras para quem está em vias de dar à luz: a analgesia epidural é praticamente isenta de riscos, quando aplicada correctamente. Segundo os dados revelados, apenas uma em cada 80 mil grávidas a quem foi administrada a epidural, poderá apresentar complicações durante ou após o parto. Com base nestes números, estima-se que, num total de 100 mil partos que se realizam anualmente em Portugal, se todas as parturientes recebessem analgesia epidural, ocorreriam 1,2 casos/ano com alguma complicação derivada da técnica.

“A analgesia epidural deve ser estimulada, porque nenhuma mulher merece ter dores durante o trabalho de parto”, defende o Prof. Luís Mendes da Graça, director do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Para este especialista, a analgesia epidural constitui um dos três grandes avanços das últimas duas décadas, paralelamente à ecografia, e ao acompanhamento médico da grávida durante o período de gestação e o parto.

No nosso país, esta técnica foi implementada nos hospitais públicos no início da década de 90. E, desde então, o número de mulheres apologistas do parto sem dor tem crescido exponencialmente. Só no Hospital de Santa Maria, 80 por cento dos partos que se realizam anualmente “são analgesiados”. Mas em hospitais privados, refere o obstetra, a taxa de epidurais administradas “chega quase a atingir os 100 por cento”.

Para Luís Mendes da Graça, a ideia “romântica” do parto sofrido tem de passar à história. “Estamos no século XXI e não podemos aceitar que os procedimentos médicos sejam comparáveis a países de Terceiro Mundo.” Há, no entanto, “algumas franjas” populacionais que ainda oferecem resistência à epidural. Mas, para o especialista, trata-se de “uma esmagadora minoria que ainda pretende ter uma falsa visão poética e bucólica da vida”, porque, na globalidade, a preferência das mulheres recai sobre a epidural.

 

Menos dor, mais tranquilidade

Segundo o obstetra, as técnicas para minorar a intensidade da dor durante o parto em nada deturpam a noção de parto natural. “Continua a ser um parto desencadeado espontaneamente e que, em princípio, se dará por via vaginal.” Afinal de contas, a epidural – aplicada por um anestesiologista treinado para o efeito – não é mais do que uma injecção no espaço epidural (exterior à bainha que envolve a medula espinhal) para eliminar as dores das contracções.

Este método farmacológico, administrado na região lombar, “bloqueia a transmissão dos impulsos nervosos e, desde modo, anula as dores das contracções”, explica este especialista. “A epidural bem feita retira a sensação dolorosa, permitindo, simultaneamente, que a mulher mantenha sensibilidade e os reflexos automáticos de expulsão”, reitera o Dr. Costa Martins, director do Serviço de Anestesiologia da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). O mesmo especialista salvaguarda, no entanto, que, embora a epidural ajude, “a dor do parto é variável de mulher para mulher”.

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