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Células Estaminais: Terapias Celulares e Engenharia de Tecidos Humanos

31 Agosto, 2008 0

A criopreservação das células estaminais, nomeadamente do cordão umbilical, é já praticada no nosso país por diversas empresas privadas. Eu acredito que os sistemas público e privado devem coexistir na criopreservação de células estaminais.

Acho que algumas terapias poderão vir a ser possíveis com abordagens heterológas e é necessário que essas terapias estejam disponíveis para toda a população e não só para alguns privilegiados. São assim necessários os bancos públicos.

Mas entendo também que é claramente desejável que exista a possibilidade de abordagens autólogas (algumas terapias serão sempre unicamente possíveis recorrendo a células do próprio paciente), nas quais o cidadão como indivíduo tem o poder de decisão. Poder guardar um pouco de si que mais tarde nos poderá salvar a vida, parece algo retirado de um filme de ficção científica: mas não é. É o futuro, que está já aí.

Por exemplo na nossa empresa Stemmatters (de que sou Presidente e responsável cientifico – CSO), vencedora do prémio nacional de empreendedorismo START (do BPI e Microsoft) em 2007, temos um modelo de negócio único.

Baseia-se parcialmente em criopreservação, mas a ideia é oferecer serviços vocacionados para a valorização terapêutica de vários tecidos, incluindo o adiposo, cujo potencial biomédico é muito elevado, mas negligenciado.

A nossa oferta é de facto distinta e complementar por exemplo das empresas que trabalham na criopreservação do sangue do cordão umbilical. A primeira diferença é evidente, muitos de nós não tiveram oportunidade de crioperservar o sangue do cordão à nascença porque o serviço não existia.

Acresce ainda que somos uma empresa fortemente baseada em know-how de ponta e somos líderes científicos internacionais em diversas das áreas em que vamos operar.

Assim vamos poder oferecer não simplesmente uma forma de congelar e guardar as células, mas também formas únicas de isolamento e serviços de expansão que não estão ao alcance de outras empresas.

O isolamento de determinadas populações e a sua expansão (de um modo muito simples multiplicação ainda sem diferenciação) são críticas para o desenvolvimento de novos tratamentos particularmente em pacientes adultos. Há ainda que acrescentar que vamos oferecer suportes tridimensionais para cultura de células.

Esta é uma área onde somos claramente líderes mundiais e existe de facto uma grande procura destes suportes para actividades de I&D, que vamos potenciar colocando toda a gente a trabalhar com os nossos materiais.

Com base nestes dois tipos de actividades a nossa empresa pretende, a partir de 2014-2015, chegar ao top do grande mercado das terapias regenerativas de osso, cartilagem e pele, usando abordagens autólogas baseadas em células estaminais adultas e suportes plásticos 3D para o seu cultivo.

 

Dr. Rui Reis,
Director do grupo 3B’s – Biomateriais,
Materiais Biodegradáveis e Biomiméticos
da Universidade do Minho, e
Presidente da empresa Stemmatters

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