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À espera da cegonha

16 Junho, 2009 0

Em 2008, Cláudia Vieira conseguiu concretizar, finalmente, o sonho de ser mãe. E em dose dupla, já que a presidente da APF teve duas meninas gémeas. Mas, até saborear a maternidade, percorreu um caminho de cinco (longos) anos. Ao fim de seis meses, em que estava a tentar engravidar, “como nada acontecia”, decidiu procurar a ginecologista e expor a situação.

Cláudia Vieira e o marido foram submetidos a alguns exames e, umas semanas depois, já sabiam os resultados: em ambos existiam problemas que impediam uma gravidez espontânea. A partir desta altura, recorreu a ajuda especializada e inscreveu-se num hospital público. Teve de aguardar quatro meses para a primeira consulta, até que passados 12 meses foi encaminhada para a realização da primeira microinjecção intracitoplasmática (ICSI): uma técnica usada em casos em que existe um factor masculino de infertilidade.

A presidente da APF conta que conseguiu engravidar duas vezes, uma delas ao final da terceira ICSI e uma outra através de uma transferência de embriões cripreservados. Mas ambas as gestações foram frustradas. “Esta foi outra das situações traumáticas associada ao facto de não poder engravidar”, conta. Ainda houve uma quarta ICSI no sector público. Mas, entretanto, como os recursos nestas unidades estatais foram “esgotados”, teve de recorrer a uma clínica privada.

Ao fim da quinta ICSI, já no sector privado, conseguiu engravidar. “Obter o resultado positivo era apenas uma etapa vencida, mas nem tudo estava ultrapassado”, conta. Foi internada com 25 semanas de gravidez e nem assim se conseguiu evitar que as bebés nascessem às 33 semanas, com apenas 1600gr e 1380gr. Uma das gémeas estava em sofrimento e foi necessário fazer uma cesariana de urgência. “Apesar de terem nascido pequeninas, felizmente não tiveram complicações pulmonares ou infecciosas”, afirma.

Cláudia Vieira lamenta o facto de ter tido uma gravidez tão conturbada. Hoje, decorridos 10 meses do nascimento das gémeas, só consegue pensar que é “uma mulher realizada” e que tudo o que passou “valeu a pena”. Apesar de não ter usufruído de uma gestação em pleno, a responsável da APF sente-se satisfeita por poder “desfrutar integralmente da maternidade”.

 

Infertilidade tende a aumentar

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um casal é considerado infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos. “Esta é a explicação de base, embora, em muitas situações clínicas, não seja necessário aguardar este período, porque o diagnóstico aponta um factor impeditivo de gravidez”, explica o Prof. João Silva Carvalho, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR).

As causas que impedem uma gravidez podem radicar em qualquer um dos membros do casal. “Na mulher, as disfunções endócrinas, do sistema hormonal, os problemas nas trompas e no útero e as infecções transmitidas sexualmente estão entre as principais causas de infertilidade”, adianta o especialista. E acrescenta que, no homem, “os factores genéticos ou tóxicos” contribuem para a perda de quantidade e qualidade dos espermatozóides.

Por motivos de ordem profissional e económica, muitas mulheres adiam a decisão de ter filhos para mais tarde, normalmente depois dos 30 anos. Com esta situação, diz João Silva Carvalho, as hipóteses de engravidar vão sendo mais escassas à medida que a idade avança. “A menopausa é a barreira absoluta a partir da qual há um declínio da fertilidade feminina, porque os ovários deixam de funcionar, embora, a partir dos 45 anos, já haja mais dificuldades em engravidar”. O mesmo não acontece com o homem, porque “o aumento da idade não prejudica a fertilidade masculina”.

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