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Gémeos: Cuidados a dobrar…pelo menos

A gravidez tardia e o recurso à reprodução medicamente assistida são factores que justificam um aumento de frequência no nascimento de gémeos. Depois da surpresa da confirmação, convém adoptar alguns cuidados, antes e depois do parto.

A confirmação de uma gravidez planeada e desejada é sempre um misto de emoções: a chegada de um filho traz a certeza da mudança, de que nunca mais as rotinas serão iguais, de uma imensa responsabilidade, do papel mais importante que se pode ter…

Acima de toda a ansiedade, o momento é de felicidade. É dar vida à vida. e se em vez de uma vida, a ecografia anunciar o batimento de mais do que um coração? aí a multiplicação também se aplica aos sentimentos, e a notícia de que vêm aí gémeos desencadeia receios de não ser capaz de dar banho a dois, acorrer a dois quando choram, quando estão doentes… e mudar a fralda? ai!…

A verdade é que, actualmente, parece haver, com maior frequência, gravidez de gémeos, sobretudo devido ao avanço científico e à reprodução medicamente assistida. Porque a hereditariedade pode ser um factor de propensão, tal como a idade da mulher. a existência de gémeos na família aumenta a probabilidade de mais gémeos, tal como uma anterior gravidez de gémeos. Além disso, a partir dos 30 anos, as hormonas podem fazer com que os ovários libertem mais do que um óvulo em cada ovulação, aumentando a probabilidade de virem a ser fertilizados.

É, aliás, um processo análogo ao que acontece no decorrer de tratamentos de infertilidade: as tecnologias mais utilizadas, como a fertilização in vitro, envolvem a implantação no útero feminino de mais do que um ovo fertilizado, com maior probabilidade de nascerem gémeos ou outros múltiplos. os gémeos nascidos em consequência destes tratamentos são os chamados gémeos fraternos ou dizigóticos, resultando da fertilização de dois óvulos por dois espermatozóides diferentes: por isso cada um tem a sua própria placenta e o seu próprio saco amniótico. Podem ser ambos do sexo masculino, ambos do sexo feminino ou um de cada, partilhando tantas semelhanças quanto dois irmãos de gestações distintas.

Os gémeos idênticos ou monozigóticos são menos comuns e resultam de um único ovo fertilizado que se divide, dando origem a dois fetos que podem partilhar a placenta mas que têm sacos amnióticos individuais, sendo raro que partilhem o mesmo. Estes irmãos partilham a mesma genética, os mesmos cromossomas e são fisicamente muito parecidos – o mesmo sexo, o mesmo tipo de sangue, a mesma cor de cabelos e olhos… – o que leva a que, ao longo da vida, quem com eles priva tenha dificuldade em distingui-los. Quanto aos gémeos múltiplos (a multiplicar por três, quatro, cinco… e por aí fora…) tanto podem ser idênticos como fraternos, ou mesmo uma combinação de ambos.

Existem também os casos, ainda que raros, dos gémeos siameses, unidos por uma parte do corpo.

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Multiplicar cuidados

Uma gravidez múltipla envolve alguns riscos…múltiplos, mas identificados.

Náuseas, vómitos e fadiga tendem a ser mais intensos, tais como as dores abdominais, a falta de ar e a pressão sobre o osso púbico.

Hipertensão arterial, pré-eclampsia (pressão elevada combinada com a existência de proteínas na urina) e diabetes gestacional são complicações possíveis e que carecem de um rigoroso acompanhamento, porque podem constituir um perigo para a saúde dos fetos e da própria mãe.

Qualquer gravidez implica cuidados pré-natais, de modo a que tanto a mãe como o bebé se mantenham saudáveis ao longo dos nove meses.

Uma gravidez múltipla torna estes cuidados mais importantes ainda: a alimentação correcta, enfatizando alguns nutrientes (sem duplicar…), como o ácido fólico, o cálcio, o ferro e as proteínas.  o ácido fólico é fundamental, particularmente nos primeiros três meses, para prevenir o risco de defeitos do tubo neural, como a espinha bífida, sendo tomado sob a forma de suplemento habitualmente prescrito pelo médico obstetra. Quanto ao cálcio pode ser obtido através de alimentos como o leite, os brócolos e as sardinhas entre outros, assim se beneficiando o desenvolvimento ósseo dos bebés.

Já o ferro é necessário para a hemoglobina, a substância das células vermelhas do sangue que transporta o oxigénio até aos tecidos: sem ele, pode surgir anemia, causa de perda de apetite e de fadiga acentuada durante a gravidez, bem como de menor fornecimento de oxigénio aos fetos.

No que diz respeito às proteínas, elas são essenciais para a construção dos tecidos e para a regulação das reacções químicas envolvidas no crescimento, pelo que a sua ingestão não pode ser descurada.

É natural que haja um aumento de peso superior, mas convém evitar engordar demasiado, a bem do parto e da própria recuperação.

O regresso a casa com gémeos, principalmente nos primeiros tempos, é uma verdadeira prova de fogo. Afinal, tudo leva o sinal da multiplicação: refeições, fraldas, banhos, choro…

Mas, com o tempo, o desafio é mesmo o transporte e a criação de relações individualizadas, promovendo personalidades autónomas. Porque podem ser iguais na aparência, mas a identidade é sempre única.

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E o parto?

A média de uma gravidez encontra-se nas 40 semanas, considerando-se um intervalo de duas semanas antes (às 38 semanas) e depois (às 42 semanas). Mas numa gravidez de gémeos a prematuridade é comum, sendo frequente que o trabalho de parto comece entre as 35 e as 37 semanas. nesse caso o objectivo passa por retardar o parto, através do controlo das contracções, com a ajuda de medicamentos, para assegurar a maturidade dos pulmões dos fetos.

Quando tal não é possível o parto por cesariana é frequente. Esta é, mesmo, a opção mais segura, até porque a probabilidade de todos os irmãos estarem na posição certa para um parto vaginal é rara. Porém, quando o parto vaginal é possível, é bem mais fácil do que num único bebé, uma vez que os gémeos são, regra geral, mais pequenos. o problema dá-se quando a existência de mais do que um feto num único espaço conduz a pressão sobre a placenta ou sobre o cordão umbilical de um dos bebés.

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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