É natural que com o envelhecimento os nossos “cinco sentidos” comecem a dar sinais do passar do tempo, revelando algumas fragilidades. O que é preciso é estar atento e procurar ajuda médica em caso de alterações. Para tal, sempre que possível, devem ser realizados exames de rotina.
Todos nós conhecemos ou ouvimos histórias de pessoas que chegaram à terceira idade “sãs como um pêro”.
São pessoas por quem os anos parecem não passar, muito embora apresentem na pele as rugas que denunciam a idade e nos cabelos a cor branca que não deixa dúvidas. São, no entanto, pessoas que se mantêm activas e que contrariam, de certa forma, a ideia de que com o envelhecimento os problemas de saúde se multiplicam.
Envelhecer não é, de facto, sinónimo de doença, apesar da idade aumentar a probabilidade de se ter alguma patologia. O que também aumenta é a probabilidade de os “cinco sentidos” se tornarem mais frágeis: problemas de visão e de audição, por exemplo, tornam-se mais frequentes.
“Os meus olhos já não são o que eram….”
Este é um comentário que se ouve com frequência entre as pessoas mais idosas, quando ler as legendas do programa preferido de televisão se torna cada vez mais difícil ou quando focar as letras de uma revista ou de um jornal obriga a aproximar as páginas aos olhos.
O que acontece é que há alterações físicas associadas ao envelhecimento que podem provocar uma perda gradual da visão. É por isso que, em geral, as pessoas mais idosas precisam de luz mais forte para ler, cozinhar, costurar ou jogar às cartas. É por isso também que têm tendência a ver televisão mais perto.
Para esta diminuição da visão podem contribuir algumas doenças, nomeadamente a diabetes e a hipertensão.
Há ainda algumas doenças dos olhos que se tornam mais comuns com a idade, como as cataratas e o glaucoma.
São, no entanto, alterações que podem ser prevenidas e algumas até curadas, pelo que é importante fazer exames oftalmológicos com regularidade:
se possível, depois dos 65 anos, fazer uma vigilância oftalmológica de dois em dois anos, para detectar e tratar a tempo alguns desses problemas.
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É igualmente importante ir ao médico se existirem alterações na visão, por exemplo, se a visão se enevoar de repente, se começar a ver duas imagens, se os olhos ficarem vermelhos ou inchados ou se notar um aumento das secreções.
Quando a capacidade de visão é reduzida não é necessário abdicar das actividades que dão prazer, há é que adaptar comportamentos: assim, para ler aproveite ao máximo a luz natural, aproxime-se das janelas, não feche as cortinas. Quando precisar de luz artificial, não use lâmpadas de baixa voltagem e coloque-as de forma a não encadearem.
Para aumentar o tamanho das letras, se necessário, faça da lupa uma amiga fiel. E aproxime-se bem dos objectos que vai ver.
“Repita, se faz favor”
Esta é também uma frase que se ouve com frequência às pessoas mais idosas. Com a idade, as dificuldades de audição são comuns, acontecendo gradualmente. Nalguns casos dizem respeito apenas à audição propriamente dita, mas noutros estendem-se à compreensão daquilo que é ouvido.
Uma das causas pode ser um dano no nervo que transmite as instruções do ouvido interno ao cérebro.
Quando a audição começa a falhar com regularidade, pode haver tendência para o isolamento, evitando contacto com outras pessoas por receio de não ouvir bem o que dizem.
Mas não há razão para isso. Tal como na visão, também aqui há alguns “truques” que permitem melhorar a qualidade de vida: em casa, aumente a intensidade da campainha da rua e do telefone, diminua o ruído ambiente quando estiver acompanhado/a, de modo a poder escutar melhor o que lhe dizem. E se não conseguir ouvir bem, não há motivos para ter vergonha e pedir que repitam.
Se a dificuldade de audição afectar a qualidade de vida, há sempre a possibilidade de utilizar um aparelho auditivo: actualmente, existem modelos de dimensão tão pequena que só quem os usa sabe da sua existência.
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“A comida não me sabe a nada”
Eis outro desabafo comum. Este prende-se com as alterações do paladar: com a idade é natural que haja alguma diminuição da sensibilidade e que os alimentos vão “perdendo” o seu sabor. Por si só, não constitui um problema, mas pode fazer com que a pessoa sénior se desinteresse pela comida e, em consequência, se alimente menos bem. O estado nutricional pode ser afectado, pelo que convém estar atento.
Além disso, a diminuição do paladar costuma estar associada à do olfacto, o que pode fazer, por exemplo, com que se ingiram alimentos estragados por não se conseguir identificar o cheiro desagradável. Mas pode também impedir a pessoa de identificar o cheio a gás, no caso de uma fuga ou de um bico do fogão mal desligado.
Um risco que se pode evitar se substituir os eletrodomésticos a gás por outros a eletricidade.
Insensibilidade à flor da pele
Finalmente, o tacto. Com a idade, também este sentido pode “pregar algumas partidas”. Quem sofre de diabetes, por exemplo, tem a sensibilidade das suas extremidades (mãos e pés) diminuídas e por isso corre um risco acrescido de se ferir sem sentir dor e de essas feridas demorarem mais tempo a cicatrizar. Mas, independentemente da diabetes, pode haver uma menor sensibilidade, pelo que é importante adoptar alguns cuidados.
Um deles é usar sempre luvas ou uma pega quando estiver a cozinhar e precisar de segurar um tacho ou uma panela quente. Outro cuidado é seguir sempre as mãos com os olhos, e assim conseguir identificar eventuais sinais que “escapem” ao tacto.
Também os pés podem apresentar menor sensibilidade, havendo o perigo de derraparem num piso menos aderente. Para prevenir, o ideal é usar sempre calçado com sola de borracha, que não escorrega. E andar calçado, mesmo em casa, para evitar pisar objectos que possam causar feridas. Os olhos também podem ajudar: ao descer escadas, por exemplo, veja onde põe os pés, para não se desequilibrar.
São cuidados que contribuem para uma boa qualidade de vida, essencial em todas as idades, mesmo quando os sentidos já não são o que eram.
FARMÁCIA SAÚDE – ANF
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