Feridas à espreita
O primeiro deles passa por deitar ou sentar a pessoa acidentada, procurando imobilizar ao máximo a parte do corpo lesionada.
Mas quem vai prestar os cuidados deve assegurar-se de que não toca na ferida: usar luvas é o melhor, mas, na impossibilidade, há que lavar e desinfectar as mãos. Este é um gesto que protege ambas as pessoas, dado que o contacto pele a pele é um veículo privilegiado de transmissão de microorganismos.
Qualquer ferida, por ligeira que seja, necessita de ser limpa, de preferência com soro fisiológico.
Mas, na sua ausência, a água corrente é suficiente: deve verificar-se se todos os detritos se libertam da pele, mas sem esfregar ou tentar removê-los. Se permanecerem corpos estranhos na ferida há que recorrer à intervenção de um profissional (num centro de saúde ou de enfermagem, por exemplo).
Se houver hemorragia, é preciso estancá-la, não sem que antes se deixe sangrar um pouco (aliás, assim acontecerá mal a ferida seja colocada debaixo de água): é que a hemorragia é um bom ajudante de limpeza, já que o sangue arrasta consigo eventuais impurezas.
Pode acontecer que a hemorragia persista, sendo então necessário adoptar outra estratégia: cobrir a ferida com uma compressa e exercer uma ligeira pressão, por uns dez minutos, costuma ser eficaz. Convém é não espreitar, pois de cada vez que a compressa é levantada o sangue volta a correr, atrasando o processo.
Limpa e sem vestígios de sangue, a ferida está pronta para ser desinfectada. Para tal, deve usar-se uma solução dérmica própria.
Finalmente, há que protegê-la com um penso adequado, sempre que haja risco de fricção com roupa ou de se sujar. Este é um cuidado essencial: é que o penso desempenha múltiplas funções, todas elas importantes para uma cicatrização adequada – absorve os fluidos da ferida, impedindo que contactem com a pele saudável; protege-a do ambiente, nomeadamente de bactérias; mantém a ferida hidratada. Além de que – esta não é uma questão menor – resguarda a ferida de olhares alheios, evitando o embaraço de a expor durante os contactos sociais.
Cicatrizar sem marcas
Cuidar de uma ferida, rapidamente e da forma adequada, é fundamental para promover a cicatrização e para que não fiquem marcas.
Aliás, mal ocorre a lesão, são desencadeados os mecanismos fisiológicos que caracterizam a cicatrização: os diferentes tipos de células conjugam-se para restabelecer a integridade do tecido.
Este é um processo que decorre por fases, a primeira das quais – a hemostase – acontece imediatamente após a lesão, correspondendo à entrada em acção das plaquetas, células sanguíneas especializadas que dão origem a um coágulo, uma espécie de rolha para travar a hemorragia.
Quase em simultâneo, começa a fase inflamatória: os glóbulos brancos asseguram a limpeza das partículas alojadas no tecido danificado, ao mesmo tempo que se verifica uma proliferação de pequenos vasos sanguíneos, os capilares, responsáveis pelo afluxo de sangue à ferida. Surge então o edema (inchaço) e a região externa da ferida ganha um tom rosado ou avermelhado.

