O Inverno está a chegar e com ele vem o frio, a chuva, o vento que levam ao aparecimento das chamadas “doenças de Inverno”. As mais comuns são as constipações e as gripes que trazem inúmeras preocupações, principalmente quando se trata de um ser vivo tão frágil e pequeno como o bebé.
O Dr. Álvaro Lorena Birne, pediatra, elucida os leitores sobre os cuidados a ter nos primeiros dias de vida do bebé, de como evitar as “doenças de Inverno” e sobre o que fazer caso a doença já não possa ser evitada.
Quais os cuidados primários a ter durante os primeiros meses de vida de um bebé?
Os cuidados a ter com o bebé são a nível da alimentação que implica que este deva ser amamentado com uma certa regularidade. A mãe deverá manter um regime alimentar adequado e está expressamente proibida de fumar e de beber bebidas alcoólicas. Tudo condiciona a qualidade do leite materno que vai ser o alimento do bebé e, por isso mesmo, é necessário que a mãe tenha uma alimentação saudável e evite fumar e beber.
Do mesmo modo, o pai fumador deverá também evitar fumar, principalmente quando estiver perto do bebé. Este não deve ser exposto a ambientes de fumo.
Quanto aos banhos, nos primeiros dias de vida, a criança deverá ser limpa com água morna e com um óleo de limpeza hidratante; o cordão umbilical limpo e desinfectado com álcool a 70º. No fim do banho, deve passar-se com um óleo próprio para hidratar a pele do bebé. As suas roupas devem ser de algodão e podem ser lavadas na máquina desde que com um detergente adequado para roupa de bebé, para que as suas roupas estejam convenientemente limpas e não provoquem irritações na sua pele. Além disso, os pais deverão verificar se as roupas são as apropriadas para a Estação, ou seja, se o bebé não vai ter frio ou calor. Para se certificar, deverá colocar a sua mão no peito do bebé e sentir se está a transpirar ou se está frio e adequar o vestuário à temperatura do corpo.
As fraldas a usar são as descartáveis e deve-se pôr um creme hidratante no rabo do pequeno porque este está exposto à humidade e irritações que, com um creme adequando, será facilmente resolvido.
Com que regularidade devem os pais levar o bebé/criança ao pediatra? Como se percebem de que o bebé está doente? O que fazer?
Na fase inicial da vida do bebé, os pais deverão levá-lo ao pediatra mensalmente, podendo mais tarde reduzir o período trimestralmente. O primeiro ano da vida do bebé é o mais preocupante e, por isso, é necessário ter em atenção as suas necessidades. Isto porque, a criança pode ter nascido sã e sem qualquer problema aparente, mas podem ocorrer alterações no seu desenvolvimento às quais os pais deverão estar atentos.
É muito fácil uma mãe perceber que a criança se encontra doente. Em primeiro lugar por causa das tosses e obstruções nasais que não deixam a criança dormir e pela falta de apetite e indisposições que o bebé sente. Sinais de alarme são os gemidos, a febre alta, a recusa alimentar e nestes casos se ocorrerem nos primeiros dois meses de vida é urgente contactar o pediatra ou dirigir-se ao hospital para encontrar uma rápida solução do problema.
É preciso ter atenção para alguns cuidados a ter assim que a doença é diagnosticada: nas doenças virais, é importante baixar a febre e quando são problemas respiratórios é necessário fazer os aerossóis e manter as vias aéreas bem desentupidas com um soro fisiológico ou algo semelhante.
Como evitar que as doenças cheguem ao bebé/criança?
Durante as primeiras semanas de vida, não se aconselha que o bebé saia à rua porque este ainda é considerado um ser muito frágil. Neste sentido, prevê-se que o bebé não seja contagiado com nenhuma doença. Mas há também os casos, em que um familiar (irmão, pai ou mãe) se aproximou do bebé enquanto estava doente.
Nestes casos, o que há a fazer é, antes de mais, evitar que tal aconteça, ou seja, que a pessoa portadora da doença se aproxime ou, muito menos, que lhe espirre para cima e, por outro lado, se tal acontecer, deve então levar o bebé a ser consultado pelo pediatra.
Depois há casos em que, sobretudo no primeiro ano de vida, se a criança vai ser exposta ao infantário, há mais possibilidades de ter infecções virais, como as bronquites, constipações, gripes, tosse, falta de ar, que com a intervenção clínica será resolvido.
É difícil evitar tais doenças a 100%, a não ser que a criança deixe de ir ao infantário ou à escola, o que é praticamente impossível nos dias que correm.
O cuidado deve partir, em primeiro lugar, dos pais que, assim que dão conta de que a criança não se encontra em bom estado de saúde, esta deverá permanecer em casa para recuperar da doença e para não contagiar as outras crianças.
Em segundo lugar, esta prevenção terá também de ser feita nos infantários, colégios ou escolas, fornecendo as condições mais apropriadas, tanto em número de crianças, para não haver contágio, como nas questões higiénicas, tal como é regulamentado nos serviços sociais do Estado. Desta forma poder-se-á diminuir o contágio dessas viroses que são mais frequentes no Inverno.
O bebé é um ser muito frágil, delicado e indefeso e, portanto, necessita de toda a atenção por parte dos pais na satisfação das suas necessidades. Os pais devem, então, evitar ambientes propícios ao contágio de certas doenças que para um bebé implicam um grande obstáculo e luta logo nos seus primeiros dias de vida.
Há também que ter a preocupação com as vacinas e seguir o Plano Nacional de Vacinação (calendário que indica em que datas se deve prevenir o bebé, a criança e o adolescente contra as doenças virais – em anexo).
Nas crianças o mesmo acontece porque, apesar de não tão frágeis como um bebé, o sistema de defesa traduz-se num sistema propício a contágios.
Desta forma, é dever dos pais prestarem atenção aos pequenos sinais de possível doença e evitar que este contagie outras crianças nos infantários, colégios ou escolas.
Dr. Álvaro Lorena Birne
Pediatra
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