Com a chegada dos dias mais frios, são poucas as pessoas que conseguem fugir à habitual gripe, que já parece uma inevitabilidade do Inverno. Mas não é. E para lhe escapar há que ter muita cautela e não esquecer a prevenção.
A gripe é uma doença viral aguda causada pelo vírus influenza do qual se conhecem três tipos – A, B e C. Apenas os vírus A e B provocam doença com significativo impacto na Saúde Pública.
«A gripe é transmitida de pessoa para pessoa pelas vias aéreas e pode durar entre três a sete dias, sendo o tratamento principalmente sintomático», explica o Dr. Eduardo Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral.
As gripes e as constipações são as doenças mais comuns entre os seres humanos. Os adultos podem contrair duas a cinco constipações por ano, ao passo que as crianças em idade escolar podem ser afectadas sete a 10 vezes.
A gripe, por seu turno, atinge todos os anos milhões de pessoas, podendo assumir um carácter epidémico. «Normalmente», assegura este médico, «cada pessoa só é afectada pela infecção gripal uma vez por ano».
Apesar de a sintomatologia destas duas doenças ser semelhante (ver caixa), «na gripe podemos esperar que a febre seja mais elevada, a presença de mialgias intensas (dores musculares) e não é frequente existirem sintomas oculares e espirros», diz o mesmo especialista.
A gripe é uma doença muito contagiosa, que ataca as vias respiratórias (nariz, garganta e pulmões). O vírus é transmitido através das secreções respiratórias e tem um período de incubação médio de dois dias. O período de transmissão decorre desde um a dois dias antes do aparecimento dos sintomas até sete dias depois.
«O indivíduo enfermo deverá repousar, evitar o álcool, procurar alimentar-se bem e ingerir muitos líquidos, além de usar medicações para a febre e para a dor (tratamento sintomático) – antipiréticos e analgésicos», aconselha Eduardo Mendes, que acrescenta:
«Podem, também, ser usados descongestionantes nasais para a melhoria dos sintomas nasais. Quando os sinais da gripe têm menos de dois dias, o doente poderá discutir com o seu médico de família a possibilidade e vantagem de adoptar um tratamento antiviral (tratamento dirigido).»
Não há gripe sem tosse e são vários os inconvenientes que a tosse acrescenta: dores de garganta, no peito, dificuldade em engolir, sensação de sufoco… Mas trata-se de um mal que vem por bem.
Como esclarece este médico, «a tosse começa quando parte das vias aéreas do pulmão ficam inflamadas ou irritadas e é um reflexo básico que procura remover o agente irritante».
A tosse pode ser irritativa (seca) ou produtiva (torácica). «A tosse torácica é a forma do organismo expulsar o muco (viscoso) que surge nos pulmões. E para o expulsar e aliviar a tosse, pode ser necessário fluidificá-lo através da ingestão de fluidos, o que torna a tosse mais “produtiva” (com um muco menos espesso)», sustenta Eduardo Mendes, que distingue:
«Por sua vez, a tosse seca ou irritativa é causada pela inflamação das vias aéreas superiores e pode ser devido a poeiras, corpos estranhos ou a uma infecção da garganta, sem a presença de muco no tórax.»
Vacina reduz risco de gripe em 90% dos casos
Segundo este médico de Clínica Geral, «no hemisfério norte, onde se situa Portugal, a época da gripe inicia-se em Setembro/Outubro e termina em Março/Abril do ano seguinte». São cerca de sete meses sob ameaça. Mas esta é uma ameaça passível de prevenção, o que passa pelo reforço das defesas do corpo, mantendo-o quentinho, bem-alimentado e evitando-se a permanência em ambientes fechados.
«A melhor forma de prevenir a gripe é fazer a vacinação anual antes do Inverno, nos meses de Setembro/Outubro. A vacina pode ajudar a prevenir os casos de gripe ou, pelo menos, diminuir a gravidade da doença», assegura Eduardo Mendes, que revela:
«A eficácia preventiva da vacina é de 70 a 90% nos jovens e adultos e cai para 30 a 40% nos idosos muito frágeis, porque estes têm pouca capacidade de desenvolver anticorpos após a imunização (vacinação). Contudo, mesmo nestes casos, a vacinação consegue proteger contra as complicações graves da gripe (como a pneumonia).»
A terceira idade é a faixa etária que mais necessita da vacina antigripe. Mas os idosos não são o único grupo mais susceptível a esta doença. As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direcção-Geral de Saúde (DGS) apontam que, para além das pessoas com mais de 65 anos, devem efectuar a vacinação os portadores de algumas doenças, tais como a diabetes ou o cancro, os funcionários das unidades de saúde e as grávidas (ver caixa).
A vacina é capaz de produzir anticorpos contra os três tipos do vírus influenza que circulam entre as pessoas, diminuindo o risco de se contrair a doença em 90% dos casos. Mas é preciso não esquecer que são necessários 10 a 15 dias para que o efeito protector da vacina entre em acção.
Por outro lado, é necessário tomar a vacina todos os anos, pois o vírus da gripe tem uma capacidade muito grande de mutação. A cada ano, a OMS recomenda a composição da vacina conforme os tipos de vírus que estão a circular. Em Portugal, a vacina pode ser adquirida nas farmácias, mediante prescrição médica, e é comparticipada em 40% pelos serviços sociais.
Segundo a OMS, a vacinação reduz a morbilidade associada à gripe em 60% nos idosos e em 70 a 90% nos adultos saudáveis. Mas existe um problema: «A quota de vacinas contra a gripe atribuída a cada país é limitada, porque a capacidade de produção desta vacina é também limitada», esclarece Eduardo Mendes. Ela não chega para todos e, por isso, é dada prioridade às pessoas que se incluem nos grupos de risco.
Na maior parte dos casos, uma gripe ultrapassa-se sem problemas de maior, mas esta pode ser uma doença grave, principalmente para as pessoas idosas ou debilitadas por doenças crónicas. Nestes casos, se não se actuar atempadamente no sentido do tratamento dos sintomas, a gripe poderá evoluir para pneumonia e graves infecções respiratórias, desembocando em hospitalização ou mesmo morte.
Os alvos fáceis da gripe
A Direcção-Geral de Saúde recomenda que estas pessoas se vacinem contra a gripe:
– Pessoas com 65 anos ou mais;
– Adultos, ou crianças com mais de seis meses, portadoras de doenças crónicas cardíacas, pulmonares, renais, hepáticas ou neuromusculares;
– Diabéticos;
– Indivíduos com doenças no sangue;
– Imunocomprometidos;
– Doentes de cancro;
– Infectados pelo VIH;
– Transplantados de órgãos;
– Doentes que recebem corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
– Pessoal dos serviços de saúde;
– Grávidas que, em Outubro, estejam no 2.º ou 3.º trimestre de gravidez;
– Pessoas sem-abrigo;
– Coabitantes dos indivíduos portadores dos quadros acima referidos.
Será gripe ou constipação?
Gripe:
– Despoletada pelo vírus Influenza;
– Pode ser prevenida por vacina;
– Sintomas mais intensos: febre alta; dor de cabeça e de garganta, coriza (corrimento nasal); cansaço;
inflamação das mucosas (obstrução nasal) e das vias respiratórias; tosse; dores musculares e tremores de frio.
– Geralmente tem evolução benigna, mas pode ser mortal.
Constipação:
– Causada por diversos vírus, entre eles o adenovírus ou o rinovírus;
– Não é prevenida por vacina;
– Tem um carácter mais inflamatório: inflamação das membranas mucosas do nariz, garganta e brônquios;
– Sintomas: febre baixa (37,5 a 38,5ºC); dor de garganta e de cabeça; espirros; nariz entupido/corrimento nasal; lacrimejo; tosse e cansaço.
– Características benignas e de recuperação mais rápida.
A gripe é uma doença viral aguda causada pelo vírus influenza do qual se conhecem três tipos – A, B e C. Apenas os vírus A e B provocam doença com significativo impacto na Saúde Pública.
«A gripe é transmitida de pessoa para pessoa pelas vias aéreas e pode durar entre três a sete dias, sendo o tratamento principalmente sintomático», explica o Dr. Eduardo Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Clínica Geral.
As gripes e as constipações são as doenças mais comuns entre os seres humanos. Os adultos podem contrair duas a cinco constipações por ano, ao passo que as crianças em idade escolar podem ser afectadas sete a 10 vezes.
A gripe, por seu turno, atinge todos os anos milhões de pessoas, podendo assumir um carácter epidémico. «Normalmente», assegura este médico, «cada pessoa só é afectada pela infecção gripal uma vez por ano».
Apesar de a sintomatologia destas duas doenças ser semelhante (ver caixa), «na gripe podemos esperar que a febre seja mais elevada, a presença de mialgias intensas (dores musculares) e não é frequente existirem sintomas oculares e espirros», diz o mesmo especialista.
A gripe é uma doença muito contagiosa, que ataca as vias respiratórias (nariz, garganta e pulmões). O vírus é transmitido através das secreções respiratórias e tem um período de incubação médio de dois dias. O período de transmissão decorre desde um a dois dias antes do aparecimento dos sintomas até sete dias depois.
«O indivíduo enfermo deverá repousar, evitar o álcool, procurar alimentar-se bem e ingerir muitos líquidos, além de usar medicações para a febre e para a dor (tratamento sintomático) – antipiréticos e analgésicos», aconselha Eduardo Mendes, que acrescenta:
«Podem, também, ser usados descongestionantes nasais para a melhoria dos sintomas nasais. Quando os sinais da gripe têm menos de dois dias, o doente poderá discutir com o seu médico de família a possibilidade e vantagem de adoptar um tratamento antiviral (tratamento dirigido).»
Não há gripe sem tosse e são vários os inconvenientes que a tosse acrescenta: dores de garganta, no peito, dificuldade em engolir, sensação de sufoco… Mas trata-se de um mal que vem por bem.
Como esclarece este médico, «a tosse começa quando parte das vias aéreas do pulmão ficam inflamadas ou irritadas e é um reflexo básico que procura remover o agente irritante».
A tosse pode ser irritativa (seca) ou produtiva (torácica). «A tosse torácica é a forma do organismo expulsar o muco (viscoso) que surge nos pulmões. E para o expulsar e aliviar a tosse, pode ser necessário fluidificá-lo através da ingestão de fluidos, o que torna a tosse mais “produtiva” (com um muco menos espesso)», sustenta Eduardo Mendes, que distingue:
«Por sua vez, a tosse seca ou irritativa é causada pela inflamação das vias aéreas superiores e pode ser devido a poeiras, corpos estranhos ou a uma infecção da garganta, sem a presença de muco no tórax.»
Vacina reduz risco de gripe em 90% dos casos
Segundo este médico de Clínica Geral, «no hemisfério norte, onde se situa Portugal, a época da gripe inicia-se em Setembro/Outubro e termina em Março/Abril do ano seguinte». São cerca de sete meses sob ameaça. Mas esta é uma ameaça passível de prevenção, o que passa pelo reforço das defesas do corpo, mantendo-o quentinho, bem-alimentado e evitando-se a permanência em ambientes fechados.
«A melhor forma de prevenir a gripe é fazer a vacinação anual antes do Inverno, nos meses de Setembro/Outubro. A vacina pode ajudar a prevenir os casos de gripe ou, pelo menos, diminuir a gravidade da doença», assegura Eduardo Mendes, que revela:
«A eficácia preventiva da vacina é de 70 a 90% nos jovens e adultos e cai para 30 a 40% nos idosos muito frágeis, porque estes têm pouca capacidade de desenvolver anticorpos após a imunização (vacinação). Contudo, mesmo nestes casos, a vacinação consegue proteger contra as complicações graves da gripe (como a pneumonia).»
A terceira idade é a faixa etária que mais necessita da vacina antigripe. Mas os idosos não são o único grupo mais susceptível a esta doença. As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direcção-Geral de Saúde (DGS) apontam que, para além das pessoas com mais de 65 anos, devem efectuar a vacinação os portadores de algumas doenças, tais como a diabetes ou o cancro, os funcionários das unidades de saúde e as grávidas (ver caixa).
A vacina é capaz de produzir anticorpos contra os três tipos do vírus influenza que circulam entre as pessoas, diminuindo o risco de se contrair a doença em 90% dos casos. Mas é preciso não esquecer que são necessários 10 a 15 dias para que o efeito protector da vacina entre em acção.
Por outro lado, é necessário tomar a vacina todos os anos, pois o vírus da gripe tem uma capacidade muito grande de mutação. A cada ano, a OMS recomenda a composição da vacina conforme os tipos de vírus que estão a circular. Em Portugal, a vacina pode ser adquirida nas farmácias, mediante prescrição médica, e é comparticipada em 40% pelos serviços sociais.
Segundo a OMS, a vacinação reduz a morbilidade associada à gripe em 60% nos idosos e em 70 a 90% nos adultos saudáveis. Mas existe um problema: «A quota de vacinas contra a gripe atribuída a cada país é limitada, porque a capacidade de produção desta vacina é também limitada», esclarece Eduardo Mendes. Ela não chega para todos e, por isso, é dada prioridade às pessoas que se incluem nos grupos de risco.
Na maior parte dos casos, uma gripe ultrapassa-se sem problemas de maior, mas esta pode ser uma doença grave, principalmente para as pessoas idosas ou debilitadas por doenças crónicas. Nestes casos, se não se actuar atempadamente no sentido do tratamento dos sintomas, a gripe poderá evoluir para pneumonia e graves infecções respiratórias, desembocando em hospitalização ou mesmo morte.
Os alvos fáceis da gripe
A Direcção-Geral de Saúde recomenda que estas pessoas se vacinem contra a gripe:
– Pessoas com 65 anos ou mais;
– Adultos, ou crianças com mais de seis meses, portadoras de doenças crónicas cardíacas, pulmonares, renais, hepáticas ou neuromusculares;
– Diabéticos;
– Indivíduos com doenças no sangue;
– Imunocomprometidos;
– Doentes de cancro;
– Infectados pelo VIH;
– Transplantados de órgãos;
– Doentes que recebem corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
– Pessoal dos serviços de saúde;
– Grávidas que, em Outubro, estejam no 2.º ou 3.º trimestre de gravidez;
– Pessoas sem-abrigo;
– Coabitantes dos indivíduos portadores dos quadros acima referidos.
Será gripe ou constipação?
Gripe:
– Despoletada pelo vírus Influenza;
– Pode ser prevenida por vacina;
– Sintomas mais intensos: febre alta; dor de cabeça e de garganta, coriza (corrimento nasal); cansaço;
inflamação das mucosas (obstrução nasal) e das vias respiratórias; tosse; dores musculares e tremores de frio.
– Geralmente tem evolução benigna, mas pode ser mortal.
Constipação:
– Causada por diversos vírus, entre eles o adenovírus ou o rinovírus;
– Não é prevenida por vacina;
– Tem um carácter mais inflamatório: inflamação das membranas mucosas do nariz, garganta e brônquios;
– Sintomas: febre baixa (37,5 a 38,5ºC); dor de garganta e de cabeça; espirros; nariz entupido/corrimento nasal; lacrimejo; tosse e cansaço.
– Características benignas e de recuperação mais rápida.