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Sepsis – Um assassino subestimado

Na Alemanha, a Sepsis causa mais de 160 mortes por dia*1, e tira mais vidas do que doenças como o cancro do pulmão, cancro da mama e cancro dos intestinos, em conjunto. Esta tendência também se verifica noutros países ocidentais.

A Sepsis continua a ser uma das maiores preocupações da medicina moderna. Aproximadamente 50% dos doentes que contraem Sepsis grave morrem, apesar de todos os desenvolvimentos da medicina de cuidados intensivos.

A Sepsis grave nem sempre é o resultado dramático de uma infecção pós-operatória, muitas vezes é despoletada por infecções pulmonares ou urinárias. Quando um paciente morre devido a Sepsis sem origem pós-operatória, a doença inicial é normalmente considerada como a causa de morte oficial.

Esta é uma das razões pelas quais a infecção septicémica generalizada é tão subestimada. A Sepsis pode ocorrer em qualquer pessoa, em qualquer altura, embora o risco seja mais elevado junto de pacientes mais idosos, doentes hospitalares e indivíduos com predisposição mais elevada, devido a situações de, por exemplo, traumas, queimaduras, cirurgia ou cancro.

Em qualquer dos casos, porém, existe um elemento comum: quanto mais cedo o agente patogénico for identificado, maiores serão as suas hipóteses de sobrevivência.

Factos e números

• Na Alemanha, a Sepsis grave tira mais vidas, anualmente, que o cancro mamário, rectal/cólon, pancreático e da próstata, em conjunto*2

• Cerca de 18 milhões de pessoas em todo o mundo morrem todos os anos com sepsis grave. Nos Estados Unidos estima-se que mais de 750 000 pessoas desenvolvem Sepsis grave, e das quais 215 000 morrem*3.

• Na Alemanha, cerca de 60 000 mortes anuais (162 por dia) são atribuídas à sepsis, o que torna esta doença na terceira causa de morte mais comum do país*4

• A incidência de sepsis grave nos Estados Unidos deve aumentar para um milhão, no final da década, acompanhando o envelhecimento da população*5

• O tratamento para a Sepsis grave é responsável por um terço do orçamento das unidades de cuidados intensivos, na Alemanha, o que equivale a cerca de 1,7 mil milhões de euros. O custo do tratamento ronda a média dos 25 mil euros por paciente. Os custos indirectos associados, como os causados por incapacidade para trabalhar, ou reforma antecipada, alcançam os 6,3 mil milhões de euros, por ano.

Por estas razões, a Society for Critical Care Medicine abordou o tratamento de pacientes com sepsis grave, através da sua “Surviving Sepsis Campaign”, em 2002.

A organização dos profissionais de cuidados críticos de todo o mundo fixou um objectivo ambicioso: reduzir em 25% o número de mortes por sepsis, até ao final de 2007. Uma das medidas tomadas nesse sentido foi a instituição de maior agressividade na detecção e diagnóstico da sepsis em todas as unidades hospitalares.

Qualquer sepsis é uma potencial ameaça à vida

Sepsis é uma síndrome caracterizada por uma resposta exacerbada e generalizada, por parte de todo o organismo, a uma infecção, que pode rapidamente originar perda de membros, disfunção orgânica e em última instância, a morte.

A resposta normal do organismo à infecção é ultrapassada, despoletando uma cascata de eventos que podem causar inflamação e coagulação generalizadas. O desenvolvimento da sepsis apresenta vários estágios. Começa com a infecção. Depois, desenvolve uma resposta inflamatória sistémica (SIRS) descrita como sepsis se se verificam, para além da infecção, pelo menos dois dos seguintes critérios:

• Temperatura do corpo acima dos 38º ou abaixo dos 36º

• Batimentos cardíacos superiores a 90 por minuto

• Respiração com mais de 20 inspirações por minuto

• Glóbulos brancos no sangue com concentração superior a 12 000 por mililitro, ou inferior a 4000 por mililitro.

A sepsis mata mais de 20% dos doentes e pode evoluir para sepsis grave, o que implica disfunção aguda orgânica, como por exemplo, colapso do rim, pulmão ou fígado. Aqui a mortalidade atinge os 40%. Se o sistema cardiovascular falha apesar das medidas terapêuticas realizadas, o choque séptico instala-se, e aí a taxa de mortalidade atinge os 60%.

O choque séptico pode causar a falha de múltiplos órgãos e a morte. Estes indicadores traduzem a importância de uma intervenção tão rápida quanto possível nas fases iniciais da sepsis.

Horas que fazem a diferença entre a vida e a morte

Quando se verificam os sintomas associados à Sepsis, o tratamento convencional passa pela aplicação de antibióticos de largo espectro (mesmo sem se conhecer qual o agente, ou agentes patogénicos, que estão a provocar a infecção).

De acordo com as estatísticas, cerca de 25% destes tratamentos provam ser inadequados, para o caso específico de cada infecção, ou pela resistência do organismo ao antibiótico. Este facto tem um impacte dramático na mortalidade: vários estudos mostram uma relação directa entre a taxa de mortalidade e uma desadequada terapia inicial, em pacientes das unidades de cuidados intensivos, que apresentam casos críticos de sepsis. A mortalidade neste caso é significativamente mais elevada que aqueles que receberam tratamento adequado desde o início, podendo chegar a atingir uma taxa de 90%*7.

“ O Tempo de diagnóstico e o rápido início da terapia são factores cruciais para a sobrevivência do doente com sepsis”, comenta o Dr. Frank M. Brunkhorts, médico da unidade de cuidados intensivos e especialista em Sepsis, do Hospital Universitário de Jena, na Alemanha.

Assim, a administração do antibiótico correcto, nas primeiras horas, pode ser crucial para a sobrevivência do doente com sepsis grave, ou em situação de choque séptico. Uma das razões pelas quais o melhor tratamento com um agente patogénico específico não pode ser administrada a tempo, prende-se com o tempo necessário para os procedimentos de diagnóstico, que consiste em hemocultura. Este método tem sido mantido, virtualmente inalterado, há décadas.

Os testes que revelam qual a bactéria responsável pela sepsis demoram de dois a cinco dias. No caso de infecções com origem em fungos, determinar correctamente o agente patogénico pode levar até oito dias, o que pode ser demasiado tarde para muitos doentes.

A terapêutica correcta utilizando o antibiótico específico adequado só pode ter início após a identificação do agente patogénico. “ Especialmente quando se trata de casos de sepsis grave, a situação do doente pode deteriorar-se em questão de horas” diz o Prof. Frank Stueber, anestesista e especialista de cuidados intensivos e de sepsis, do Hospital Universitário de Bona, na Alemanha.

A adicionar ao tempo que se demora a concluir o diagnóstico, registam-se ainda dois outros factores complicados: em primeiro lugar, a sensibilidade das hemoculturas, que são frequentemente condicionadas pela administração de antibióticos de largo espectro para tratamento inicial da sepsis, antes da amostra de sangue ter sido recolhida.

Depois, a sensibilidade da cultura de sangue pode atingir apenas os 30%, mesmo nos cenários mais positivos, o que significa que a probabilidade de um diagnostico enganador pode ser muito elevada.

Nova abordagem ao diagnóstico da sepsis

Em Junho de 2000, um grupo interdisciplinar da Roche Diagnostics fez equipa com especialistas externos em sepsis para avaliar novos métodos de diagnóstico que poderão acelerar o processo da identificação dos agentes patogénicos causadores da sepsis. Em Janeiro de 2006, a Roche Diagnostics apresentou o primeiro teste baseado na tecnologia PCR, denominado LightCycler Septifast Test, que detecta 25 dos mais comuns agentes patogénicos causadores de sepsis, incluindo fungos, de acordo com as conclusões de 20 grupos terapêuticos relevantes. Em menos de seis horas, este teste disponibiliza resultados sobre o agente ou agentes patogénicos causadores da sepsis. Está aberta uma nova dimensão para o diagnóstico da sepsis.

Fontes:

1- German Ministery of Education and Reseach/sepnet,2004

2- Society of Critical Medicine, 2005, www.sccm.org/press_room/sepsis_facts.asp

3- Society of Critical Medicine, 2005, www.sccm.org

4- Brunkhorst F.M, Engel C, Reinhart K, Bone H-G Brunkhorst R, Burchardi H, Eckhardt K-U, Forst H, Gerlach H, Grond S, Grundling M, Huhle G, Oppert M, Olthoff D, Quintel M, Ragaller M, Rossaint R, Seeger W, Stuber F, Weiler N, Welte T and Loeffler M for the German Competence Network Sepsis (SepNet). Epidemiology of severe sepsis and sepsis shock in Germany – results from German “Prevalence” Study. Critical Care 2005;9(Suppl 1): S83

5- See 2

6- Schmid A, Burchardi H, Clouth J, Schneider H. Burden of illness imposed by severe sepsis in Germany. Eur Health Econom 2002;3:77-82; adapted by data from(4).

7- Luna CM et al., Chest 1997;111:676-685

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