Bullying não é brincadeira
“O bullying às vezes está mascarado, porque, tendencialmente, ocorre em locais de pouca supervisão e vigilância dos adultos”, corrobora Sónia Seixas. Há, também, casos em que a violência é exercida é confundida com brincadeiras de criança. De acordo com a psicóloga, urge desmistificar a falsa crença de que troçar e insultar faz parte do crescimento dos miúdos. “Esta é uma ideia errada. Um dos motores de desenvolvimento da criança é o conflito. E este não pode ser ultrapassado com comportamentos de bullying. Não é normal que uma criança seja sistematicamente humilhada na escola, a ponto de lhe causar traumatismos psicológicos.”
Pequenos e terríveis
Haverá uma verdadeira motivação para comportamentos de bullying? “Os miúdos agressores têm uma auto-estima elevada e uma grande confiança em si próprios”, responde Sónia Seixas. A psicóloga refere, no entanto, que “a auto-imagem do bully é alimentada pelo sofrimento e domínio que exercem sobre os colegas”.
Por encontrarem a vítima numa situação de vulnerabilidade e com uma rede social menos alargada, o bully agride o colega, insulta-o e a vítima não reage. E a partir deste momento torna-se um alvo fácil”. Como a vítima se fecha em si própria e não se queixa – por ter vergonha e pelo medo de retaliação” – as agressões vão sucedendo no tempo. O facto de a vítima ser frequentemente colocada numa situação de embaraço e de chacota pública perante os colegas, vai contribuir para “aumentar os seus níveis de insegurança, tristeza e depressão”.
Segundo Sónia Seixas, para combater estas situações, “é preciso estar atento aos sinais de alerta”. A psicóloga diz que cabe aos pais e à comunidade escolar um papel mais interventivo nestas questões. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos partilha da mesma opinião, alertando para a necessidade de chamar os adultos à responsabilidade, já que as vítimas, por acharem que não vale a pena pedir ajuda, se encontram impotentes para encarar a situação.
“Os professores e os pais encontram-se numa situação privilegiada. Se as crianças chegam quase todos dias a casa com arranhões, com roupa rasgada, estes podem ser indícios de que estão a ser alvo de bullying por parte dos colegas na escola”, observa Sónia Seixas. E salienta: “Ao notarem que a criança apresenta dificuldades em dormir, pesadelos e fobias escolares graves, os pais devem tentar perceber o que origina estes medos. Porque certos comportamentos ou reacções podem encapotar situações graves de agressividade por parte dos colegas.”
Linha S.O.S bullying
808 968 888 é o número de telefone através do qual as vítimas de bullying podem solicitar ajuda. Com um horário de funcionamento entre as 18 e as 20h, a linha orienta as vítimas, via telefone, encaminhando-as para o profissional mais habilitado a intervir na situação.
Jornal do Centro de Saúde
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