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Depressão Pós-Parto

17 Outubro, 2008 0

A gravidez e o pós-parto correspondem a períodos de alta vulnerabilidade para a mulher. São razões sobretudo biológicas ligadas às modificações endócrinas e às alterações do esquema corporal, mas também estão presentes razões psicológicas ligadas ao sentimento de maternidade e às experiências negativas de gravidezes anteriores.

Os quadros clínicos mais frequentes nestes períodos são as alterações depressivas de pequena intensidade (50-85% dos casos), muito embora as psicoses pós-parto, sendo raras (0,1-0,2%), constituem um quadro de grande emergência psiquiátrica.

Em termos psiquiátricos o pós-parto ou puerpério corresponde ao período que se estende desde o parto até aos 6 meses seguintes. Abarca portanto o pós-parto bem como parte do período de lactação.

As depressões que ocorrem neste período são em geral de dois tipos de gravidade: as ligeiras e as muito graves.

As primeiras, mais frequentes em mulheres primíparas, caracterizam-se por acentuado cansaço e falta de energia, choro fácil, sintomas corporais vagos e generalizados, pessimismo, dificuldade de concentração, insónias e tristeza acentuada, com flutuações do humor ao longo do dia e acompanhados por preocupações exageradas relacionadas com os cuidados com o filho. A este propósito convém referir a importância das manifestações da criança, já que funciona como um “emissor sintomático” das alterações psicológicas da mãe traduzidas na alteração da relação mãe-filho.

De entre as manifestações sintomáticas da criança, os quadros de tipo digestivo (que constituem nesta fase o meio preferencial de comunicação do recém-nascido com o mundo exterior), quer apresentando-se como rejeições alimentares, quer como aumento da ingestão de alimentos, com as consequentes deglutições maciças de ar, são um código de sintomas importante a descodificar, no sentido das alterações psicológicas maternas.

Apesar disso, estas depressões são normalmente benignas, ocorrem entre o 3º e o 6º dia do puerpério e por isso designam-se por síndroma do 3º dia e necessitam de tratamento psicológico e farmacológico adequado. Não apresentando uma ligação evidente com as alterações hormonais em curso, estão mais relacionadas com os acontecimentos de vida e com o stress social a que a mulher está sujeita, sendo por isso muito influenciadas por tratamentos psicológicos e por acções de pedagogia da saúde. Assumem grande importância pelas consequências sobre o desenvolvimento do recém-nascido, pelo que apesar de ligeiras devem merecer um especial cuidado.

As segundas, as depressões graves, são mais raras (1 a 2%), têm um curso dependente das alterações metabólicas que estão a ocorrer, constituindo verdadeiras psicoses puerperais que necessitam de internamento urgente. Este tipo de depressões ocorre, na grande maioria dos casos, durante o 1º mês após o parto. O sintoma saliente é a confusão mental, mas apresenta um conjunto de sinais precursores aos quais se deve prestar atenção (insónia grave, inquietação motora marcada, irritabilidade muito intensa, frequentes alternâncias do humor e profunda desmotivação). Uma complicação grave destes quadros clínicos é o grande risco de suicídio. Em casos raros existe também o risco de infanticídio.

Esta fase da vida da mulher está, de facto, associada a um grande número de admissões nos serviços de psiquiatria por quadros psicóticos de ocorrência durante o 1º mês após o parto. Se bem que as depressões bipolares façam parte deste leque de quadros psicóticos não constituem, contudo, a sua maioria. Esta, é constituída por outras situações psicóticas, a maior parte das vezes atípicas, que eclodem geralmente em mulheres com uma história de patologia psiquiátrica anterior ou até familiar.

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