XIII CONGRESSO DE PNEUMOLOGIA DO NORTE » AMBIENTE ESTERILIZADO DE INFANTÁRIOS AFECTA SISTEMA IMUNITÁRIO
Médicos debatem infecções respiratórias, tabagismo, tuberculose e gripe das aves.
A ideia de que as infecções frequentes que as crianças sofrem nos infantários beneficiam o desenvolvimento de uma imunidade rápida e eficaz é um mito. Este é um dos alertas que será feito no XIII Congresso de Pneumologia do Norte, a realizar entre os dias 16 e 18, na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, organizado pelo Serviço de Pneumologia do Hospital de São João.
A preocupação de pneumologistas e imunologistas não se reporta à gravidade da infecção, mas sim ao condicionamento de um correcto desenvolvimento do sistema imunitário da criança e que mais tarde poderá ter como consequência uma menor defesa do organismo face a inúmeras doenças.
O problema coloca-se nas exigências dos novos estilos de vida e da crescente tendência da qualidade de vida urbana para a esterilização. Cada vez mais as crianças que frequentam os infantários nas cidades contactam com um mundo plástico e não com um meio natural (terra, árvore, animais), o que acaba por condicionar um correcto desenvolvimento do sistema imunitário.
Além disso, as infecções que ocorrem nos infantários gozam de um carácter circular, e que pode ser muito nocivo na competência imunitária: passam de criança para criança, destas para os amigos e irmãos, posteriormente para os pais, e destes novamente para as crianças e infantários.
Tabagismo e cessação tabágica
Entre 2002 e 2005, a consulta de tabagismo do Serviço de Pneumologia do Hospital de São João registou um aumento na procura de 125%, com necessidade de ser alargada a vários médicos do serviço.
Esta procura crescente é justificada pelo aumento da consciência de que o tabagismo constitui uma real ameaça em termos de saúde pública, pelo conhecimento de que a sua cessação melhora o(s) risco(s) de quem fuma relativamente a quem continua a fumar, bem como pela compreensão das dificuldades existentes no abandono deste hábito de forma espontânea e sem qualquer acompanhamento.
A problemática do tabagismo e a necessidade de cessação tabágica são assuntos que também serão abordados neste congresso.
Tuberculose: a mesma luta, a mesma realidade
Segundo Agostinho Marques, presidente do XIII Congresso de Pneumologia do Norte e director do serviço de Pneumologia do Hospital de São João, o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose tem 10 anos e está «completamente moribundo». Recentemente, o Ministério da Saúde nomeou uma comissão para elaborar um novo programa para responder aos problemas da tuberculose.
O presidente desta comissão, Henrique Barros, estará presente nas XXIV Jornadas Galaico-Durienses de Pneumologia, iniciativa englobada no congresso, para falar do futuro programa, mesa que contará com a experiência espanhola de Diaz Cabanelas, da Corunha, e que será moderada por Teles de Araújo, do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias.
A tuberculose em Portugal continua a ser cerca de três vezes mais frequente do que nos países da Europa Ocidental e de acordo com números oficiais, em 2004, houve cerca de 3500 novos casos.
A distribuição da doença no território é muito irregular, com grande concentração de doentes nos distritos de Porto, Lisboa e Setúbal. Em algumas zonas urbanas, como a parte oriental da cidade do Porto, a incidência é quase três vezes superior à media nacional, com valores que são encontrados no 3º mundo.
Gripe das aves: ponto da situação
Nunca antes ocorreu uma epidemia de gripe com aviso prévio. Não haverá, por isso, desculpas para uma qualquer falta de preparação na resposta da comunidade à doença.
Neste âmbito, Maria de S. José, professora da Faculdade de Farmácia do Porto, fará o ponto da situação da gripe das aves, e Graça Freitas, subdirectora-geral da saúde, falará da preparação em curso a cargo da Direcção-Geral da Saúde para responder à eventual pandemia.
João Garcia encerra congresso
João Garcia, o alpinista português que escalou o Everest, é o convidado de honra para a cerimónia de encerramento, a ser presidida por Agostinho Marques, presidente do congresso e director do serviço de Pneumologia do Hospital de São João.
Nesta sessão, João Garcia relatará as dificuldades daquela que foi a sua maior experiência e será debatida a relação entre a ciência e a vontade. «Tinha chegado ao ponto mais alto do mundo. Sentei-me, olhei em volta e fiquei ali, ofegante, a tentar respirar.»
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Para mais informações contactar:
Prof. Agostinho Marques
(presidente do XIII Congresso de Pneumologia do Norte e director do serviço de Pneumologia do Hospital de São João)
Tel:917 581 737
Liliana de Almeida (Pharmaedia): 213 509 271 ou 937 213 888
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