As mensagens inscritas nos maços de tabaco são claras e concisas. Efectivamente, o tabaco mata! Sempre que alguém retira um cigarro da embalagem, é confrontado com as consequências. Por isso, se é fumador, agarre a vida!
O ingresso no “clube dos fumadores” deve-se, muitas vezes, a uma experiência entre amigos, com laivos de emancipação adolescente, porque “faz parte” de conquistar o estatuto de “adulto”. Só que, em média, o número de anos perdidos devido a mortes relacionadas com o tabagismo atinge o valor de 15 anos.
Outras vezes, a motivação para começar a fumar passa por ser, supostamente “in” ou por ajudar a conter o stresse, apoiado na ideia de ter as mãos ocupadas, ou ainda por buscar mais inspiração no cumprimento das tarefas profissionais ou por esbater a ansiedade motivada por um convívio social.
Qualquer que seja a razão, a verdade é que fumar rapidamente se transforma numa dependência que mata! O tabaco é, aliás, a principal causa de doença e morte evitável entre os países industrializados.
Esse processo degenerativo resulta da acção da nicotina, substância psicoactiva presente na folha do tabaco, a que se juntam os mais de quatro mil compostos químicos do fumo, dos quais mais de 40 são reconhecidos como carcinogénios, designadamente arsénico, cianeto, benzeno, formaldeído, tolueno e benzopireno.
A correlação entre o consumo do tabaco e a probabilidade de daí advirem doenças – com destaque para o cancro e as patologias do foro circulatório e respiratório – é uma evidência científica: 30 por cento de todos os casos de cancro, 90 por cento dos cancros do pulmão, cancros do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe), cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas, doença isquémica cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica estão associados ao tabagismo.
Deixar respirar os pulmões
As vantagens de deixar de fumar são claras. Mas enquanto algumas são sentidas a curto prazo, outras são-no apenas uns anos depois. Senão vejamos: 20 minutos depois de largar o último cigarro, a pressão arterial e as pulsações voltam ao normal; oito horas depois, os níveis de oxigénio no sangue voltam também ao normal; 24 horas depois, o nosso organismo liberta-se do monóxido de carbono; 48 horas depois, o paladar e o olfacto começam a melhorar; 72 horas depois, torna-se mais fácil respirar. Passados alguns meses, as melhoras continuam: um a três meses depois, dá-se a melhoria da circulação sanguínea; três a nove meses depois, diminuem a tosse e a falta de ar.
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Quanto aos benefícios, não param com o passar dos anos: cinco anos depois, o risco de ataque cardíaco reduz-se para metade; dez anos depois, o risco de cancro do pulmão reduz-se para metade; 15 anos depois, o risco de ataque cardíaco é o equivalente ao de quem nunca fumou.
O cancro do pulmão é, muitas vezes, considerado como a doença dos fumadores. Tudo porque o tabaco é sempre o principal suspeito. Cansaço extremo e uma tosse matinal sui generis – o catarro – são alguns dos sintomas de uma patologia que avança sorrateiramente até que uma expectoração laivada de sangue assusta…
Nessa altura, a perda de apetite, peso e dores persistentes no tórax já devem fazer parte dos incómodos sofridos pelos fumadores e traduzem a disfunção pulmonar. Estas características comuns a algumas doenças respiratórias, dificultam um diagnóstico precoce do cancro do pulmão.
Uma radiografia ao tórax pode dar o primeiro indício que permite o diagnóstico da doença. Mas, perante uma suspeita, podem ainda ter de ser realizados outros testes de diagnóstico.
Antes que seja tarde
Cerca de 80 por cento das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) são devidas ao consumo de tabaco. Sinalizada por um cansaço permanente, acompanhado de tosse e expectoração e por vezes confundida com a asma, a doença não se associa a alergias, antes resulta de uma exposição prolongada a poluentes, sobretudo ao tabaco. Gradualmente, as vias respiratórias ficam obstruídas, dificultando a respiração e gerando sucessivas crises respiratórias. O diagnóstico envolve uma prova de função respiratória, através da qual se avalia a capacidade respiratória do doente e a facilidade com que expele o ar. Confirmada a doença, o tratamento envolve fármacos que atenuam os sintomas e melhoram a capacidade respiratória.
As duas doenças são graves, difíceis de diagnosticar devido a sintomas comuns a outros tipos de patologias. Assim, antes que seja tarde, não fumar é o melhor dos remédios.
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Missão possível
Fumar é um vício, pelo que, para a generalidade dos fumadores, a batalha para abandonar o hábito é (quase) uma missão impossível. A verdade é que a maioria dos fumadores já procurou, ao menos uma vez, deixar de fumar. Mas entre a natureza viciante e o prazer, a intenção não é acompanhada pela prática. Os que conseguem são muitas vezes motivados por um valente susto ou pelas marcas que o tabaco vai deixando. É a dificuldade em dar uma corridinha com os filhos, a tosse que apoquenta pela manhã, é o aperto no peito quando se dá umas braçadas na praia ou na piscina numa bela tarde de Verão…
Como diz o ditado, é mais fácil começar do que acabar. E o organismo nem sempre reage bem à falta da substância viciante – a nicotina. Trata-se da síndrome da abstinência, que se traduz em insónias, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e instabilidade emocional. O desconforto grassa, porque o corpo continua a manifestar os excessos – tonturas e dores de cabeça, garganta dorida e boca seca, acessos de tosse, dores musculares e nas articulações.
Esta fase de adaptação permite que volte a abundar oxigénio no cérebro e que os pulmões avancem no processo de limpeza, que conduz aos tais ataques de tosse. Por isso, a força de vontade pode não ser suficiente para deixar de fumar. Há medicamentos que complementam essa determinação.
Estão disponíveis nas farmácias, sob a forma de sistemas transdérmicos, pastilhas ou gomas.
Podem ainda ser efectuados nas farmácias os testes que avaliam o grau de dependência do fumador – Teste de Fagerstrom (questionário escrito) – e que determinam os níveis de monóxido de carbono no ar expirado.
“Engravidar: imperativo deixar de fumar”
A pressão sobre as grávidas fumadoras é obviamente maior, até pelo acréscimo de ansiedade que normalmente provoca a gestação. Mas a opção de fumar assume contornos diferentes quando a mulher engravida, não só pelas consequências que implica para a própria, como pelos riscos para o bebé.
Os problemas passam por o bebé nascer com peso a menos, com dificuldades respiratórias e um risco acrescido de desenvolver bronquite, pneumonias e outras infecções semelhantes.
Há ainda a possibilidade de atrasos na aprendizagem nos filhos de mães fumadoras. Mas há mais riscos: abortos espontâneos, partos prematuros, mortes fetais e de recém-nascidos.
O perigo de fumar durante a gravidez está associado à troca de nutrientes entre a mãe e o feto, através da placenta. Ora, a nicotina existente no sangue materno pode passar para o bebé havendo, para além disso, um défice da oxigenação do feto que pode afectar gravemente o seu desenvolvimento.
O ingresso no “clube dos fumadores” deve-se, muitas vezes, a uma experiência entre amigos, com laivos de emancipação adolescente, porque “faz parte” de conquistar o estatuto de “adulto”. Só que, em média, o número de anos perdidos devido a mortes relacionadas com o tabagismo atinge o valor de 15 anos.
Outras vezes, a motivação para começar a fumar passa por ser, supostamente “in” ou por ajudar a conter o stresse, apoiado na ideia de ter as mãos ocupadas, ou ainda por buscar mais inspiração no cumprimento das tarefas profissionais ou por esbater a ansiedade motivada por um convívio social.
Qualquer que seja a razão, a verdade é que fumar rapidamente se transforma numa dependência que mata! O tabaco é, aliás, a principal causa de doença e morte evitável entre os países industrializados.
Esse processo degenerativo resulta da acção da nicotina, substância psicoactiva presente na folha do tabaco, a que se juntam os mais de quatro mil compostos químicos do fumo, dos quais mais de 40 são reconhecidos como carcinogénios, designadamente arsénico, cianeto, benzeno, formaldeído, tolueno e benzopireno.
A correlação entre o consumo do tabaco e a probabilidade de daí advirem doenças – com destaque para o cancro e as patologias do foro circulatório e respiratório – é uma evidência científica: 30 por cento de todos os casos de cancro, 90 por cento dos cancros do pulmão, cancros do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe), cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas, doença isquémica cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crónica estão associados ao tabagismo.
Deixar respirar os pulmões
As vantagens de deixar de fumar são claras. Mas enquanto algumas são sentidas a curto prazo, outras são-no apenas uns anos depois. Senão vejamos: 20 minutos depois de largar o último cigarro, a pressão arterial e as pulsações voltam ao normal; oito horas depois, os níveis de oxigénio no sangue voltam também ao normal; 24 horas depois, o nosso organismo liberta-se do monóxido de carbono; 48 horas depois, o paladar e o olfacto começam a melhorar; 72 horas depois, torna-se mais fácil respirar. Passados alguns meses, as melhoras continuam: um a três meses depois, dá-se a melhoria da circulação sanguínea; três a nove meses depois, diminuem a tosse e a falta de ar.
[Continua na página seguinte]
Quanto aos benefícios, não param com o passar dos anos: cinco anos depois, o risco de ataque cardíaco reduz-se para metade; dez anos depois, o risco de cancro do pulmão reduz-se para metade; 15 anos depois, o risco de ataque cardíaco é o equivalente ao de quem nunca fumou.
O cancro do pulmão é, muitas vezes, considerado como a doença dos fumadores. Tudo porque o tabaco é sempre o principal suspeito. Cansaço extremo e uma tosse matinal sui generis – o catarro – são alguns dos sintomas de uma patologia que avança sorrateiramente até que uma expectoração laivada de sangue assusta…
Nessa altura, a perda de apetite, peso e dores persistentes no tórax já devem fazer parte dos incómodos sofridos pelos fumadores e traduzem a disfunção pulmonar. Estas características comuns a algumas doenças respiratórias, dificultam um diagnóstico precoce do cancro do pulmão.
Uma radiografia ao tórax pode dar o primeiro indício que permite o diagnóstico da doença. Mas, perante uma suspeita, podem ainda ter de ser realizados outros testes de diagnóstico.
Antes que seja tarde
Cerca de 80 por cento das mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) são devidas ao consumo de tabaco. Sinalizada por um cansaço permanente, acompanhado de tosse e expectoração e por vezes confundida com a asma, a doença não se associa a alergias, antes resulta de uma exposição prolongada a poluentes, sobretudo ao tabaco. Gradualmente, as vias respiratórias ficam obstruídas, dificultando a respiração e gerando sucessivas crises respiratórias. O diagnóstico envolve uma prova de função respiratória, através da qual se avalia a capacidade respiratória do doente e a facilidade com que expele o ar. Confirmada a doença, o tratamento envolve fármacos que atenuam os sintomas e melhoram a capacidade respiratória.
As duas doenças são graves, difíceis de diagnosticar devido a sintomas comuns a outros tipos de patologias. Assim, antes que seja tarde, não fumar é o melhor dos remédios.
[Continua na página seguinte]
Missão possível
Fumar é um vício, pelo que, para a generalidade dos fumadores, a batalha para abandonar o hábito é (quase) uma missão impossível. A verdade é que a maioria dos fumadores já procurou, ao menos uma vez, deixar de fumar. Mas entre a natureza viciante e o prazer, a intenção não é acompanhada pela prática. Os que conseguem são muitas vezes motivados por um valente susto ou pelas marcas que o tabaco vai deixando. É a dificuldade em dar uma corridinha com os filhos, a tosse que apoquenta pela manhã, é o aperto no peito quando se dá umas braçadas na praia ou na piscina numa bela tarde de Verão…
Como diz o ditado, é mais fácil começar do que acabar. E o organismo nem sempre reage bem à falta da substância viciante – a nicotina. Trata-se da síndrome da abstinência, que se traduz em insónias, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e instabilidade emocional. O desconforto grassa, porque o corpo continua a manifestar os excessos – tonturas e dores de cabeça, garganta dorida e boca seca, acessos de tosse, dores musculares e nas articulações.
Esta fase de adaptação permite que volte a abundar oxigénio no cérebro e que os pulmões avancem no processo de limpeza, que conduz aos tais ataques de tosse. Por isso, a força de vontade pode não ser suficiente para deixar de fumar. Há medicamentos que complementam essa determinação.
Estão disponíveis nas farmácias, sob a forma de sistemas transdérmicos, pastilhas ou gomas.
Podem ainda ser efectuados nas farmácias os testes que avaliam o grau de dependência do fumador – Teste de Fagerstrom (questionário escrito) – e que determinam os níveis de monóxido de carbono no ar expirado.
“Engravidar: imperativo deixar de fumar”
A pressão sobre as grávidas fumadoras é obviamente maior, até pelo acréscimo de ansiedade que normalmente provoca a gestação. Mas a opção de fumar assume contornos diferentes quando a mulher engravida, não só pelas consequências que implica para a própria, como pelos riscos para o bebé.
Os problemas passam por o bebé nascer com peso a menos, com dificuldades respiratórias e um risco acrescido de desenvolver bronquite, pneumonias e outras infecções semelhantes.
Há ainda a possibilidade de atrasos na aprendizagem nos filhos de mães fumadoras. Mas há mais riscos: abortos espontâneos, partos prematuros, mortes fetais e de recém-nascidos.
O perigo de fumar durante a gravidez está associado à troca de nutrientes entre a mãe e o feto, através da placenta. Ora, a nicotina existente no sangue materno pode passar para o bebé havendo, para além disso, um défice da oxigenação do feto que pode afectar gravemente o seu desenvolvimento.