Logo que a subida da temperatura começa a anunciar a chegada do Verão, praias, piscinas e esplanadas enchem-se de uma multidão ávida de sol. O desejo de obter, o mais rapidamente possível, um bronzeado luminoso anima, porventura, muitos dos que saúdam o regresso deste caloroso amigo do corpo e do espírito que durante uns tempos nos acompanha. Porém, cuidado, há que tratá-lo com alguma cerimónia para que não venha a transformar-se num perigoso inimigo.
Revelam as estatísticas que 90% dos cancros de pele são provocados pelas radiações solares, também causadoras do envelhecimento prematuro da pele, alergias, danos oculares e queimaduras. Deste modo, evitar a exposição solar entre as 11 e as 16 horas, período em que os raios ultravioleta são intensos, mais do que aconselhável, torna-se imperioso.
Como todos sabemos, a sensibilidade aos raios solares varia de pessoa para pessoa, consoante a cor da pele e dos olhos, por isso os ruivos de olhos azuis (tipo l) nunca chegam a bronzear-se e estão mais propensos a «apanhar um escaldão» do que os morenos ou os negros (tipo lV e V). Esse facto não invalida que seja aconselhável a todos, sem excepção, o uso de protecção solar com índice adequado, ou seja, um factor tanto mais elevado quanto mais clara e sensível for a pele.
Mesmo assim há que desconfiar dos números indicados nas embalagens porque, salienta o Dr. Orlando Martins, especialista da Clínica Dermatológica do Areeiro, «os testes laboratoriais são efectuados em condições específicas, que não correspondem à realidade do dia-a-dia».
«Tomemos como exemplo um indivíduo com um determinado tipo de pele que, suponhamos, ao fim de dez minutos de exposição solar sofreria uma queimadura. Teoricamente, se aplicasse um produto com um índice de protecção 20 essa exposição poderia prolongar-se até às três horas, ou seja, 200 minutos, o resultado de 20 vezes 10», clarifica o dermatologista, prosseguindo:
«No entanto, na prática é bem diferente. Pela simples razão de que, ao ser realizada a experiência, para calcular o índice se utiliza uma colher de sopa (20 gramas) de produto, para espalhar pelo corpo. Trata-se de quase um terço ou um quarto de uma embalagem normal de 60 ml, que daria para três ou quatro vezes. Ora, na verdade, ninguém aplica essa quantidade, muitas vezes ainda fica o resto para o ano seguinte… Portanto, ao falarmos num índice de 20 esse valor acaba por ser relativo, na melhor das hipóteses será de 4 ou 5. Daí a necessidade de redobrada atenção.»
Manda a prudência que o protector seja usado «em generosas camadas», aplicado meia hora antes da exposição solar «para que se efectue a perfeita combinação com a epiderme» e renovado de duas em duas horas e após o banho porque tanto a água do mar como a transpiração e as toalhas contribuem para reduzir o seu efeito.
Recorrer ao solário com o propósito de preparar a pele para o tempo de praia é ideia que não choca Orlando Martins. Mesmo correndo o risco de ser politicamente incorrecto, o especialista considera-o «útil para indivíduos cujas peles sejam sensíveis, desde que utilizado de forma progressiva e sem nunca esquecer a protecção adequada».
«Deste modo, a camada córnea – zona superficial da epiderme – vai-se tornando mais espessa, o que acaba por impedir, nas primeiras exposições, um golpe de sol, com todas as consequências negativas inerentes», explica, não sem deixar de reconhecer que, para um dermatologista, as suas palavras podem ser consideradas uma heresia.
Por outro lado, esclarece Orlando Martins, «surgiram no mercado produtos ingeríveis à base de betacaroteno e de outras substâncias que, embora do ponto de vista científico isso não esteja ainda claramente provado, podem reforçar as defesas do organismo. Não substituem, todavia, a utilização do protector solar».
Não basta usar creme Ao contrário do que vulgarmente se pensa, a protecção não se deve limitar apenas ao uso do creme. Um chapéu de abas reduz os riscos de exposição de zonas mais frágeis do corpo, como o pescoço, nuca, orelhas e rosto, e o uso dos óculos impede que o globo ocular sofra o efeito das radiações, potenciais causadoras de cataratas.
Atenção, também, aos banhos refrescantes que sabem tão bem, mas que contribuem para a progressiva desidratação do corpo.
Segundo Orlando Martins, «a nossa pele funciona, um pouco, nos mesmos moldes que a sola de um sapato de couro – depois de molhada e colocada ao sol encarquilha». Por isso, o clínico recomenda:
«A ingestão de líquidos facilitará uma hidratação mais profunda e no final do Verão, se necessário, uma esfoliação ajudará a pele a libertar-se das células mortas.»
É conveniente ter conhecimento de que algumas doenças podem piorar após a exposição solar. É o caso da couperose, lesão cutânea caracterizada pela dilatação dos pequenos vasos sanguíneos do rosto, e da lucite estival, que se manifesta pelo aparecimento de bolhas na face, em geral na Primavera. Os indivíduos afectados por lúpus disseminado – patologia interna grave – podem correr risco de vida no caso de um golpe de sol.
Orlando Martins chama, ainda, a atenção para o efeito negativo de certos medicamentos fotosensibilizadores – diuréticos e alguns antibióticos –, pelo facto de aumentarem a sensibilidade ao sol, e desaconselhou o uso de cosméticos e perfumes pela mesma razão.
Todas estas questões dão que pensar. Contudo, «não devemos confundir prudência com fundamentalismo», defende o nosso interlocutor, realçando que, na verdade, «a percentagem do melanoma maligno provocado pelo sol e solários tem vindo a crescer, mas não se compara ao aumento de cancros no fígado ou no pulmão».
Cuidado com as crianças O sol contribui para a síntese da vitamina D, fundamental para o crescimento saudável das crianças, no entanto, convém mantê-las protegidas, seguindo algumas regras essenciais.
A maior parte dos conselhos que se seguem são também extensíveis aos adultos: – Evite que as crianças frequentem a praia entre as 11 e as 16 horas, período em que ocorre o pico da radiação solar; – Não permita que se exponham ao sol sem protecção; – Utilize um produto com índice adequado ao tipo de pele, nunca inferior a 20. Aplique-o meia hora antes da exposição e depois sensivelmente de 2 em 2 horas e após o banho; – Além do creme protector, as crianças deverão usar uma peça de roupa que cubra parte do corpo; – Cuidado com as t-shirts húmidas, porque nessas circunstâncias o poder de penetração dos raios ultravioleta aumenta; – O uso de chapéu e óculos escuros contribui para a protecção de áreas mais susceptíveis de serem afectadas, como é o caso do rosto, olhos e nuca; – Aconselha-se a ingestão de líquidos para evitar a desidratação.
Revelam as estatísticas que 90% dos cancros de pele são provocados pelas radiações solares, também causadoras do envelhecimento prematuro da pele, alergias, danos oculares e queimaduras. Deste modo, evitar a exposição solar entre as 11 e as 16 horas, período em que os raios ultravioleta são intensos, mais do que aconselhável, torna-se imperioso.
Como todos sabemos, a sensibilidade aos raios solares varia de pessoa para pessoa, consoante a cor da pele e dos olhos, por isso os ruivos de olhos azuis (tipo l) nunca chegam a bronzear-se e estão mais propensos a «apanhar um escaldão» do que os morenos ou os negros (tipo lV e V). Esse facto não invalida que seja aconselhável a todos, sem excepção, o uso de protecção solar com índice adequado, ou seja, um factor tanto mais elevado quanto mais clara e sensível for a pele.
Mesmo assim há que desconfiar dos números indicados nas embalagens porque, salienta o Dr. Orlando Martins, especialista da Clínica Dermatológica do Areeiro, «os testes laboratoriais são efectuados em condições específicas, que não correspondem à realidade do dia-a-dia».
«Tomemos como exemplo um indivíduo com um determinado tipo de pele que, suponhamos, ao fim de dez minutos de exposição solar sofreria uma queimadura. Teoricamente, se aplicasse um produto com um índice de protecção 20 essa exposição poderia prolongar-se até às três horas, ou seja, 200 minutos, o resultado de 20 vezes 10», clarifica o dermatologista, prosseguindo:
«No entanto, na prática é bem diferente. Pela simples razão de que, ao ser realizada a experiência, para calcular o índice se utiliza uma colher de sopa (20 gramas) de produto, para espalhar pelo corpo. Trata-se de quase um terço ou um quarto de uma embalagem normal de 60 ml, que daria para três ou quatro vezes. Ora, na verdade, ninguém aplica essa quantidade, muitas vezes ainda fica o resto para o ano seguinte… Portanto, ao falarmos num índice de 20 esse valor acaba por ser relativo, na melhor das hipóteses será de 4 ou 5. Daí a necessidade de redobrada atenção.»
Manda a prudência que o protector seja usado «em generosas camadas», aplicado meia hora antes da exposição solar «para que se efectue a perfeita combinação com a epiderme» e renovado de duas em duas horas e após o banho porque tanto a água do mar como a transpiração e as toalhas contribuem para reduzir o seu efeito.
Recorrer ao solário com o propósito de preparar a pele para o tempo de praia é ideia que não choca Orlando Martins. Mesmo correndo o risco de ser politicamente incorrecto, o especialista considera-o «útil para indivíduos cujas peles sejam sensíveis, desde que utilizado de forma progressiva e sem nunca esquecer a protecção adequada».
«Deste modo, a camada córnea – zona superficial da epiderme – vai-se tornando mais espessa, o que acaba por impedir, nas primeiras exposições, um golpe de sol, com todas as consequências negativas inerentes», explica, não sem deixar de reconhecer que, para um dermatologista, as suas palavras podem ser consideradas uma heresia.
Por outro lado, esclarece Orlando Martins, «surgiram no mercado produtos ingeríveis à base de betacaroteno e de outras substâncias que, embora do ponto de vista científico isso não esteja ainda claramente provado, podem reforçar as defesas do organismo. Não substituem, todavia, a utilização do protector solar».
Não basta usar creme Ao contrário do que vulgarmente se pensa, a protecção não se deve limitar apenas ao uso do creme. Um chapéu de abas reduz os riscos de exposição de zonas mais frágeis do corpo, como o pescoço, nuca, orelhas e rosto, e o uso dos óculos impede que o globo ocular sofra o efeito das radiações, potenciais causadoras de cataratas.
Atenção, também, aos banhos refrescantes que sabem tão bem, mas que contribuem para a progressiva desidratação do corpo.
Segundo Orlando Martins, «a nossa pele funciona, um pouco, nos mesmos moldes que a sola de um sapato de couro – depois de molhada e colocada ao sol encarquilha». Por isso, o clínico recomenda:
«A ingestão de líquidos facilitará uma hidratação mais profunda e no final do Verão, se necessário, uma esfoliação ajudará a pele a libertar-se das células mortas.»
É conveniente ter conhecimento de que algumas doenças podem piorar após a exposição solar. É o caso da couperose, lesão cutânea caracterizada pela dilatação dos pequenos vasos sanguíneos do rosto, e da lucite estival, que se manifesta pelo aparecimento de bolhas na face, em geral na Primavera. Os indivíduos afectados por lúpus disseminado – patologia interna grave – podem correr risco de vida no caso de um golpe de sol.
Orlando Martins chama, ainda, a atenção para o efeito negativo de certos medicamentos fotosensibilizadores – diuréticos e alguns antibióticos –, pelo facto de aumentarem a sensibilidade ao sol, e desaconselhou o uso de cosméticos e perfumes pela mesma razão.
Todas estas questões dão que pensar. Contudo, «não devemos confundir prudência com fundamentalismo», defende o nosso interlocutor, realçando que, na verdade, «a percentagem do melanoma maligno provocado pelo sol e solários tem vindo a crescer, mas não se compara ao aumento de cancros no fígado ou no pulmão».
Cuidado com as crianças O sol contribui para a síntese da vitamina D, fundamental para o crescimento saudável das crianças, no entanto, convém mantê-las protegidas, seguindo algumas regras essenciais.
A maior parte dos conselhos que se seguem são também extensíveis aos adultos: – Evite que as crianças frequentem a praia entre as 11 e as 16 horas, período em que ocorre o pico da radiação solar; – Não permita que se exponham ao sol sem protecção; – Utilize um produto com índice adequado ao tipo de pele, nunca inferior a 20. Aplique-o meia hora antes da exposição e depois sensivelmente de 2 em 2 horas e após o banho; – Além do creme protector, as crianças deverão usar uma peça de roupa que cubra parte do corpo; – Cuidado com as t-shirts húmidas, porque nessas circunstâncias o poder de penetração dos raios ultravioleta aumenta; – O uso de chapéu e óculos escuros contribui para a protecção de áreas mais susceptíveis de serem afectadas, como é o caso do rosto, olhos e nuca; – Aconselha-se a ingestão de líquidos para evitar a desidratação.