Sociedade Portuguesa da Contracepção reforça segurança do uso da pílula contracetiva
A SPDC salienta que “de facto, o risco de tromboembolismo é diferente para as pílulas com progestativos de 2ª, 3ª geração e novos progestativos (como é o caso da drospirenona) mas os benefícios também são diferentes, pelo que não há razão para as mulheres abandonarem a toma da pilula contracetiva”.
A Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC) reforça a segurança do uso da pílula contracetiva, indo ao encontro da Agência Europeia do Medicamento (EMA). Esta posição surge na sequência do alarmismo surgido em França, depois de uma jovem de 25 anos ter tido um acidente vascular cerebral com sequelas importantes.
A SPDC recorda que “para além da pílula ser um dos medicamentos mais estudados, é também o método de contraceção mais utilizado, sendo usada por milhões de mulheres em todo o mundo”.
Desde o surgimento da pílula, a investigação tem sido permanente no sentido da redução dos riscos, com diminuição da dose de estrogénios, a introdução recente de estrogénios naturais e o desenvolvimento de progestativos com uma ação progressivamente mais seletiva.
O tromboembolismo venoso, embora raro, é um dos riscos que tem levantado mais preocupação, pela sua gravidade, relativamente ao uso da pílula. A SPDC esclarece que “o risco tromboembolico está relacionado com a dose de estrogénios podendo ser potenciado pelo progestativo em uso. A evidência científica é de que o risco de tromboembolismo venoso nas não utilizadoras de pilula é de 4-5/10 000 mulheres em idade reprodutiva e nas utilizadoras de pílula é de 9-10 /10 000. Em comparação, o risco de tromboembolismo associado a gravidez é de 29/10 000 mulheres e aumenta para 300-400/10 000 no pós-parto imediato”.
Não é a primeira vez que têm surgido notícias sobre os riscos da pílula: o primeiro grande alarme ocorreu em 1995 na sequência de um artigo publicado no jornal médico Lancet com referência a pílulas contendo desogestrel e gestodeno. Em alguns países, como a Noruega, este fenómeno foi estudado: as vendas da pílula em geral desceram 17% e do contracetivo em causa desceram 70%; mais de 25 000 mulheres descontinuaram o uso do contracetivo. O não uso da pílula contracetiva resultou num aumento da taxa de aborto em 36% nas jovens com menos de 24 anos. Fenómeno semelhante foi estudado no Reino Unido.
Por isso mesmo, a SPDC salienta que “de facto, o risco de tromboembolismo é diferente para as pílulas com progestativos de 2ª, 3ª geração e novos progestativos (como é o caso da drospirenona) mas os benefícios também são diferentes, pelo que não há razão para as mulheres abandonarem a toma da pilula contracetiva”.
Um contracetivo 100% seguro e 100% eficaz não existe e, tal como noutras áreas da saúde, é uma questão de ponderar os riscos e benefícios. Numa mulher saudável o benefício do uso de contraceção, incluindo a hormonal, é superior aos riscos de uma gravidez não planeada.
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