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Sistema imunitário: O escudo protector do organismo

Todos os dias, o organismo está sujeito a várias agressões que atacam as defesas naturais. Felizmente, contamos com um batalhão de células que nos protegem na saúde e na doença. O sistema imunitário é o exército anti-doença. Saiba como protegê-lo!

“O sistema imunitário é composto por uma rede intrincada de células, hormonas e outras substâncias, cuja função essencial consiste em defender a integridade do organismo contra microrganismos ou corpos estranhos, capazes de causar danos”, define o Prof. Manuel Teixeira Veríssimo, coordenador do Núcleo de Estudos Geriátricos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna. Os leucócitos são os “soldados” que zelam pelo equilíbrio de todo o organismo e agem em situações de “invasão”. Quando estas células entram em acção, costuma dizer-se que existe uma resposta imunitária.

Contudo, à medida que os anos passam, o sistema imunitário vai envelhecendo, “tornando-se mais lento nas respostas às agressões e menos fidedigno na identificação do que é próprio do organismo”. O fortalecimento do sistema imunitário depende, sobremaneira, das doenças que se atravessam na idade e os défices nutricionais. O sistema imunitário é pessoal e intransmissível, não se sabendo a partir de que idade começa a perder o potencial de protecção.

“Estudos feitos em idosos saudáveis e idosos centenários demonstraram que o sistema imunitário parece não ceder aos avanços da idade. Este é contudo um assunto que gera alguma controvérsia, havendo autores que preferem falar em remodelação do sistema imunitário com a idade em vez de imuno-senescência (défice imunitário associado ao envelhecimento)”, fundamenta. E acrescenta que “a herança genética também influencia as características do sistema imunitário e a velocidade do seu envelhecimento”. Mas não se pode actuar sobre os factores intrínsecos. “É sobre os factores extrínsecos, como a alimentação, actividade física e vacinação que nos devemos concentrar”, completa.

“Quando o sistema imunitário está fragilizado, como acontece especialmente com os idosos que estão desnutridos e os que sofrem de doenças crónicas graves, há maior risco de doenças infecciosas em geral e, especialmente, infecções pulmonares como pneumonias, sendo também a evolução dos quadros clínicos mais graves.”

Se o sistema imunitário estiver a funcionar convenientemente, o idoso estará protegido contra algumas infecções malignas e algumas doenças contagiosas. “Em relação à gripe A, os idosos que tiverem um sistema imunitário normal têm um risco de a contraírem igual ao da população mais jovem. Nos que tiverem um sistema imunitário deficiente o risco é maior.”

 

À prova de doença

“Para além da idade, as doenças crónicas, as carências alimentares, o alcoolismo, o tabagismo, o sedentarismo e o stress são os factores que mais contribuem para o enfraquecimento do sistema imunitário. Alguns medicamentos também podem ter repercussões negativas sobre o sistema imunitário dos idosos, mas, nesse caso, o médico terá de ponderar os benefícios e os eventuais prejuízos do medicamento em causa”, adianta.

“As medidas mais importantes para contrariar e prevenir a perda da capacidade imunitária com o envelhecimento são uma alimentação adequada e a prática regular de actividade física, devendo ter início o mais precocemente possível, idealmente desde a juventude.”

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Um idoso com bom sistema imunitário “é aquele que tem a quantidade de células imunológicas normais, principalmente linfócitos”. Se estas células estiverem dentro dos níveis normais, há uma probabilidade menor de contraírem “infecções ou outras doenças com base imunológica” e “uma resposta mais satisfatória à infecção e ao tratamento”, fundamenta. “Um idoso que não tenha doenças graves, que faça uma alimentação equilibrada e variada e que faça actividade física regular, em princípio terá um bom sistema imunitário.”

Segundo alguns estudos, a prática de exercício físico regular “atrasa o envelhecimento do sistema imunitário, tornando as células do sistema imunitário, especialmente os linfócitos do tipo T, mais capazes de uma boa resposta”. Apesar de o envelhecimento ser algo que não pode ser controlado, há possibilidade de se reforçar o sistema imunitário, “através de estimulantes, nomeadamente as vacinas contra determinadas doença”.

“De acordo com as recomendações europeias, está comprovada a eficácia da vacina a anti-gripal, anti-pneumocócica, a tripla (difteria, tétano, pertussis) e a anti-herpes hoster devem ser feitas, de acordo com protocolo estabelecido para os idosos”, comenta o especialista.

 

O segredo está na alimentação

Sabia que uma alimentação equilibrada ajuda a reforçar as defesas naturais? “O consumo nutricional adequado contribui significativamente para o estado de saúde e bem-estar dos adultos, em especial dos individuos idosos. Hábitos alimentares saudáveis e nutricionalmente adequados às necessidades dos individuos na terceira idade promovem qualidade de vida, vitalidade, independencia e autonomia, melhora a capacidade de recuperar de doenças e favorece o prognóstico dos individuos hospitalizados”, diz a nutricionista Vanessa Candeias.

“Os idosos são altamente vulneráveis quer a doenças crónicas como infecciosas e também a estados de desnutrição. Um bom estado nutricional vai contribuir para o reforço do sistema imunitário e, deste modo, previne algumas patologias.” A chave de uma boa alimentação na terceira idade é a ingestão “necessária de macro, especialmente calorias/ energia e proteínas e micro nutrientes”, assegura.

Alguns estudos indicam que “os idosos são particularmente vulneráveis às carências de zinco e vitaminas E, B6, A e D”. Para Vanessa Candeias, “estes micronutrientes desempenham papeis fundamentais na manutenção de uma saudável resposta do sistema imunitário. O segredo está na variedade de alimentos que se consome, evitando, sempre que possível, “os hábitos alimentares monótonos e nutricionalmente insuficientes”.

“Não existem alimentos milagrosos que contenham numa única porção todos os nutrientes (macro e micro) necessários para uma vida saudável. O importante é que cada individuo faça uma alimentação variada e equilibrada – rica em hortofrutícolas. Assegurar um mínimo de 400g por dia de frutos, legumes e hortaliças têm um efeito protector do sistema imunitario e promotor da saúde.

Se esta quantidade de hortofrutícolas for consumida, incluída num padrão alimentar com quantidades adequadas de leguminosas, cereais e seus derivados, frutos secos, leite e lacticínios, uma quantidade moderada de carne e peixe, o estado nutricional da pessoa idosa será provavelmente mantido em níveis aceitaveis.

O consumo regular de produtos lácteos fermentados, como o iogurte, pode contribuir para um reforço das defesas imunitárias no intestino. Caso isto não seja possível, deve-se complementar a alimentação com suplementos multivitaminicos e minerais, sob vigilancia médica, pode contribuir para a melhoria da resposta imunitaria e para a saúde dos idosos. “

Jornal do Centro de Saúde

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