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O futuro das células estaminais

Já pensou em usar as células estaminais do cordão umbilical para tratar a diabetes? E para criar um fígado? Conheça os avanços da ciência em matéria de células estaminais.

Um grupo de investigadores, liderado por Colin McGuckin, presidente do Instituto de Terapia Celular, em Lyon, França, está a desenvolver um método de tratamento da diabetes tipo 1, com recurso a células estaminais do cordão umbilical.

Uma das etapas deste estudo consiste em “acalmar o sistema imunitário”, utilizando células estaminais mesenquimais (com maior potencial de diferenciação), já que a diabetes tipo 1 consiste num ataque ao pâncreas, local onde é produzida a insulina. “Com esta técnica, já usada em humanos, é possível minorar os danos no pâncreas e evitar algumas injecções de insulina”, comenta o investigador.

A segunda fase deste processo prevê a utilização de células estaminais na produção de insulina. Esta técnica implica que as células fossem colocadas no pâncreas, assumissem a identidade das células beta do pâncreas e, assim, produzissem insulina. Contudo, “os obstáculos regulamentares” ainda não permitiram passar à fase dois desta investigação. Até agora, estes testes foram apenas usados em animais.

Apesar de em todo o mundo estarem a decorrer várias investigações com células estaminais do cordão umbilical, Colin McGuckin indica que, até ao momento, ainda não é possível oferecer a cura para todas as patologias. Em todo o caso, as células estaminais já servem de auxílio no tratamento de 85 doenças de foro sanguíneo.

“Embora haja algum optimismo no uso de células estaminais, nem sempre a cura é possível, até porque o primeiro transplante com o sangue do cordão umbilical aconteceu há 20 anos. Trata-se ainda de uma ciência nova, que está a caminhar lentamente na busca de novos conhecimentos. Mas, até agora, dizer que são a solução para tudo é dar falsas esperanças a quem sofre de doenças incuráveis.”

“Acredito que as células estaminais venham a aumentar a qualidade de vida, minorando a deterioração dos órgãos sujeitos ao processo natural do envelhecimento.” Mas, por ora, não é possível dizer que as células estaminais oferecem a cura a pessoas com cancro ou demências. “Quem sabe um dia”, completa o investigador.

 

Há vida no cordão

A Future Health, empresa de criopreservação britânica instalada em Portugal desde 2006, vai alargar o âmbito de actuação. Até agora, a companhia era responsável apenas pela preservação do sangue do cordão umbilical. Mas, de agora em diante, vai oferecer um novo serviço: criopreservação do cordão umbilical, de modo a guardar as células mesenquimais: um tipo de células pluripotentes, capaz de se transformar em qualquer tecido do corpo. “Dentro do cordão, há uma substância gelatinosa, rica em células mesenquimais”, afirma Roger Dainty, director da empresa.

“Estas células podem ser usadas na regeneração de tecidos vivos”, acrescenta. Depois de seleccionadas, as células são guardadas em segmentos, tal como o sangue do cordão umbilical, a uma temperatura abaixo dos 100 graus negativos. A empresa está a aguardar validação para começar a comercializar o serviço. Após a autorização, a Future Health será a segunda empresa, em mercado português, a disponibilizar este serviço.

Jornal do Centro de Saúde

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