Prevenir a queda de cabelo é o melhor remédio - Médicos de Portugal

A carregar...

Prevenir a queda de cabelo é o melhor remédio

26 Agosto, 2005 0

A ALOPECIA É CONSIDERADA UMA QUESTÃO ESTÉTICA E QUE MEXE COM A AUTO-ESTIMA DE CADA UM

A calvície é uma expressão mais simples que serve para designar a alopecia androgenética, um problema que afecta maioritariamente o sexo masculino e para o qual não existem soluções naturais definitivas.

Em média, em 25% dos homens as manifestações tornam-se evidentes por volta dos 30 anos de idade, apesar de o processo se desencadear mais cedo, na adolescência. Aos 60 anos, dois terços começam a desenvolver a calvície ou já são calvos.

As repercussões, além de estéticas, são transportadas para o plano da auto-estima. Há quem não se importe e deixe a natureza actuar, mas há também quem viva absolutamente terrificado pela «nudez» do couro cabeludo anunciada progressivamente, a cada espreitadela no espelho.

Para explicar este fenómeno, na sua forma mais precoce e sem ter uma relação directa com o envelhecimento, há que recorrer a um especialista.

O Dr. Miguel Trincheiras, dermatologista, atesta que a predominância deste problema nos homens «é resultado, essencialmente, da estimulação continuada dos folículos por hormonas, nomeadamente a testosterona que, após se ligar ao receptor nas células da zona germinativa do folículo capilar, é transformada pela célula em di–hidrotestosterona (DHT). É esta hormona activa que estimula a célula e vai conduzir o cabelo a ciclos de crescimento/queda mais rápidos, o que gera a miniaturização do mesmo, ou seja, na transformação de um folículo terminal em folículo velo».

Fica, deste logo, assente a ideia de que a calvície não tem origem na diminuição do número de folículos capilares, mas antes numa redução drástica do seu tamanho. Algo que, segundo o médico, ocorre exclusivamente «na zona do alto do crânio onde os folículos são mais sensíveis à acção desta hormona por possuírem um maior número de receptores».

Embora seja mais raro, há a possibilidade de estas transformações também se aplicarem à mulher. Motivo? Embora numa quantidade inferior à do homem, elas também produzem testosterona.

A expressão «alopecia androgenética» não é obra do acaso. Os genes têm, nesta matéria, um papel determinante e, por isso, Miguel Trincheiras afirma que a calvície «é frequente acontecer numa família onde os antepassados apresentaram tendência nesse sentido».

Aliás, não é uma característica exclusivamente humana. Outros primatas como o chimpanzé e o orangotango são alvos de um fenómeno similar.

Há quem defenda que as vicissitudes da vida moderna, como o stress, os dias agitados, a alimentação incorrecta e o sedentarismo, entre outros factores, favorecem a alopecia. Ainda assim, o dermatologista que consultámos considera que «não parece haver qualquer influência do estilo de vida no desenvolvimento deste quadro».

A auto-estima em causa

Miguel Trincheiras sustenta que «esta situação não deve ser classificada como uma patologia, mas apenas um fenómeno fisiológico, que ocorre em graus variados em toda a população. Pode sim, desencadear quadros patológicos do foro psicológico, afectando a auto-estima e conduzindo a patologia depressiva mais ou menos acentuada e, por isso, necessitar de um suporte terapêutico, quer do ponto de vista dermatológico, quer do ponto de vista psicológico».

Há outras razões, bem mais objectivas, que na opinião deste dermatologista justificam a negatividade da queda do cabelo. A começar pelo efeito de protecção das agressões externas.

«O cabelo que cobre o crânio apenas poderá ter como função fisiológica o facto de proteger o couro cabeludo da acção de traumatismos directos (amortecimento) ou da acção nefasta do sol a nível da pele local. É frequente observar-se patologia do couro cabeludo em homens calvos directamente ligada à acção do sol ao longo dos anos, o que já não acontece se houver uma cobertura capilar abundante de folículos terminais», refere o especialista.

Soluções para travar a queda

Quem procura o método mais eficaz para manter o couro cabeludo intacto está normalmente informado e sabe que há diversas soluções.

Miguel Trincheiras atesta que, desde há alguns anos, «a abordagem da calvície é feita através da administração de uma molécula que inibe a transformação da testosterona em DHT (hormona activa intracelular), evitando, portanto, a estimulação continuada do folículo e a sua miniaturização progressiva».

Aqui a terapêutica é, sobretudo, preventiva e passa, segundo o especialista, por evitar «a atrofia do folículo e só em raros casos consegue a reversão de folículos já miniaturizados em folículos terminais espessos».

Existem outros tratamentos complementares localizados, que melhoram a estética capilar, a circulação local e trazem aportes nutritivos à estrutura capilar de forma a obter um resultado satisfatório mais rápido.

«Os vários estudos realizados revelam que tanto o grau de satisfação global do paciente como os resultados objectivos considerados bons e muito bons rondam uma percentagem de cerca de 70-80%», acrescenta Miguel Trincheiras.

Porém, os fármacos utilizados nos problemas capilares continuam a não contar com a comparticipação do Estado. Este cenário deve-se, diz o médico, também ao facto de a calvície «não ser considerada uma patologia, mas um fenómeno fisiológico universal, com diferentes graus de manifestação».

Tratamento eficaz para
a alopecia androgenética

Há pouco mais de uma década surgiu
no mercado um medicamento tópico
à base do princípio activo minoxidil,
que funciona melhor na calvície feminina.
«Mais recentemente, foi introduzido o finasteride, que é mais adequado para a alopecia androgenética», refere Miguel Trincheiras, acrescentando:
«Este fármaco promove a estabilização de atrofia dos folículos capilares e numa pequena percentagem promove a transformação do folículo velo em folículo terminal.»
Actualmente, é a terapêutica mais eficaz de prescrição médica, sendo bastante útil numa fase precoce deste denómeno da calvície.
«O finasteride deve ser administrado diariamente, por via oral, enquanto o homem estiver interessado em estabilizar a calvície. A partir do momento em
que deixa de fazer o tratamento
a alopecia volta a progredir», salienta
o dermatologista.

Páginas: 1 2 3

ÁREA RESERVADA

|

Destina-se aos profissionais de saúde

Informações de Saúde

Siga-nos

Copyright 2017 Médicos de Portugal por digital connection. Todos os direitos reservados.