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Prevenção e tratamento » Cancro da mama ataca mais entre os 50 e os 65

1 Maio, 2005 0

Raloxifeno: três em um

Mas para além das mamografia há outro tipo de prevenção que pode ser executada, através de um fármaco, nomeadamente o raloxifeno.

«O raloxifeno é um produto muito importante na saúde da mulher pós–menopausa. Pela primeira vez, temos um produto que demonstra capacidades muito encorajadoras. Em primeiro lugar, o raloxifeno protege a massa óssea da mulher», salienta Joaquim Neves.

Na verdade, quanto mais idade uma pessoa tem mais tendência há para a perda da massa óssea. Este problema agrava-se mais nas mulheres do que nos homens porque são mais leves, fazendo menos carga sobre a massa óssea, o que significa menos reforço dessa mesma massa.

Além disso, quando a mulher entra na menopausa, esta perde bruscamente os estrogénios, ou seja, o principal factor protector dos ossos.

Segundo Joaquim Neves, «o raloxifeno protege a massa óssea das mulheres e trata a osteoporose na coluna lombar, que é o tipo de osteoporose que surge mais cedo na mulher. Se não fizermos nada numa mulher que entra na menopausa, ela perde durante os primeiros cinco anos 15% da massa óssea e o diagnóstico da osteoporose surge numa altura em que ainda se podia prevenir».

Sendo o raloxifeno da mesma família do tamoxifeno, que está indicado na prevenção do cancro da mama, este novo fármaco está também indicado para o cancro da mama.

«Para além de proteger o osso e tratar a osteoporose, o raloxifeno diminui a incidência do cancro da mama em 66% nas mulheres de baixo risco, o que corresponde à maior parte da população. Temos um fármaco inovador porque é o primeiro a demonstrar diminuição da incidência do cancro da mama em mulheres de baixo risco. Qualquer mulher em pós-menopausa que não tenha contra-indicação para utilizar o raloxifeno, como tromboembolismo venoso profundo, deve ser uma candidata ao tratamento com este fármaco.»

Deste modo, para além de efeitos positivos no osso e no cancro da mama, o raloxifeno tem resultados muito promissores na área cardiovascular. Um dado importante, uma vez que, em Portugal, o cancro da mama não é a principal causa de morte das mulheres.

A principal causa de morte e incapacidade física da população portuguesa são as doenças cardiovasculares. Hoje em dia, sabe-se que metade da população portuguesa tem excesso de peso ou obesidade, constituindo um factor de risco na doença cardiovascular. Além disso, 50% da população adulta em Portugal (mais de 21 anos) sofre de hipertensão.

«Relativamente às mulheres, nós temos uma população pós-menopausa com alto risco cardiovascular e o raloxifeno é muito promissor nessa área, sobretudo nos doentes de risco cardiovascular. Os primeiros resultados, que são de quatro anos referentes ao estudo MORE, demonstram que nas mulheres com risco cardiovascular o raloxifeno diminui, em 40%, a incidência cardiovascular», afirma o obstetra, acrescentando:

«Se conseguirmos proteger o osso, diminuir o cancro da mama e reduzir o risco cardiovascular na mulher pós-menopausa, temos uma solução eficaz e inovadora. E é precisamente nestas três vertentes que o raloxifeno actua.»

Neste momento, os profissionais de saúde aguardam pelos resultados do estudo RUTH, que procura tornar mais consistentes os resultados cardiovasculares. Este estudo envolve dez mil mulheres de alto risco, sendo tratadas com o raloxifeno para diminuir a incidência de doenças cardiovasculares. No estudo STAR, que compara o raloxifeno e o tamoxifeno em mulheres de alto risco de cancro da mama, os resultados já começam a ser promissores.

Em tom de conclusão, Joaquim Neves declara que «pela primeira vez, na saúde da mulher em pós-menopausa, temos um medicamento muito promissor com resultados já demonstrados em duas áreas, nomeadamente no osso e na mama, sendo também igualmente muito promissor na área cardiovascular. No Hospital de Santa Maria, mulheres em pós-menopausa, sem sintomas vasomotores e sem contra-indicações, iniciam o raloxifeno».

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