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PORTUGAL LANÇA SISTEMA INOVADOR » Outubro: Mês dedicado à Oncologia – Anemia diminui qualidade de vida nos doentes com cancro

20 Setembro, 2005 0

67 % dos doentes com cancro têm anemia. Lisboa 20 de Setembro de 2005 – Portugal e Inglaterra são os primeiros países a lançar um novo sistema de administração de estimuladores da eritropoiese para o tratamento da anemia em doentes oncológicos. Este novo sistema de administração – SureClick – comercializado pela Amgen, visa melhorar a qualidade de vida, conforto e autonomia dos doentes, através de um dispositivo automático que simplifica o procedimento e aumenta o nível de segurança para doentes e técnicos de saúde.

“A anemia associada ao cancro diminui a qualidade de vida (QoL) dos doentes e poderá afectar o resultado do tratamento do cancro. A anemia é uma variável independente associada à diminuição da esperança de vida dos doentes com cancro e que, quando corrigida poderá ter um impacto positivo nos resultados do tratamento. Uma gestão adequada do problema deve ser entendida como uma componente crucial”, de acordo com o European Cancer Anaemia Survey (ECAS).

Segundo o estudo ECAS, o qual decorreu em 748 centros de tratamento oncológico em 24 países europeus, com 1000 médicos e 15367 doentes envolvidos, cerca de 67% dos doentes europeus com cancro sofrem de anemia.

A anemia associada ao cancro é comum nos doentes em regime de quimioterapia e radioterapia e resulta em consequências negativas a nível físico, psíquico, social e económico tanto para doentes, como para os prestadores de cuidados de saúde (familiares e técnicos).

Um dos principais sintomas da anemia no doente com cancro é a fadiga. De acordo com um estudo realizado nos E.U.A., conduzido por Gregory A. Curt, de uma amostra de 379 doentes oncológicos, 76% dos doentes entrevistados afirmaram ter fadiga durante o tratamento com quimioterapia. Destes, 30% confirmou sofrer de fadiga diariamente.

Ainda segundo este estudo, 91% dos doentes com fadiga referem que esta os impede de ter uma vida normal, e 88% destes alteraram os seus hábitos de vida devido à fadiga.

A pesquisa comprova que a fadiga torna mais difícil a participação nas actividades sociais e tem implicação na diminuição das capacidades cognitivas. Dos 177 doentes que estavam empregados, 75% alterou o seu regime laboral devido à fadiga. Actividades como percorrer distâncias (69%), limpar a casa (69%), fazer exercício físico (67%) e actividades sociais com amigos e família (59%) requerem um grau de esforço muito grande para os doentes com cancro que apresentem este sintoma.

Embora a anemia seja muito frequente no doente oncológico e tenha impacto negativo não só no resultado do tratamento do cancro como também na qualidade de vida dos doentes oncológicos, segundo o estudo anterior é recomendado à maioria dos doentes anémicos apenas o repouso no quarto e relaxamento. Ainda reportando a esse estudo, a 40% dos doentes não foi feita qualquer recomendação para corrigir o problema e apenas a 6% dos doentes foram prescritos medicamentos para o tratamento da anemia.

O que as organizações clínicas mundiais recomendam:

EORTC – European Organization for Research and Treatment of Cancer

O grupo de estudo EORTC procedeu a uma revisão da literatura e dos estudos realizados no contexto do tratamento da anemia (entre 1996 e 2003) com o objectivo de produzir normas de orientação para a administração clínica de estimuladores da eritropoiese, em doentes anémicos oncológicos. Foram considerados 78 estudos que envolveram um total de 4382 doentes anémicos com cancro.

A pesquisa comprovou a existência de um impacto positivo dos estimuladores da eritropoiese nos níveis de hemoglobina (Hb) quando administrados em doentes com anemia induzida por quimioterapia, anemia relacionada com doença crónica ou para prevenir a anemia em doentes em cuidados pós-operatório ou tranplantados.

A evidência comprovou, igualmente, que o número de transfusões sanguíneas diminui com a terapêutica de estimuladores da eritropoiese em doentes com anemia induzida por quimioterapia ou para a prevenção da anemia associada à doença oncológica.

Comprovou-se, ainda, que a qualidade de vida (QoL) melhora significativamente nos doentes com anemia induzida por quimioterapia, com boa resposta ao tratamento com estimuladores da eritropoiese.

A eficácia da administração de estimuladores da eritropoiese menos de 3 dias por semana foi, também, demonstrada pelos estudos analisados, havendo evidência que a sua administração pode ir até uma frequência de 3 em 3 semanas.

Além das guidelines europeias da EORTC, existem também as do NCCN – National Compreensive Cancer Network (2001-2003) e ASCO – American Society of Clinical Oncology / ASH – American Society of Haematology.

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