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Onicomicoses afectam mais de um milhão e meio de portugueses

14 Julho, 2007 0

As onicomicoses são infecções causadas por fungos que afectam gravemente as unhas das mãos e dos pés. Estima-se que esta doença atinja mais de 20 por cento da população europeia e mais um de milhão e meio de portugueses.

Estes dados epidemiológicos recentes deverão ser encarados tendo também em conta que existem ainda muitos casos ainda por diagnosticar por a pessoa desconhecer a doença e, muitas vezes não recorrer ao médico.

O dermatologista Rui Tavares-Bello, do Hospital Militar de Belém, alerta para o facto de que “o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem limitar a disseminação da infecção”, apesar de “muitas vezes as mulheres idosas, antes de se deslocarem ao médico, recorrerem a remédios caseiros como limão, vinagre, pedras-pome, tintura de iodo”, métodos que obviamente não tratam a doença.

Assiste-se frequentemente à automedicação, com utilização de cremes inadequados, por vezes com corticosteróides, para aliviar o prurido das micoses da pele, bem como o uso de exfoliações ou polimento das unhas, com utilização irregular de cremes ou vernizes. Estes são frequentemente insuficientes para tratar as onicomicoses, que envolvem a raiz da unha, e acabam, muitas vezes, por prolongar e agravar estas afecções, explica o dermatologista e professor Osvaldo Correia, do Centro de Dermatologia Epidermis.

Os primeiros sinais da doença correspondem à modificação da cor da unha (amarelada ou esbranquiçada), ao seu espessamento, com aparecimento de depósito (tipo farinha) por baixo da unha, com engrossamento progressivo e alteração da forma, acrescenta o especialista Osvaldo Correia.

Para prevenir esta doença, o especialista Rui Tavares-Bello recomenda “uma boa higiene dos pés e do calçado com a necessidade de preservar um ambiente seco, que dificulte a proliferação dos fungos, leveduras e bolores” e acrescenta que “o calçado deve ser ajustado às características do indivíduo, optando por sapatos arejados, frescos e de sola de couro, em detrimento de calçado oclusivo de sola de borracha e forros de materiais plásticos ou sintéticos.”

De acordo com Osvaldo Correia, as onicomicoses não são apenas um problema estético, originando por vezes problemas físicos (dores e desconforto ao andar) e psicológicos (com perda da autoestima, ansiedade e isolamento social), assumindo, dada a sua frequência, um importante problema de saúde pública. As onicomicoses não tratadas favorecem infecções associadas bacterianas e constituem um foco potencial de contágio para o próprio, para a família e para a comunidade.

O médico Rui Tavares-Bello afirma ainda que “ a dimensão do problema exige um empenhamento geral da comunidade médica incluindo várias especialidades com especial enfoque na Medicina Geral e Familiar”; que “o diagnóstico precoce e o tratamento adequados estão apenas ao alcance dos médicos, já que alterações ungueais podem ser a expressão de outras doenças da pele ou de doenças sistémicas” e que “em particular, o papel do dermatologista é crucial neste domínio, já que ele tem conhecimentos e treino adequados que lhe permitem diagnosticar outras doenças das unhas que de outra forma seriam diagnosticadas erradamente como onicomicoses e formação para empreender uma estratégia terapêutica de nível individual e colectivo, essencial para dominar um problema crescente de saúde pública.”

Os tratamentos actuais são mais eficazes, cómodos e seguros. Numa fase inicial a utilização adequada de alguns vernizes antifúngicos poderá ser eficaz em cerca de 75% das onicomicoses. Numa fase mais avançada, em que há envolvimento da raiz ou de mais de 50% da unha, para além da utilização destes vernizes, há necessidade de tratamento combinado com comprimidos ou cápsulas antifúngicas.

O tempo de medicação oral, na maioria dos casos, varia entre 2 a 3 meses para as mãos e 3 a 4 meses para os pés, mas a medicação local é necessária até a unha ficar completamente bem, o que poderá durar, em média, 6 meses nas mãos e 12 meses nos pés. A interrupção do tratamento favorece a persistência do fungo, ou a sua recaída, por vezes, com desenvolvimento de resistências, conclui o médico Osvaldo Correia.

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