Perder a cabeça durante uma noitada pode deixar marcas para o resto da vida. Assim, antes que a temperatura comece a subir, o melhor é ter um preservativo sempre à mão. Porque a factura que se paga por um mero esquecimento pode ser demasiado pesada no futuro.
Apesar de todas as campanhas informativas, muitos jovens ainda mantêm relações sexuais desprotegidas. E, só mais tarde, se dão conta de que alguns deslizes produziram efeitos negativos. “O consumo de álcool e droga alteram alguns comportamentos, diminuindo a capacidade de raciocínio e a avaliação dos riscos. Por outro lado, a ingestão de álcool em excesso pode interferir com a eficácia da pílula, no caso das mulheres”, afirma o Dr. Duarte Vilar, director executivo da Associação do Planeamento para a Família (APF).
Um dos resultados de uma relação sexual desprotegida é a gravidez não programada no período da adolescência. Mas, para além disso, existem os perigos de infecções sexualmente transmissíveis, fruto de uma falta de zelo no uso de contraceptivos. Segundo os dados avançados por Duarte Vilar, em Portugal, ocorrem, anualmente, cerca de sete mil gravidezes em jovens com idades inferiores a 19 anos.
“Com a introdução da lei da interrupção voluntária da gravidez, verificou-se que, do total dos abortos realizados legalmente, 10% diziam respeito a raparigas com 19 anos ou menos”, adianta Duarte Vilar. Segundo um estudo feito recentemente na Região Autónoma dos Açores, observou-se que a gravidez na adolescência surge dentro de um determinado contexto socioeconómico.
“Normalmente, são raparigas que já abandonaram a escola, inseridas em meios familiares mais desfavorecidos. Estas jovens possuem um menor nível de escolaridade e de educação sexual. Mas, em determinados casos, a gravidez não acontece por acaso. A maternidade já faz parte de um projecto de vida.”
Pisar o risco
Uma noite (“one night stand”) pode até ser uma vez sem exemplo. Mas se a relação sexual tiver ocorrido sem contracepção, nomeadamente o preservativo, há o risco de contágio de doenças. Em particular, o VIH e as infecções sexualmente transmissíveis, já para não se falar das gravidezes indesejáveis.
“Apesar de tudo, constata-se que os jovens têm uma maior consciência e que tomam medidas anticoncepcionais preventivas, mais do que há uns anos. O que se nota é que o preservativo é o método contraceptivo mais usado até aos 19 anos. Depois desta idade, a escolha contraceptiva recai sobre a pílula.”
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Como nas relações sexuais, sejam elas estáveis ou pontuais, uma mulher e um homem prevenidos valem por dois, é aconselhável a dupla protecção. “A pílula pode evitar uma gravidez não desejada, mas não impede o contágio de infecções sexualmente transmissíveis. Independentemente do contexto das relações sexuais e do parceiro/a, o ideal é usar sempre o preservativo. Mas para que possa ser usado é preciso tê-lo. Daí que se alerte os jovens a andarem sempre com este contraceptivo na carteira, porque nunca se sabe qual o momento em que pode ser preciso.”
Segundo os dados de 2007 do Observatório Nacional de Saúde, 87% da população que mantém relações sexuais regulares usa um método contraceptivo. “O que nos preocupa é a forma como os métodos são administrados, porque algumas mulheres esquecem-se frequentemente de tomar correctamente a pílula.
Que perigos?
Segundo as últimas estatísticas, mais de 80% de homens e mulheres sexos entraram em contacto com o vírus do HPV (vírus do Papiloma Humano) em algum momento da sua vida, através das relações sexuais desprotegidas. “Determinados tipos de HPV, nomeadamente os de alto risco (16,18,33,35,45), podem ser responsáveis pelo cancro do colo do útero, da vulva, do ânus, do pénis, da boca, da pele, dependendo da localização e afinidade”, diz a Dr.ª Clara Bicho, vice-presidente da Sociedade Portuguesa do Papillomavirus.
“Ambos os sexos são reservatórios do HPV e a sua transmissão é efectuada através da via sexual, que inclui os preliminares. Mas também quem apenas pratica o sexo oral ou anal”, adianta a especialista. Os dados indicam que, anualmente, “são diagnosticados à volta de 956 mulheres cancro do colo do útero”. Do total deste número, “morrem à volta de 378 mulheres”. Para as jovens que iniciem a vida sexual, a despistagem desta situações pode ser feita através da citologia (vulgo Papanicolau).
“A citologia continua a ser um bom meio de diagnóstico do bem-estar do colo do útero ou de doença (lesões pré-malignas ou cancro). A citologia representa as células que são libertadas/mortas do colo do útero e são estudadas pelo laboratório de citologia. Este teste deve ser efectuados em todas as mulheres que têm actividade sexual.”
Desde 2008 que todas as jovens com 13 anos são vacinadas contra o vírus do Papiloma Humano. “Trata-se de um meio de prevenir primariamente o aparecimento da doença, pelo que a vacina é a melhor via de prevenir o HPV. As adolescentes devem ser vacinadas antes de iniciar a sua vida sexual. Quanto à vacinação das mulheres mais velhas deve ser personalizada.” De acordo com os estudos efectuados, “a eficácia da vacina ronda os 99% para os tipos 16 e 18 de alto risco e também para alguns outros de alto risco, mas com menor eficácia (ronda os 30%)”.
Em caso de emergência…
Segundo os dados disponíveis, em 2008, as vendas do dia seguinte decaíram. Para Duarte Vilar, um maior uso dos métodos habituais parece justificar este decréscimo na comercialização da contracepção de emergência. “O facto de se ter usado uma vez ou várias vezes faz com que os utilizadores optem por um meio regular de contracepção”.
Se algo falhou na relação sexual, “há, contudo, a hipótese de usar a contracepção de emergência”, diz. Mas este método deve ser usado quando “há um lapso” e apenas previne “uma gravidez não desejada”. Para um esclarecimento mais detalhado, os jovens podem contactar o 808 222 003 (Sexualidade em Linha), uma linha que é disponibilizada pelo Instituto Português da Juventude.
Jornal do Centro de Saúde
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