Quando a gordura é demais, o fígado deixa de ter capacidade para a transformar e eliminar: está aberta a porta a uma situação conhecida como “fígado gordo”. Uma alimentação equilibrada e exercício físico são a chave para recuperar a saúde hepática.
As doenças do fígado são, quase sempre, associadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Mas não é necessariamente o caso da esteatose hepática, mais conhecida como “fígado gordo”, que tanto acontece em pessoas habituadas a beber como em quem não consome álcool.
O que está em causa – e daí o nome mais comum “fígado gordo” – é a gordura, isto é, a gordura a mais e a dificuldade do fígado em metabolizá-la e eliminá-la. Esta é uma das muitas funções do fígado. Muito semelhante a uma fábrica, é ele que processa a gordura e as proteínas fornecidas pela alimentação, exerce ainda uma função importante ao metabolizar determinados medicamentos e, ao mesmo tempo, funciona como um filtro, eliminando toxinas e substâncias químicas que podem ser nocivas para o nosso organismo.
Um fígado saudável é capaz de metabolizar a gordura e de enviar o excesso para expulsão pelos intestinos. Mas pode acontecer que o fígado seja incapaz de desempenhar este papel, armazenando a gordura em excesso.
Peso e outros riscos
Não se sabe exactamente o que está na origem deste problema, que pode estar presente em várias situações, mas sabe-se que o “fígado gordo” está também associado ao excesso de gordura corporal, que acaba por sobrecarregá-lo. E a verdade é que esta é uma situação mais frequente em pessoas com excesso de peso e mesmo obesas. E uma situação cada vez mais frequente nos países industrializados, onde os hábitos alimentares tendem a ser menos saudáveis.
Na maioria das pessoas, o “fígado gordo” não causa sintomas e é apenas detectado quando se fazem análises ao sangue, que revelam um aumento da quantidade de enzimas hepáticas em circulação, ou ecografias que mostram uma dimensão excessiva do órgão. Isto porque a gordura se acumula nas células e nos espaços entre elas, causando uma clara dilatação do fígado.
Pode, no entanto, haver sinais do aumento do fígado: dor na zona superior do abdómen, no lado direito, é um deles, precisamente devido a uma maior pressão exercida pelo fígado. Fadiga generalizada e perda de peso são outros sinais também associados ao “fígado gordo”.
O excesso de peso não é o único factor de risco. Também pessoas com diabetes tipo 2, com hipertensão arterial e com níveis elevados de colesterol e de triglicerídeos têm mais possibilidade de desenvolver “fígado gordo”. Ou seja, pessoas com risco cardiovascular. O que, por outro lado, significa que o excesso de gordura hepática também aumenta a probabilidade de desenvolver uma doença cardiovascular, nomeadamente ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.
Mas há outros riscos: é que o “fígado gordo”, por si só, pode não dar problemas, mas pode também agravar-se e evoluir para duas situações – esteatohepatite não-alcoólica, que corresponde a uma inflamação do fígado que pode impedi-lo de funcionar correctamente, e em alguns casos para cirrose não-alcoólica, em que se formam lesões que, no limite, podem causar insuficiência hepática.
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Comer melhor, mexer-se mais
Este é um risco que é possível reduzir e muito se forem tomadas medidas de correcção dos factores de risco. Não existe propriamente um tratamento para o “fígado gordo”, mas adoptar um estilo de vida saudável pode ser meio caminho andado. O que significa, antes de mais, perder peso. Como? Reduzindo a quantidade de calorias que se ingerem através da alimentação e aumentando o gasto de energia, através da prática de exercício físico.
Na alimentação, as gorduras devem ser reduzidas ao máximo, por exemplo, através da substituição de alimentos – carnes brancas em vez de carnes vermelhas, azeite em vez de óleo. As frutas e os legumes devem ocupar um maior lugar no prato e os hidratos de carbono – como o arroz e a massa – devem ser, de preferência, integrais, o mesmo acontecendo com os cereais.
Ser mais activo é o complemento de uma dieta saudável. Meia hora por dia – vários dias por semana – é o suficiente para queimar calorias. Pode nem ser necessário ir ao ginásio, basta incorporar a actividade física no dia-a-dia: usando as escadas em vez do elevador ou das escadas rolantes, deixando o carro estacionado e fazendo curtas deslocações a pé.
Para quem tem outros factores de risco é importante controlá-los: no caso da diabetes, há que tomar a medicação correctamente e fazer as medições de glicemia indicadas pelo médico; o mesmo é válido no caso da hipertensão e do excesso de colesterol, situações que também é muito importante monitorizar devidamente.
A protecção do fígado deve passar igualmente pela moderação, ou mesmo ausência, do consumo de álcool. Deixar de fumar também ajuda. Estes cuidados contribuem para que a doença regrida e para que o fígado retome o seu normal funcionamento.
É importante lembrar que a maioria das pessoas com “fígado gordo” não desenvolve propriamente umadoença hepática. Os maiores danos não são no fígado, mas ao nível do sistema cardiovascular, pelo que é fundamental corrigir os factores de risco de doença cardiovascular. Daí o enfoque numa alimentação saudável, na prática de exercício físico e na melhoria – e controlo – dos valores da diabetes, pressão arterial, colesterol e triglicerídeos. Há, aqui, uma relação causa-efeito a que é preciso dar atenção. A boa notícia é que um estilo de vida saudável é bom para o fígado e para o coração!
As doenças do fígado são, quase sempre, associadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Mas não é necessariamente o caso da esteatose hepática, mais conhecida como “fígado gordo”, que tanto acontece em pessoas habituadas a beber como em quem não consome álcool.
O que está em causa – e daí o nome mais comum “fígado gordo” – é a gordura, isto é, a gordura a mais e a dificuldade do fígado em metabolizá-la e eliminá-la. Esta é uma das muitas funções do fígado. Muito semelhante a uma fábrica, é ele que processa a gordura e as proteínas fornecidas pela alimentação, exerce ainda uma função importante ao metabolizar determinados medicamentos e, ao mesmo tempo, funciona como um filtro, eliminando toxinas e substâncias químicas que podem ser nocivas para o nosso organismo.
Um fígado saudável é capaz de metabolizar a gordura e de enviar o excesso para expulsão pelos intestinos. Mas pode acontecer que o fígado seja incapaz de desempenhar este papel, armazenando a gordura em excesso.
Peso e outros riscos
Não se sabe exactamente o que está na origem deste problema, que pode estar presente em várias situações, mas sabe-se que o “fígado gordo” está também associado ao excesso de gordura corporal, que acaba por sobrecarregá-lo. E a verdade é que esta é uma situação mais frequente em pessoas com excesso de peso e mesmo obesas. E uma situação cada vez mais frequente nos países industrializados, onde os hábitos alimentares tendem a ser menos saudáveis.
Na maioria das pessoas, o “fígado gordo” não causa sintomas e é apenas detectado quando se fazem análises ao sangue, que revelam um aumento da quantidade de enzimas hepáticas em circulação, ou ecografias que mostram uma dimensão excessiva do órgão. Isto porque a gordura se acumula nas células e nos espaços entre elas, causando uma clara dilatação do fígado.
Pode, no entanto, haver sinais do aumento do fígado: dor na zona superior do abdómen, no lado direito, é um deles, precisamente devido a uma maior pressão exercida pelo fígado. Fadiga generalizada e perda de peso são outros sinais também associados ao “fígado gordo”.
O excesso de peso não é o único factor de risco. Também pessoas com diabetes tipo 2, com hipertensão arterial e com níveis elevados de colesterol e de triglicerídeos têm mais possibilidade de desenvolver “fígado gordo”. Ou seja, pessoas com risco cardiovascular. O que, por outro lado, significa que o excesso de gordura hepática também aumenta a probabilidade de desenvolver uma doença cardiovascular, nomeadamente ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.
Mas há outros riscos: é que o “fígado gordo”, por si só, pode não dar problemas, mas pode também agravar-se e evoluir para duas situações – esteatohepatite não-alcoólica, que corresponde a uma inflamação do fígado que pode impedi-lo de funcionar correctamente, e em alguns casos para cirrose não-alcoólica, em que se formam lesões que, no limite, podem causar insuficiência hepática.
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Comer melhor, mexer-se mais
Este é um risco que é possível reduzir e muito se forem tomadas medidas de correcção dos factores de risco. Não existe propriamente um tratamento para o “fígado gordo”, mas adoptar um estilo de vida saudável pode ser meio caminho andado. O que significa, antes de mais, perder peso. Como? Reduzindo a quantidade de calorias que se ingerem através da alimentação e aumentando o gasto de energia, através da prática de exercício físico.
Na alimentação, as gorduras devem ser reduzidas ao máximo, por exemplo, através da substituição de alimentos – carnes brancas em vez de carnes vermelhas, azeite em vez de óleo. As frutas e os legumes devem ocupar um maior lugar no prato e os hidratos de carbono – como o arroz e a massa – devem ser, de preferência, integrais, o mesmo acontecendo com os cereais.
Ser mais activo é o complemento de uma dieta saudável. Meia hora por dia – vários dias por semana – é o suficiente para queimar calorias. Pode nem ser necessário ir ao ginásio, basta incorporar a actividade física no dia-a-dia: usando as escadas em vez do elevador ou das escadas rolantes, deixando o carro estacionado e fazendo curtas deslocações a pé.
Para quem tem outros factores de risco é importante controlá-los: no caso da diabetes, há que tomar a medicação correctamente e fazer as medições de glicemia indicadas pelo médico; o mesmo é válido no caso da hipertensão e do excesso de colesterol, situações que também é muito importante monitorizar devidamente.
A protecção do fígado deve passar igualmente pela moderação, ou mesmo ausência, do consumo de álcool. Deixar de fumar também ajuda. Estes cuidados contribuem para que a doença regrida e para que o fígado retome o seu normal funcionamento.
É importante lembrar que a maioria das pessoas com “fígado gordo” não desenvolve propriamente umadoença hepática. Os maiores danos não são no fígado, mas ao nível do sistema cardiovascular, pelo que é fundamental corrigir os factores de risco de doença cardiovascular. Daí o enfoque numa alimentação saudável, na prática de exercício físico e na melhoria – e controlo – dos valores da diabetes, pressão arterial, colesterol e triglicerídeos. Há, aqui, uma relação causa-efeito a que é preciso dar atenção. A boa notícia é que um estilo de vida saudável é bom para o fígado e para o coração!