A tradição já não é o que era… A grávida não tem de comer a dobrar. Mas deverá privilegiar os alimentos que mais contribuem para o desenvolvimento saudável do bebé. E o bem-estar da mamã!
Uma alimentação equilibrada, diversificada e, por isso, saudável deve ser a prioridade de todas as pessoas. Simplesmente, durante a gravidez, o desenvolvimento de uma nova vida ao longo de nove meses implica uma especial atenção no consumo de nutrientes que supram as necessidades de mãe e filho. Com conta, peso e medida, as proteínas, calorias, vitaminas e minerais são essenciais, mas o excesso ou défice de alguns nutrientes é sempre penalizador.
Nutrientes e seus benefícios
As proteínas são essenciais para o desenvolvimento das células e fundamentais para a placenta. Carne, ovos, leite e derivados são as melhores fontes de proteínas; os hidratos de carbono são fonte de energia, uma espécie de combustível da vida, sendo fulcrais para a formação do sistema nervoso do bebé. Frutas, cereais, pão, batatas ou milho são alimentos ricos em hidratos de carbono; todas as vitaminas são importantes, sobretudo o complexo C que facilita a absorção do ferro.
Laranjas e kiwi são recomendados; entre os minerais, o cálcio e o ferro assumem especial importância, porque se não forem ingeridos em quantidade suficiente, o bebé vai buscar cálcio aos ossos da mãe e ferro ao sangue materno, debilitando a gestante. Nas primeiras 12 semanas, o ácido fólico é particularmente necessário, porque reduz o risco de o bebé nascer com problemas congénitos da espinal medula. Vegetais, frutos secos e leguminosas são uma excelente fonte.
Entre o final do primeiro trimestre e o início do terceiro é frequente a ocorrência de anemia. Sintomas como fraqueza e tonturas indiciam carência de ferro, que pode ser colmatada com carnes vermelhas, fígado, peixes, ovos, frutos secos, cereais integrais, legumes – como couve, espinafre e brócolos – e ainda leguminosas (feijão). Já o cálcio é especialmente necessário durante o terceiro trimestre, quando os ossos do bebé estão a endurecer e os dentes se formam e o corpo da mãe prepara-se para mais tarde produzir leite. Cãibras nas pernas, cáries dentárias ou mesmo perda de dentes indicam falta de cálcio.
Leite, ovos, frutos secos e vegetais são ricos em cálcio, mas convém consumir peixe, cujo valor em vitamina D favorece uma correcta absorção do cálcio.
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Todo o cuidado é pouco
A toxoplasmose é uma das infecções mais comuns, fruto do consumo de carne crua ou mal cozinhada, vegetais crus ou frutas mal lavadas e do contacto com fezes de gatos e cães infectados. Cuidado com a prática de jardinagem, lavagem eficaz dos vegetais ingeridos crus (na salada, por exemplo) e evitar carne mal passada são medias anti-toxoplasmose, cujos sintomas são os de uma gripe, mas pode danificar o cérebro e provocar cegueira do feto.
A infecção por salmonelas – através do consumo de ovos e carne de aves mal cozinhados – é outro dos riscos alimentares que se deve precaver. As carnes e peixes mal cozinhados, peixes fumados, marisco, patês não enlatados, enchidos e fumados crus, queijos moles e leite não pasteurizado podem ser veículos de uma outra doença grave, a listeriose, que é responsável por vários casos de aborto espontâneo, parto prematuro e lesões cerebrais nos recém-nascidos. A bactéria que a causa é destruída pela cozedura ou pasteurização dos alimentos.
Seis conselhos básicos
1. Coma várias vezes ao dia, pequenas quantidades, mastigando bem.
2. Não abuse de doces, massas, gorduras e fritos. Evite enlatados. Prefira alimentos
naturais.
3. Varie e garanta energia, proteínas, vitaminas, minerais e fibras suficientes.
4. Evite café e bebidas alcoólicas.
5. Reduza o sal – substitua-o por temperos naturais.
6. Beba bastantes líquidos, sobretudo leite.
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