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Molusco contagioso: Como se transmite e quem afecta

O Molusco contagioso (MC) é uma infecção vírica cutânea, que afecta predominantemente crianças.

O vírus do molusco contagioso (VMC) pertence ao género Molluscipox da família Poxviridae. O período de incubação pode variar desde duas semanas até seis meses.

A transmissão ocorre essencialmente através do contacto directo com a pele, indirectamente através da partilha de toalhas de banho, utilização de piscinas ou ginásios ou por via sexual. O contacto casual geralmente não é suficiente para a transmissão da doença.

Tem uma distribuição mundial e afecta igualmente ambos os sexos. Indivíduos imunodeprimidos ou com dermatite atópica apresentam maior severidade e duração da doença.

Geralmente, as lesões cutâneas caracterizam-se por pequenas pápulas firmes (1-10 mm), de cor rosada. Tipicamente, apresentam umbilicação central, que à expressão drena conteúdo cremoso de cor branco. Atingem mais frequentemente áreas de fricção, como as pregas cutâneas, tronco, pescoço e face.

O envolvimento da área genital é mais prevalecente em adultos sexualmente activos. No entanto, também pode ocorrer em crianças, resultante do processo de auto-inoculação.

Nos doentes imunodeprimidos, observam-se lesões de grandes dimensões, com envolvimento da face, tendência à sobreinfecção bacteriana e resistência ao tratamento. Crianças com dermatite atópica apresentam também doença generalizada, através do processo facilitado de auto-inoculação.

O diagnóstico é clínico, mas, quando necessário, pode ser realizada colheita de material drenado à expressão do molusco ou biopsia, para confirmação diagnóstica.

Trata-se de uma doença geralmente auto-limitada, verificando-se a resolução espontânea em alguns meses ou anos. A prevenção da transmissão é essencial, evitando determinados comportamentos, como os banhos partilhados ou a utilização da mesma toalha.

Quando as lesões são persistentes, constituindo um obstáculo psicossocial para o doente ou quando se trata de doença severa e generalizada, o tratamento é a opção mais correcta.

As principais armas terapêuticas são a curetagem, crioterapia e ácido salicílico. Algumas destas técnicas podem ser dolorosas, podendo ser necessária a administração tópica de anestésico, cerca de uma hora antes do procedimento.

Iolanda Fernandes e Glória Cunha Velho do Centro Hospitalar do Porto, EPE – Hospital de Santo António

Jornal do Centro de Saúde

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