Hipertensão arterial » Pela sua saúde, não cruze a barreira dos 140/90
Como se faz o diagnóstico?
A pressão arterial deve ser medida após um período de descanso de cinco minutos. É particularmente importante esta espera no caso de idosos e diabéticos. Se os valores encontrados forem superiores a 140/90 mmHg a leitura deve ser repetida de forma a confirmar os resultados obtidos.
Uma vez diagnosticada a hipertensão arterial, devem ser efectuados exames para perceber até que ponto órgãos vitais como o coração, rins, cérebro e vasos sanguíneos foram afectados. Procura-se, simultaneamente, a causa da doença.
O tipo de exames a realizar para responder a estas questões varia de pessoa para pessoa. Geralmente é feita a história clínica do doente e é realizado um exame físico. São, então, pedidos exames: electrocardiograma, análises ao sangue e à urina. Com os resultados destes exames é possível ao médico perceber até que ponto a hipertensão arterial já fez estragos no organismo do doente.
Mais exercício e menos sal
O exercício físico regular e mantido permite a redução da pressão sanguínea. Modalidades como a marcha, a natação, a corrida ou a dança podem ser úteis no combate à doença. Contudo, os hipertensos não devem fazer exercícios que possam provocar o aumento da pressão arterial durante o esforço como, por exemplo, levantar pesos ou empurrar móveis pesados.
O que fazer para controlar a hipertensão?
A hipertensão pode ser controlada eficazmente, apesar de o facto de ser uma doença assintomática levar os doentes a pensar que não precisam de tratamento.
A terapia adequada não tem de passar forçosamente por medicamentos. O tratamento não-farmacológico pode até ser mais eficaz no controlo da hipertensão. Adoptar estilos de vida saudáveis, optando por dietas equilibradas, com pouco sal, praticar exercício físico e abandonar o consumo de tabaco e álcool podem ser formas eficazes de baixar a pressão arterial.
Em alguns casos, optar por esta via de tratamento inicial pode permitir não recorrer a fármacos ou facilitar a resposta ao tratamento com medicamentos que o doente possa ter de utilizar.
E quando o tratamento não farmacológico não resulta?
É aqui que entram os vários fármacos disponíveis no mercado para controlar a hipertensão, designados por anti-hipertensores. Na realidade, estes medicamentos não eliminam a doença, apenas a controlam, pelo que têm de ser tomados durante toda a vida. Idealmente, deve-se procurar controlar a hipertensão com o menor número e a menor dose de fármacos, o que implica menos efeitos adversos e menos gastos.
O objectivo principal do recurso aos fármacos é manter os valores das pressões sistólica e diastólica abaixo dos 140/90 mmHg, embora, em casos particulares, possam ser outros os objectivos a atingir.
Uma pressão sistólica superior a 160 mmHg ou uma pressão diastólica superior a 95 mmHg triplica o risco de acidente vascular cerebral e duplica o risco de eventos cardíacos.
O estudo LIFE, que comparou dois anti–hipertensores, demonstrou, entre outras coisas, que a terapêutica com losartan confere uma maior protecção cardiovascular, especialmente contra o AVC. A equipa que conduziu o trabalho enumerou os grupos de doentes mais propensos à terapêutica com losartan, constando entre eles, os diabéticos hipertensos e os doentes com alto risco de lesão dos órgãos vitais.
De facto, os diabéticos são particularmente vulneráveis à hipertensão. Potenciada pela aterosclerose, pode ter consequências muito sérias, desde a angina de peito ao enfarte, e pode mesmo conduzir, no pé, a lesões diversas da pele e mesmo à gangrena.
O estudo LIFE incluiu um subgrupo de 1200 diabéticos tipo 2 hipertensos, concluindo-se que este fármaco reduziu o risco de mortalidade em mais de 39% quando comparado com o outro anti-hipertensor testado, o atenolol.
Com o vasto leque de anti-hipertensores que existe no mercado, não há razões para que os hipertensos não controlem a sua doença.

