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Escolas preparam-se para gripe A

Com o arranque do ano lectivo, as escolas temem que o aglomerado de alunos possa activar o “rastilho” da gripe A (H1N1). Como medida preventiva, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem vindo a preparar e difundir, desde Maio, recomendações para a elaboração dos planos de contingência para os estabelecimentos de ensino. Mas podem os pais respirar de alívio face à ameaça invisível da pandemia?

Nos últimos meses, o termo gripe A tem andando de boca em boca pelo país fora. A novidade desta estirpe viral justifica a preocupação. Numa altura em que as escolas se preparam para abrir as portas às centenas de alunos, as entidades temem que a concentração de alunos no mesmo espaço possam favorecer o contágio.

A gripe A (H1N1) transmite-se “de pessoa a pessoa, através do contacto com indivíduos doentes, desde os primeiros sintomas até cerca de sete dias após o seu início”, informa a DGS no microsite da gripe. Para além do contágio por via aérea, em espaços fechados ou mal ventilados, o contacto indirecto com objectos ou superfícies contaminadas pode ser o suficiente para haver transmissão.

Por todas estas razões, o Ministério da Saúde e a DGS têm insistido num gesto tão simples como lavar as mãos regularmente. Este procedimento, ao alcance de qualquer pessoa, pode evitar a propagação do vírus.

A DGS tem trabalhado em articulação com o Ministério da Educação no sentido de preparar as escolas para um eventual cenário de pandemia, “já que existe uma forte probabilidade de a gripe poder vir a afectar em maior o menor grau a vida da instituição escolar”, informa a Dr.ª Emília Nunes, médica de Saúde Pública e directora do Serviço de Promoção e Protecção da Saúde da DGS.

Com base nas directrizes da DGS, cada escola deverá elaborar o seu próprio plano de contingência. “Os responsáveis pelos estabelecimentos de ensino devem garantir que as instalações escolares possuem espaços para que as crianças possam lavar as mãos e caixotes de lixo para depositar os toalhetes ou lenços de papel usados.”

 

Ordem para fechar?

O Ministério da Saúde já se pronunciou sobre o perigo de uma eventual pandemia em ambiente escolar. Ana Jorge garante que, para já, não está equacionado o encerramento de nenhum estabelecimento de ensino.

Está, no entanto, previsto que, na eventualidade de surgirem vários casos em simultâneo, a turma onde estes alunos estão inseridos possa ser suspensa durante o período considerado necessário para conter a transmissão da doença.

Em todo o caso, a decisão será sempre tomada pela Autoridade de Saúde, tendo em conta a situação em concreto de cada escola.

“Sempre que professores, auxiliares de acção educativa ou alunos apresentem febre ou outros sintomas de gripe devem permanecer em casa até que a situação seja devidamente esclarecida.”

Quando se detectar um aluno doente em ambiente escolar, este deve ser colocado numa sala de isolamento. Entretanto, deve-se ligar aos pais e à linha Saúde 24.”

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Para que o risco de contágio seja minorado, a DGS pede que as escolas ensinem comportamentos básicos de higiene aos alunos. “A etiqueta respiratória preconiza o uso de um lenço de papel, quando se tosse ou se espirra. Se não se dispuser de lenço, é preferível tossir para o antebraço e nunca espirrar ou tossir para as mãos”, adianta a responsável.

O vírus, segundo a informação que consta no microsite da gripe, “encontra-se presente nas gotículas de saliva ou secreções nasais, podendo ser transmitido através do ar, em particular em espaços fechados e pouco ventilados, quando os doentes tossem ou espirram”.

Em superfícies, como maçanetas e puxadores, mesas ou brinquedos, o vírus poderá permanecer activo durante duas a oito horas. Neste sentido, a DGS tem pedido que as escolas e os infantários procedam regularmente à limpeza dos espaços comuns e desinfectem os brinquedos partilhados.

A directora do Serviço de Promoção e Protecção da Saúde indica, porém, que os pais não devem estar alarmados, desde que tenham uma atitude preventiva, particularmente na vigilância da febre das crianças todos os dias de manhã.

“Cabe a cada encarregado de educação ter estas atitudes e acolher as recomendações. Se os potenciais doentes (alunos e professores) não forem à escola durante o período de doença, minimiza-se a transmissão no meio escolar.”

Sempre que se identifique um aluno ou um profissional com gripe A, vai estar disponível uma rede de contactos directos entre as escolas e as autoridades de saúde. “Esta linha vai permitir uma resposta rápida e atempada a situações que surjam em meio escolar.”

 

Como tratar de uma criança doente?

Quando uma criança adoece com gripe A, deve-se optar apenas por um único cuidador, para que o risco de dispersão aos restantes membros da família seja minorado.

“As grávidas, pessoas com doenças respiratórias, com doenças cardiovasculares, com doenças que provoquem imunodepressão ou com obesidade mórbida devem evitar ter de tratar de um doente com gripe A, dado que apresentam um risco acrescido de complicações.”

O progenitor que fica a tomar conta da criança doente pode declarar baixa por assistência a doença. Em caso de doença, a criança deve ter um quarto só para si. “Se esta divisão dispuser de janela, deve possibilitar-se o arejamento frequente do quarto, com a porta fechada, para evitar que o vírus se disperse para o exterior.”

Quanto ao cuidador, deve ter uma série de cuidados preventivos: usar máscara, quando está na proximidade do doente ou quando manejar as roupas usadas por este. Todos os coabitantes devem monitorizar regularmente a febre, para se aferir a eventualidade de o vírus se ter propagado a outros elementos da família.

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Em cerca de 90 a 95/% dos casos, as pessoas com Gripe A poderão tratar a sua doença em casa, simplesmente com toma de anti-piréticos (paracetamol), medidas de hidratação e vigilância regular da febre e restante sintomatologia. “Se existir agravamento de sintomas ou a febre não baixar deve ser contactada a Linha Saúde 24. A utilização de medicamentos anti-virais só deve ter lugar por prescrição médica, nunca devendo ser feita em regime de auto-medicação.”

 

Em caso de gripe A…

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) estabeleceu alguns protocolos de actuação, nas situações em que há suspeita de um caso de doença na escola. Saiba quais:

– Um aluno que apresente febre superior a 38 graus deve ficar isolado das outras crianças até os pais chegarem; entretanto, os profissionais da escola devem contactar a linha Saúde 24 e seguir as instruções transmitidas;

– Os alunos ou funcionários doentes não devem frequentar a escola durante sete dias, ou durante o período determinado pelas Autoridades de Saúde;

– Deve evitar-se o contacto próximo com pessoas doentes: manter uma distância superior a um metro, evitar cumprimentos com beijos e abraços, usar máscara de protecção nos contactos próximos com a pessoa doente e lavar frequentemente as mãos). Os lenços de papel devem ser usados apenas uma única vez, e em seguida deitados no lixo;

– As máscaras devem ser mudadas sempre que se encontrem húmidas, manuseadas apenas pelos atilhos, para evitar infectar as mãos, e deitadas no lixo em sacos fechados. Em seguida, devem lavar-se as mãos;

– Na impossibilidade de poder lavar as mãos, usar uma solução anti-séptica com álcool. Esta solução anula a acção do vírus H1N1. Estas soluções não devem ser usadas por crianças, dado o risco de toxicidade se as mãos forem levadas à boca ou aos olhos;

– Um trabalhador que adoecer com febre e sintomas de Gripe durante a permanência na escola, deve retirar-se do contacto com os restantes trabalhadores ou alunos, manter-se na sala de isolamento, ligar para a Linha Saúde 24 e seguir as orientações transmitidas.

Jornal do Centro de Saúde

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