Entrevista: Sociedade Portuguesa de Ginecologia
Cada mulher portuguesa tem, em média, 1,3 bebés. Acha que a nossa descendência começa a estar seriamente ameaçada?
Este problema é muito interessante mas de abordagem muito complexa, por multifactorial e fundamentalmente social. Ela tem que ser encarada como resultante duma opção que o planeamento familiar contempla mas em relação à qual a ponderação política tem sido desequilibrada entre os incentivos (limitados e pouco interessantes) e as condições financeiras e profissionais das pessoas (cada vez mais carentes de tempo dedicado à família).
Em termos globais há ainda que considerar que numa determinada área geográfica, se desenvolvida e atractiva, a mobilidade individual permite a reposição/substituição populacional e que hoje a globalização é muito mais favorável ao conceito de nacionalidade por prática do que por nascimento. São disso exemplo os Estados Unidos da América e entre nós a atribuição da naturalidade independente do local do nascimento.
Assim, em Portugal o que haverá que definir é o que se quer dizer com o “nosso”.
Dr. José Martinez de Oliveira,
Presidente Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG)
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