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Entrevista: Sociedade Portuguesa de Ginecologia

22 Agosto, 2008 0

Sendo a menopausa um fenómeno fisiológico não se lhe podem atribuir propriamente riscos. Porém, como tudo na vida cada passo dado tem as suas consequências. E são essas que importa considerar.

Em primeiro lugar dever-se-á salientar que existem aspectos positivos ligados à menopausa, os quais são valorizados em muitas culturas. Por exemplo, após estabelecida deixa de existir capacidade reprodutiva. E num contexto de evolução e de envelhecimento saudáveis isto é uma vantagem: é a idade de se sentir avó e não mãe.

Mas a verdade é que existem alterações de impacto negativo na saúde entendida como “bem-estar”. As mais conhecidas são os “afrontamentos” ou ondas de calor e de suores, fenómeno que evidencia a instabilidade da regulação vascular e térmica mas que é em si mesmo de pouco significado orgânico. São, todavia, altamente perturbadoras e significativas em meio social.

Outras perturbações como a percepção de irritabilidade e as interferências no sono e no repouso têm já repercussões relacionais. E também numa evolução em que a esperança de vida vai aumentando o atrasar de modificações do envelhecimento como a perda de massa óssea acabam por ser importantes seja em termos individuais seja populacionais.

 

Quando é que a mulher deve começar e por quanto tempo continuar o THS?

Existem várias modalidades de terapêutica hormonal no climatério e na prática o seu uso é corrente antes da menopausa para corrigir as alterações do ciclo menstrual. A substituição da função endócrina ovárica de forma mais intensa utiliza–se quando ela estiver estabelecida e desde que considerada necessária isto é quando justificada pela existência de sinto-mas ou pelo desejo de evitá-los.

A duração do tratamento é muito variável e tem decisão individualizada já que na verdade existem formas para emprego diria sequencial ou seja adaptáveis à finalidade e à idade. Para ser mais concreto: muitas das senhoras que mantêm uma actividade sexual moderada ou pouco frequente têm necessidade dum suporte ao tofismo vaginal.

Existem potenciais riscos e efeitos acessórios da sua utilização, ou pelo contrário, é uma terapêutica de 1ª linha na prevenção de certas doenças?
De facto, ambas as afirmações são verdadeiras. A terapêutica hormonal é sem sombra de dúvida a mais eficaz e mais adequada dos fenómenos vasomotores do climatério e da atrofia vaginal, tendo secundariamente benefícios cardiovasculares, neuropsíquicos e ósseos.

Naturalmente que existem casos em que não deverá ser prescrita e implica alguns riscos, em geral de pequena dimensão em termos individuais, mas com significado na população, como por exemplo em relação ao cancro da mama.

 

Como presidente da SPG como vê o apoio dado às cidadãs na IVG?

Em termos técnicos o sistema vigente, para o qual contribuiram e deram o aval múltiplas entidades científicas, está bem estruturado, adequadamente protocolado e funciona. A melhor evidência prática desta última afirmação é a falta de comentários públicos a seu respeito.

 

Qual o papel da SPG no apoio à mulher portuguesa?

A SPG orienta-se em primeira linha para a actualização científica e cultural de todos os interessados técnicos na Ginecologia, prioritariamente Médicos ligados à especialidade. Contudo, esteve e está aberta a todas as iniciativas que visem promover a qualidade de vida e a saúde reprodutiva das mulheres e dos casais.

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