Da entrada para o Ensino Superior à conclusão do curso ocorrem muitas mudanças na vida dos jovens. É uma fase conturbada, repleta de novos desafios e incertezas, que podem estar na origem de desequilíbrios emocionais e no esgotamento dos estudantes.
Acontece que a ideia de sucesso marca cada vez mais as sociedades actuais e «se há uma geração ou duas ter um curso superior dava garantias de empregabilidade e era sinónimo de estabilidade, hoje em dia não é assim.
A crescente pressão do mercado de trabalho coloca cada vez maiores exigências de competitividade e produtividade aos estudantes», assinala a Dr.ª Sofia Alves da Silva, mestre em Psicologia da Saúde.
Do stress ao esgotamento
É comum ouvirmos falar de «esgotamento nervoso», mas, segundo Sofia Alves da Silva, «este termo não define um diagnóstico clínico-psicológico reconhecido.
É utilizado na linguagem do senso comum e abarca uma quantidade de perturbações que resultam num estado de exaustão, cujas origens são diversas».
Assim, e não existindo uma designação aceite pela generalidade dos psicólogos, em Portugal, para classificar este diagnóstico, a psicóloga opta por lhe chamar «esgotamento», porque ilustra bem o processo evolutivo dos pacientes e pela capacidade descritiva da palavra.
Para falar de esgotamento, «é necessário clarificar o conceito de stress, que é muito falado, mas pouco compreendido. Foi a partir do século XVII utilizado na Física, para designar uma força exterior que é exercida sobre um determinado corpo.
Se essa força exceder o limite de elasticidade do corpo, este vai ficar deformado e não volta ao seu estado inicial – como acontece quando esticamos demasiado uma mola», explica a psicóloga, completando:
«Mais tarde, já no século XX, esta ideia de limite de elasticidade passou a ser aplicada na Medicina e na Psicologia, tendo sido adoptado o termo “limite de elasticidade emocional”.
Neste contexto, o stress designa o resultado de uma exigência que provoca um desequilíbrio emocional. No decorrer deste processo, a pessoa avalia a situação de stress e os recursos de que dispõe para lhe fazer face, desenvolvendo estratégias de adaptação que podem ou não ser adequadas.»
Apesar de no senso comum o stress ter apenas um sentido pejorativo, como conceito psicológico, «pode ser positivo ou negativo, dependendo do modo como a pessoa o percepciona e o resolve. Se for adequadamente resolvido, o stress pode constituir um factor de motivação pessoal.
Caso contrário, todo o corpo quebra, o físico e o psicológico – duas realidades indissociáveis», sublinha Sofia Alves da Silva, concluindo:
«O esgotamento surge da incapacidade de resolução da situação de stress, com consequências negativas para a saúde do indivíduo. A pessoa esgota os seus recursos de adaptação e não consegue responder às exigências que lhe são feitas.
Quando as falhas se tornam constantes e afectam a auto-estima do indivíduo, juntamente com a manifestação de outras perturbações psíquicas e físicas, ele pode estar a caminho do esgotamento.»
Os principais factores de stress
«Um dos principais factores de stress reside na ansiedade inerente à avaliação do desempenho, seja ela contínua ou ligada à expectativa de eficácia em momentos de avaliação decisivos, como são as épocas de exames, as apresentações orais ou a defesa de teses de licenciatura», exemplifica a psicóloga.
É frequente, «sobretudo nos cursos que afirmam um elevado grau de excelência, não ser dada toda a escala de avaliação, isto é, está estipulado que a nota máxima é 20, mas alguns professores não atribuem mais do que 14, 15 valores.
É possível que alguns alunos desenvolvam uma baixa percepção de competência e se esforcem por ir além daqueles valores, podendo desencadear uma espiral de pouco sono e alimentação deficitária.
Estabelecem metas muito altas e dedicam ainda mais tempo ao estudo, restando-lhes pouco ou nenhum tempo para se dedicarem a si próprios, para fazerem exercício físico e estabelecerem relações sociais», observa Sofia Alves da Silva.
Quando consideramos o aluno do Ensino Superior, pensamos num jovem adulto e não no típico adolescente.
No entanto, a mesma psicóloga sublinha que, «hoje em dia, a adolescência pode prolongar-se até aos 30 anos, ou mais. Com a continuação dos estudos, os jovens são protegidos pelos pais até mais tarde, o que acarreta o adiar da tão procurada independência e autonomia económica. Isto pode constituir um factor de grande stress, sobretudo na relação com os pais».
Na questão da independência verifica-se uma ambiguidade que resulta de manifestações conscientes e inconscientes.
«Por um lado, os pais anseiam que os filhos saiam de casa, mas, por outro, e por vezes a um nível inconsciente, sentem-se bem em tê-los por perto, podendo mesmo chegar a fomentar a sua permanência.
Quanto aos filhos, na maioria dos casos, estão ansiosos por dar o salto para uma vida independente, mas a incerteza face ao futuro pode prendê-los, inconscientemente, à segurança dos pais, o que pode gerar conflitos», menciona Sofia Alves da Silva.
Não é raro que os pais projectem nos filhos as escolhas que fizeram no passado, as suas próprias crenças sociais, e os tentem influenciar ou pressionar na tomada de decisão quanto à profissão a seguir.
Tenham entrado no curso por influência de outrem ou por escolha própria, alguns estudantes descobrem a meio do percurso académico que não têm qualquer vocação para a área de actividade na qual se estão a formar, mas, talvez com receio da reacção dos pais e da percepção de falência face às expectativas sociais, não chegam a desistir do curso.
De acordo com Sofia Alves da Silva, «a perspectiva de uma vida dedicada a um trabalho do qual não gostam pode ser outro factor de stress para os estudantes do ensino superior».
Muitos destes jovens preenchem a sua vida com uma série de actividades extracurriculares que, para a nossa entrevistada, «resultam numa estratégia, por vezes inconsciente, para não pararem para pensar em si próprios, porque se o fizerem podem ficar deprimidos.
Juntamente com a necessidade de integração num novo ambiente, com novas pessoas e com o aumento das solicitações para saídas nocturnas e festas, pode surgir uma grande dificuldade em estabelecer prioridades. Querem fazer tudo e não sabem dizer não, resultando em fadiga prolongada e baixo rendimento».
As grandes etapas, como a entrada para no Ensino Superior e a saída para o mercado de trabalho, costumam representar «momentos de mudanças significativas a nível relacional, com a família e os amigos. É também um período em que se iniciam e terminam relações amorosas com maior frequência, o que constitui um factor de instabilidade.
«Os alunos que abandonam o seu meio para prosseguir os estudos noutras cidades correm maiores riscos, já que as pessoas isoladas têm mais tendência a cair em esgotamento.
Ao perder a proximidade com a sua rede de suporte, têm de a construir numa cidade que lhes é estranha, numa nova Faculdade, com novos amigos. Nem todos estão preparados para adaptações tão exigentes», garante Sofia Alves da Silva.
As perturbações que levam ao esgotamento
Quando estas situações de stress não ficam resolvidas, o estudante pode manifestar os sintomas do esgotamento.
«Os primeiros sintomas dão azo a queixas vagas, tais como tonturas, palpitações, falta de ar, a sensação de ter um nó na garganta ou dores sem uma causa física, principalmente na cabeça, abdómen, peito, costas e pernas», assinala a psicóloga, acrescentando:
«Surgem também alterações do sono, que podem manifestar-se através de insónias ou sonolência excessiva, e alterações do peso, podendo a pessoa emagrecer ou engordar. Dá-se uma perda da energia vital, que se reflecte em desmotivação, apatia, preguiça e fadiga fácil.»
E continua: «Consequentemente, assiste-se a uma redução da performance psíquica, na capacidade de raciocínio, concentração e de tomar decisões, juntamente com falhas de memória e baixo desempenho sexual.
Há uma maior propensão para estados de irritabilidade – a pessoa passa a ser menos tolerante a situações adversas –, para distúrbios de ansiedade, apreensão contínua e medo sem uma causa específica.»
Mais tarde, estes sintomas agravam-se e o paciente manifesta um humor deprimido, quase diariamente. Sente tristeza, angústia e pessimismo. A perda de interesse acentua-se e dá-se uma redução significativa do prazer obtido com a vida.
A auto-estima diminui consideravelmente e surgem sentimentos de culpa e ideias de suicídio, ou o não se importar com a sua morte.
«A longo prazo, este estado pode ter consequências graves também no sistema imunitário, abrindo caminho ao aparecimento de patologias do foro físico.
As mais frequentes são as doenças cardiovasculares, gastrintestinais e cancro. Todo o organismo fica debilitado e, no limite, o esgotamento pode conduzir à morte», adverte Sofia Alves da Silva.
A recuperação depende da gravidade de cada caso
À partida, o esgotamento é um estado recuperável. Porém, não é possível adiantar um tempo médio de cura.
Segundo Sofia Alves da Silva, «tudo depende da gravidade dos casos e da maneira como a pessoa encara o problema e se empenha para se restabelecer.
O esgotamento é o culminar de perturbações que o paciente arrasta durante anos sem tratamento, razão pela qual pode levar meses ou anos a recuperar».
«Por vezes», continua «torna-se necessário recorrer à medicação de um psiquiatra, como complemento da psicoterapia, que tem como objectivo ajudar a pessoa a encontrar por ela própria os recursos que lhe permitem ultrapassar o esgotamento.
Procuramos que o indivíduo se conheça melhor e se aperceba dos seus limites, para que, em conformidade com essa autoconsciência mais profunda de si, possa avaliar correctamente as situações de stress e desenvolver estratégias de adaptação adequadas».
Carências do ensino em Portugal
Sofia Alves da Silva crê que a generalidade das instituições de ensino do nosso País «carecem de um gabinete de apoio psicológico que avalie o stress nos estudantes, de modo a prevenir casos de esgotamento.
O panorama está a melhorar, pois existem faculdades que têm núcleos de apoio psicológico com vários serviços, desde simples informações, até sessões de acompanhamento individual, ou em grupos».
No entanto, «a maioria das Faculdades não só não tem estes serviços, como, arriscaria dizer, fomentam a cultura da excelência e da pressão no sentido da perfeição, para preparar os alunos para as pressões do mercado de trabalho.
Neste capítulo, a articulação entre os programas das várias disciplinas é muitas vezes deficiente e os professores que as leccionam nem sempre consideram as situações de sobrecarga para os alunos e os factores que os podem conduzir ao esgotamento», conclui a psicóloga.
Acontece que a ideia de sucesso marca cada vez mais as sociedades actuais e «se há uma geração ou duas ter um curso superior dava garantias de empregabilidade e era sinónimo de estabilidade, hoje em dia não é assim.
A crescente pressão do mercado de trabalho coloca cada vez maiores exigências de competitividade e produtividade aos estudantes», assinala a Dr.ª Sofia Alves da Silva, mestre em Psicologia da Saúde.
Do stress ao esgotamento
É comum ouvirmos falar de «esgotamento nervoso», mas, segundo Sofia Alves da Silva, «este termo não define um diagnóstico clínico-psicológico reconhecido.
É utilizado na linguagem do senso comum e abarca uma quantidade de perturbações que resultam num estado de exaustão, cujas origens são diversas».
Assim, e não existindo uma designação aceite pela generalidade dos psicólogos, em Portugal, para classificar este diagnóstico, a psicóloga opta por lhe chamar «esgotamento», porque ilustra bem o processo evolutivo dos pacientes e pela capacidade descritiva da palavra.
Para falar de esgotamento, «é necessário clarificar o conceito de stress, que é muito falado, mas pouco compreendido. Foi a partir do século XVII utilizado na Física, para designar uma força exterior que é exercida sobre um determinado corpo.
Se essa força exceder o limite de elasticidade do corpo, este vai ficar deformado e não volta ao seu estado inicial – como acontece quando esticamos demasiado uma mola», explica a psicóloga, completando:
«Mais tarde, já no século XX, esta ideia de limite de elasticidade passou a ser aplicada na Medicina e na Psicologia, tendo sido adoptado o termo “limite de elasticidade emocional”.
Neste contexto, o stress designa o resultado de uma exigência que provoca um desequilíbrio emocional. No decorrer deste processo, a pessoa avalia a situação de stress e os recursos de que dispõe para lhe fazer face, desenvolvendo estratégias de adaptação que podem ou não ser adequadas.»
Apesar de no senso comum o stress ter apenas um sentido pejorativo, como conceito psicológico, «pode ser positivo ou negativo, dependendo do modo como a pessoa o percepciona e o resolve. Se for adequadamente resolvido, o stress pode constituir um factor de motivação pessoal.
Caso contrário, todo o corpo quebra, o físico e o psicológico – duas realidades indissociáveis», sublinha Sofia Alves da Silva, concluindo:
«O esgotamento surge da incapacidade de resolução da situação de stress, com consequências negativas para a saúde do indivíduo. A pessoa esgota os seus recursos de adaptação e não consegue responder às exigências que lhe são feitas.
Quando as falhas se tornam constantes e afectam a auto-estima do indivíduo, juntamente com a manifestação de outras perturbações psíquicas e físicas, ele pode estar a caminho do esgotamento.»
Os principais factores de stress
«Um dos principais factores de stress reside na ansiedade inerente à avaliação do desempenho, seja ela contínua ou ligada à expectativa de eficácia em momentos de avaliação decisivos, como são as épocas de exames, as apresentações orais ou a defesa de teses de licenciatura», exemplifica a psicóloga.
É frequente, «sobretudo nos cursos que afirmam um elevado grau de excelência, não ser dada toda a escala de avaliação, isto é, está estipulado que a nota máxima é 20, mas alguns professores não atribuem mais do que 14, 15 valores.
É possível que alguns alunos desenvolvam uma baixa percepção de competência e se esforcem por ir além daqueles valores, podendo desencadear uma espiral de pouco sono e alimentação deficitária.
Estabelecem metas muito altas e dedicam ainda mais tempo ao estudo, restando-lhes pouco ou nenhum tempo para se dedicarem a si próprios, para fazerem exercício físico e estabelecerem relações sociais», observa Sofia Alves da Silva.
Quando consideramos o aluno do Ensino Superior, pensamos num jovem adulto e não no típico adolescente.
No entanto, a mesma psicóloga sublinha que, «hoje em dia, a adolescência pode prolongar-se até aos 30 anos, ou mais. Com a continuação dos estudos, os jovens são protegidos pelos pais até mais tarde, o que acarreta o adiar da tão procurada independência e autonomia económica. Isto pode constituir um factor de grande stress, sobretudo na relação com os pais».
Na questão da independência verifica-se uma ambiguidade que resulta de manifestações conscientes e inconscientes.
«Por um lado, os pais anseiam que os filhos saiam de casa, mas, por outro, e por vezes a um nível inconsciente, sentem-se bem em tê-los por perto, podendo mesmo chegar a fomentar a sua permanência.
Quanto aos filhos, na maioria dos casos, estão ansiosos por dar o salto para uma vida independente, mas a incerteza face ao futuro pode prendê-los, inconscientemente, à segurança dos pais, o que pode gerar conflitos», menciona Sofia Alves da Silva.
Não é raro que os pais projectem nos filhos as escolhas que fizeram no passado, as suas próprias crenças sociais, e os tentem influenciar ou pressionar na tomada de decisão quanto à profissão a seguir.
Tenham entrado no curso por influência de outrem ou por escolha própria, alguns estudantes descobrem a meio do percurso académico que não têm qualquer vocação para a área de actividade na qual se estão a formar, mas, talvez com receio da reacção dos pais e da percepção de falência face às expectativas sociais, não chegam a desistir do curso.
De acordo com Sofia Alves da Silva, «a perspectiva de uma vida dedicada a um trabalho do qual não gostam pode ser outro factor de stress para os estudantes do ensino superior».
Muitos destes jovens preenchem a sua vida com uma série de actividades extracurriculares que, para a nossa entrevistada, «resultam numa estratégia, por vezes inconsciente, para não pararem para pensar em si próprios, porque se o fizerem podem ficar deprimidos.
Juntamente com a necessidade de integração num novo ambiente, com novas pessoas e com o aumento das solicitações para saídas nocturnas e festas, pode surgir uma grande dificuldade em estabelecer prioridades. Querem fazer tudo e não sabem dizer não, resultando em fadiga prolongada e baixo rendimento».
As grandes etapas, como a entrada para no Ensino Superior e a saída para o mercado de trabalho, costumam representar «momentos de mudanças significativas a nível relacional, com a família e os amigos. É também um período em que se iniciam e terminam relações amorosas com maior frequência, o que constitui um factor de instabilidade.
«Os alunos que abandonam o seu meio para prosseguir os estudos noutras cidades correm maiores riscos, já que as pessoas isoladas têm mais tendência a cair em esgotamento.
Ao perder a proximidade com a sua rede de suporte, têm de a construir numa cidade que lhes é estranha, numa nova Faculdade, com novos amigos. Nem todos estão preparados para adaptações tão exigentes», garante Sofia Alves da Silva.
As perturbações que levam ao esgotamento
Quando estas situações de stress não ficam resolvidas, o estudante pode manifestar os sintomas do esgotamento.
«Os primeiros sintomas dão azo a queixas vagas, tais como tonturas, palpitações, falta de ar, a sensação de ter um nó na garganta ou dores sem uma causa física, principalmente na cabeça, abdómen, peito, costas e pernas», assinala a psicóloga, acrescentando:
«Surgem também alterações do sono, que podem manifestar-se através de insónias ou sonolência excessiva, e alterações do peso, podendo a pessoa emagrecer ou engordar. Dá-se uma perda da energia vital, que se reflecte em desmotivação, apatia, preguiça e fadiga fácil.»
E continua: «Consequentemente, assiste-se a uma redução da performance psíquica, na capacidade de raciocínio, concentração e de tomar decisões, juntamente com falhas de memória e baixo desempenho sexual.
Há uma maior propensão para estados de irritabilidade – a pessoa passa a ser menos tolerante a situações adversas –, para distúrbios de ansiedade, apreensão contínua e medo sem uma causa específica.»
Mais tarde, estes sintomas agravam-se e o paciente manifesta um humor deprimido, quase diariamente. Sente tristeza, angústia e pessimismo. A perda de interesse acentua-se e dá-se uma redução significativa do prazer obtido com a vida.
A auto-estima diminui consideravelmente e surgem sentimentos de culpa e ideias de suicídio, ou o não se importar com a sua morte.
«A longo prazo, este estado pode ter consequências graves também no sistema imunitário, abrindo caminho ao aparecimento de patologias do foro físico.
As mais frequentes são as doenças cardiovasculares, gastrintestinais e cancro. Todo o organismo fica debilitado e, no limite, o esgotamento pode conduzir à morte», adverte Sofia Alves da Silva.
A recuperação depende da gravidade de cada caso
À partida, o esgotamento é um estado recuperável. Porém, não é possível adiantar um tempo médio de cura.
Segundo Sofia Alves da Silva, «tudo depende da gravidade dos casos e da maneira como a pessoa encara o problema e se empenha para se restabelecer.
O esgotamento é o culminar de perturbações que o paciente arrasta durante anos sem tratamento, razão pela qual pode levar meses ou anos a recuperar».
«Por vezes», continua «torna-se necessário recorrer à medicação de um psiquiatra, como complemento da psicoterapia, que tem como objectivo ajudar a pessoa a encontrar por ela própria os recursos que lhe permitem ultrapassar o esgotamento.
Procuramos que o indivíduo se conheça melhor e se aperceba dos seus limites, para que, em conformidade com essa autoconsciência mais profunda de si, possa avaliar correctamente as situações de stress e desenvolver estratégias de adaptação adequadas».
Carências do ensino em Portugal
Sofia Alves da Silva crê que a generalidade das instituições de ensino do nosso País «carecem de um gabinete de apoio psicológico que avalie o stress nos estudantes, de modo a prevenir casos de esgotamento.
O panorama está a melhorar, pois existem faculdades que têm núcleos de apoio psicológico com vários serviços, desde simples informações, até sessões de acompanhamento individual, ou em grupos».
No entanto, «a maioria das Faculdades não só não tem estes serviços, como, arriscaria dizer, fomentam a cultura da excelência e da pressão no sentido da perfeição, para preparar os alunos para as pressões do mercado de trabalho.
Neste capítulo, a articulação entre os programas das várias disciplinas é muitas vezes deficiente e os professores que as leccionam nem sempre consideram as situações de sobrecarga para os alunos e os factores que os podem conduzir ao esgotamento», conclui a psicóloga.