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Encontro com a Dr.ª Rosa Gallego

1 Fevereiro, 2005 0

Atravessámos a Gafanha da Boavista e a Gafanha d’Aquém. Quem não gostaria de ter por aqui uma casi­nha virada para a Ria, com um cais de madeira a convidar para dar uma voltinha de barco e gozar a qualidade de vida que ainda se pode desfrutar por estas bandas, especialmente aos olhos duma lisboeta?

Em meia dúzia de minutos, chegámos à Gafanha da Encarnação, ao Largo da Bruxa, lugar emblemático que nos obrigou a sair do carro e repousar o olhar no casario do lado de lá da ria, a Costa Nova, com casinhas de listas de cores ao alto: azuis, amarelas, vermelhas, cores da vida que marcaram poetas e pintores importantes, que deixaram marcas escritas das suas passagens por estas bandas.

A pé, fomos até à Marina da Bruxa, onde nos sentámos à sombra de um chapéu, que o sol das onze e meia já ia alto e batia com os seus raios nas cabeças mais desprotegidas, como a minha. O silêncio, a calmaria da Ria e a vista sobre a Costa Nova deram um outro sabor à bica que sorvemos em pequenos golos.

Quando demos por ela era quase uma da tarde. Ou os ponteiros do relógio tinham andado muito depressa, ou não demos pelo tempo a passar. E dizíamos nós que estávamos a fazer tempo para o almoço. Como se o tempo se fizesse…

Rumámos ao Hotel de Ílhavo, para almoçar, que a sessão das três da tarde com os doentes não podia esperar. Mesmo assim, ainda deu para mostrar à Maria Rosa o lugar onde trabalho como médico de família, na Gafanha da Encarnação, atravessar a Gafanha da Nazaré, passar pela minha casa – «é aqui que eu moro» – e, finalmente, chegar ao hotel.

Por estas bandas, estes trajectos fazem-se em dez ou quinze minutos.

É a tal qualidade de vida que faz inveja à minha querida lisboeta.

Uma vez instalados no restaurante A Casa Velha, no Hotel de Ílhavo, os olhos da Maria Rosa fixaram-se em ramos de árvores envernizados: ramos perdidos no mar, esculpidos pelas mãos brutas do mar e um dia recolhidos no areal. A quem desfruta de os poder olhar, é só dar asas à fantasia e aí a temos criando livremente formas ora de criaturas fantasmagóricas, ora de torneados femininos.

Comemos uma soberba cataplana de bacalhau, não sem antes degustar uns mexilhões de vinagrete, com pimento verde, cebola e alho picados. Rematámos com uma fruta tropical. Falámos de tudo e de nada. Ficámos a conhecer-nos melhor, ou, talvez, tão simplesmente a conhecer-nos. No fundo, somos todos iguais, de carne e osso, e com os mesmos problemas comuns aos comuns dos mortais e com uma máscara que enfiamos todos os dias de manhã, antes de sair de casa, para encararmos o mundo, cada um à sua maneira. Mas somos todos iguais.

Às três e pouco começava a sessão com os doentes no salão nobre da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Cheio que nem um ovo.

Como sempre que a ADCI faz uma sessão para os seus associados e população em geral. O espaço, nesse dia mais do que nunca, revelou-se exíguo. «Olhe, filha! Sente-se aqui no chão, à frente, e traga todos esses amigos que estão aí à porta. Não é por falta de lugar que se há-de ir embora!»

Quem haveria de dizer estas palavras senão a Maria Rosa, que, tal como na véspera, nem precisou que a apresentassem e, do pé para a mão (ou das mãos para os pés), começou a apresentar as suas figuras pedestres, projectadas na parede branca.

Tal como na sessão da noite anterior, o silêncio atento durante a exposição e o assalto em catadupa no seu final demonstraram o êxito deste encontro.

Que rica jornada!

Para além do pitoresco de bastidores deste memorável fim-de-semana, não posso finalizar esta crónica sem deixar uma palavra de agradecimento ao Laboratório Aventis, em especial na pessoa do Sr. Mário Oliveira, e aos delegados de informação médica da zona, que realizaram os convites médicos para o evento. Em nome da ADCI, o nosso sincero bem-haja!

Dr. António Marques Leal
Médico de Família do Centro de Saúde de Ílhavo

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