Dr. João Bacelar » Exostoses, a doença dos desportistas náuticos
Clinicamente, a exostose caracteriza-se por uma elevação óssea com base larga, que interrompe o osso do tímpano. As exostoses são os tumores mais encontrados no MAE (meado acústico externo). Raros na infância, mais frequentes no sexo masculino, apresentam como fator etiológico a exposição prolongada e repetida por água fria e salgada no MAE.
Médicos de Portugal: O que é uma exostose?
Dr. João Bacelar: É o crescimento do osso no canal externo. O canal externo tem dois segmentos: o segmento mais externo e o segmento mais interno (ósseo).
A nível do osso, verifica-se um crescimento que vai estreitar a pouco e pouco o canal, podendo até, nos casos mais graves, ocorrer um estreitamento total do ouvido. As exostoses de meato acústico externo ficam sobre o periósteo e são cobertas por uma superfície escamosa.
M.P: Quais os sintomas?
J.B: Normalmente, o sintoma mais verificado é o da retenção de água e uma sensação de peso dentro dos ouvidos. Não se verificam muitos casos de perda de audição, é bastante raro, só em casos relacionados com outro tipo de infecções.
M.P: Existem hábitos, (considerados incorrectos), que possam causar doenças nos ouvidos?
J.B: Há pessoas que à partida, têm uma certa tendência para acumular cera nos ouvidos. As cotonetes são um objecto que não deve ser colocado dentro do conduto. A cera é uma propriedade natural que se produz dentro do conduto (parte externa) e tem a sua função, quando é eliminada pode impedir o crescimento da pele do conduto.
Tudo o que seja pegar num cotonete e empurra-lo para dentro, automaticamente está a empurrar a cera. Se uma pessoa tiver o conduto estreito ou se tiver exostoses, vai piorar a situação porque essas pessoas estão mais propensas a tapar o ouvido. Contudo, este tipo de acções não estão relcionadas directamente com o apareciemnto de exostoses, uma vez que ainda se deconhecem as suas causas.
M.P: O que é que pode originar o aparecimento de uma exostose?
J.B: Até ao momento desconhecem-se as causas exactas que a desencadeiam. A sua origem pode ser inflamatória, traumática ou congénita. Sabe-se que aparecem principalmente às pessoas que praticam actividades relacionadas com o mar, nomeadamente o mergulho, o windsurf, bodyboard ou o surf.
Eram chamadas por isso mesmo, a doença do “nadador”. Estão também relacionadas com a prática de aviação, ou seja, os pilotos de avião também são alvos. As exostoses têm um crescimento mais acelarado para quem pratica estas actividades.
M.P: Como é que pode ser feito o diagnóstico, Quais os exames a serem feitos?
J.B: O diagnóstico deve ser feito sempre por um otorrino ou outro especialista, que, com a observação através do otoscópio, verifica que existe uma obstrução do MAE (meado acústico externo). Os exames que se podem fazer passam por testar a capacidade auditiva, em que se procede ao estímulo sonoro.
Mais raramentem, podem ser diagnosticados osteomas, que se caracterizam por bolas ósseas e que em casos mais graves, podem levar à surdez. No caso das exostoses, dificilmente causam surdez, só mesmo em casos extremos, quando as exostoses se juntam e podem originar uma maior pertubação da audição.
M.P: Em que é que consiste o tratamento?
J.B: O tratamento oscila entre dois aspectos: entre a vigilância e a intervenção cirúrgica. O tempo que pode durar a vigilância das exostoses é extremamente variável, dependendo de cada caso clínico. Há doentes que eu acompanho regularmente e que podem perfeiamente viver toda a vida com uma exostose, sem terem sintomas da doença ou sem se queixarem.
Em relação à cirugia, é uma cirurgia de calibragem do canal, trata-se de uma operação muito minuciosa, que exige muita paciência uma vez que consiste na remoção do osso e na reposição da pele. Quanto mais fechada for a exostose, mais difícil se torna a intervenção. Tecnicamente é mais complicado operar um paciente que tenha uma otite externa do que um paciente que tenha uma otite interna.
M.P: Existem hábitos, (considerados incorrectos), que possam causar doenças nos ouvidos?
J.B: Há pessoas que à partida, têm uma certa tendência para acumular cera nos ouvidos. As cotonetes são um objecto que não deve ser colocado dentro do conduto. A cera é uma propriedade natural que se produz dentro do conduto (parte externa) e tem a sua função, quando é eliminada pode impedir o crescimento da pele do conduto. Tudo o que seja pegar num cotonete e empurrá-lo para dentro, automaticamente está a empurrar a cera.
Se uma pessoa tiver o conduto estreito ou se tiver exostoses, vai piorar a situação porque se está mais propenso a tapar o ouvido. Contudo, este tipo de acções não estão relacionadas directamente com o aparecimento de exostoses, uma vez que ainda se desconhecem as suas causas.
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