Diabetes & menopausa: Um duplo desafio
Tudo porque as hormonas femininas interferem com uma outra hormona – a insulina, envolvida na regulação dos níveis de açúcar no sangue (glicemia). O estrogénio e a progesterona afectam o modo como as células respondem à insulina, com as flutuações hormonais da menopausa a poderem causar quer um aumento da glicemia quer uma diminuição.
E são mudanças pouco previsíveis: é que quando baixa a quantidade de progesterona pode aumentar a sensibilidade à insulina e quando diminui o nível de estrogénios pode subir a resistência à insulina. Significa isto que pode haver um descontrolo, aumentando o risco de a mulher desenvolver complicações associadas à diabetes, de que a doença cardiovascular é uma das principais.
Com a menopausa é frequente haver um ganho de peso, o que pode influenciar a necessidade de insulina.
Abre-se, mais uma vez, a porta a um descontrolo do açúcar no sangue se não houver alteração da medicação e, naturalmente, uma adequada gestão dos quilos a mais.
Outra associação entre a menopausa e a diabetes provém do risco acrescido de infecções. Numa mulher diabética, níveis elevados de açúcar no sangue podem contribuir para o desenvolvimento de infecções urinárias e vaginais, probabilidade que aumenta na menopausa pois a descida de estrogénios diminui as defesas contra bactérias e fungos, facilitando o acesso aos aparelhos genital e urinário.
Sensível à menopausa é igualmente o sono: os suores nocturnos e os afrontamentos dificultam com frequência uma noite bem dormida.
Ora a falta de sono dá origem a flutuações na glicemia, potenciando novamente um desequilíbrio que é necessário controlar.
Há ainda que contar com uma dupla influência sobre a vida sexual da mulher. Por um lado, a diabetes pode afectar os nervos que revestem a vagina, prejudicando a capacidade de ter um orgasmo; por outro, a menopausa tem como consequência alguma secura vaginal, o que causa desconforto e dor durante as relações sexuais.
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Está nas suas mãos controlar o risco!
São problemas com que lida uma boa percentagem das mulheres diabéticas.
A prevalência da diabetes em mulheres na menopausa oscila entre os 4 e os 7 por cento, o que, no nosso país, significa que 100 mil a 140 mil dos cerca de dois milhões de mulheres em menopausa são também diabéticas.
São muitas e boas razões para controlar o risco associado a estas duas condições. Trata-se de um duplo desafio, mas é possível vencê-lo.
Desde logo, fazendo escolhas saudáveis: uma alimentação equilibrada e exercício físico regular. No que respeita à alimentação, os doentes com diabetes já seguem um plano com algumas restrições, ao nível do açúcar mas também das gorduras. O mesmo plano é útil no controlo dos sintomas da menopausa.
Quanto ao exercício físico, tem benefícios a muitos níveis: ajuda ao controlo do peso ao promover o gasto de energia (logo a queima de gordura); aumenta a circulação, fortalece o sistema circulatório, contribui para baixar a pressão arterial e para manter os níveis de colesterol dentro do normal; fortalece os ossos, prevenindo a osteoporose. Além disso, ajuda a libertar o stress e melhora o humor.

