Diabetes: Depois da tempestade, a bonança
A pequena Maria tem um quotidiano característico de uma criança da sua idade que não sofre de diabetes, excepto a medição dos níveis de glicemia e a administração da insulina. Actos que nunca devem ser descurados, assim como a alimentação saudável e equilibrada e a prática de exercício físico. Contudo, os seus pais têm algumas dificuldades. Ultrapassáveis, mas que retiram algum conforto. Esta família vive em Travanca, uma aldeia do distrito de Viseu, e na opinião de Ana Isabel é “prejudicial para a não estabilização da diabetes. Sem ser a piscina, não existem mais actividades para a idade da Maria, como ginástica ou dança.” No que respeita à alimentação, têm de se deslocar à cidade, onde haja uma grande superfície comercial para adquirirem produtos com níveis baixos de hidratos de carbono.
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Ficar sem chão
O episódio que causou uma certa estranheza e que acabou por conduzir ao diagnóstico ainda está bem presente para Ana e José. Em meados de Abril do ano passado repararam que a filha Maria bebia muita água e urinava bastante, chegando a acordar durante o sono várias vezes para beber água. A fralda teria de ser mudada de duas em duas horas. Com a certeza de que algo não estava bem, até porque não era o primeiro filho, tomaram a iniciativa de pedir análises à urina. Comentaram com o pediatra da Maria, que os alertou para os valores da glicemia. “Quando abri as análises assustei-me logo. A glicose apresentava valores acima dos 1000. O pediatra encaminhou-nos de imediato para o Hospital de São Teotónio, em Viseu, onde foi diagnosticada diabetes tipo 1 à Maria”, relata Ana Isabel.
Inicialmente, a reacção destes pais foi péssima. “Pensámos que o mundo nos tinha caído em cima, ficámos sem chão. Durante alguns dias perguntávamo-nos a nós mesmos onde foi que errámos e por várias vezes sentimos culpa”, explicam. Chegaram a pensar que a Maria era a única criança a ter diabetes e não imaginavam que existiam inúmeros casos semelhantes. Com esforço, nunca deixaram transparecer a angústia, mantendo sempre um sorriso. O impacto inicial deu lugar à busca pela informação na Internet, em revistas, em livros e falando com pais de outras crianças. No hospital, também receberam toda a informação necessária e, sobretudo, muito apoio psicológico.
Dar a volta por cima
“Tivemos de encarar a situação da melhor maneira possível, senão quem iria sair prejudicada era a Maria. Como depende de nós a 100%, ganhámos força para a ajudar. Além disso, pensámos no nosso filho, que também precisava de nós”, contam estes pais, que, de vez em quando, sentem tristeza e angústia, em especial quando a benjamim da família diz que não quer ser picada.
Os cuidados com a sua alimentação, no incentivo da prática de exercício físico, no controlo da glicemia e na administração da insulina compensam os resultados positivos. A Maria participa, com grande entusiasmo, nas actividades programadas no jardim-de-infância, é brincalhona e um “pouquinho mandona”. Anda de bicicleta com o irmão, gosta de andar a pé e de correr. Ainda não consegue nadar sozinha, mas já mergulha. “Antes de ir para a natação, temos de medir os níveis da glicose, para não vir a ter nenhuma hipoglicemia, e quando termina a aula come bolachas de água e sal”, indica Ana Isabel.

