Bronquite crónica ou DPOC » Prevenção evita consequências desagradáveis
Atrasar a evolução dos sintomas
Sendo uma doença crónica, o tratamento limita-se a minimizar os sintomas e a atrasar a progressão. Isto porque, depois de instalada, a DPOC permanece para o resto da vida, sempre em sentido progressivo. Quanto mais cedo for diagnosticada, menores serão os estragos, e como tal, menos afectada ficará a qualidade de vida.
«Antes de tudo é importante minimizar as agressões. Por isso, não fumar é a primeira grande medida de tratamento e, aliás, a única que até agora demonstrou melhorar o prognóstico evolutivo da doença», explica o especialista adiantando:
«Em segundo lugar teremos a administração, preferencialmente por via inalatória, de medicamentos capazes de diminuírem a broncoconstrição e a inflamação, isto é, broncodilatadores e corticosteróides. Estes medicamentos deverão ser entendidos como medicação a ser feita durante longos períodos, sob supervisão médica.»
Para combater as infecções respiratórias bacterianas, Teles de Araújo recomenda o uso de antibióticos. «Devemos ter em mente que a única tradução de uma infecção pode ser o aparecimento de pus na expectoração», sublinha o pneumologista.
As crises de DPOC estão, geralmente, associadas a infecções respiratórias, como tal tendem a agravar-se na altura em que estas infecções são mais frequentes. Se não for tratada, pode atingir consequências para a saúde que colocarão em risco a qualidade de vida dos doentes.
«A prazo conduzirá à incapacidade de fazer chegar o ar aos alvéolos impedindo que o oxigénio chegue ao sangue. É a insuficiência respiratória que incapacita o doente para as suas actividades, mesmo tão simples como fazer a barba, lesando todos os órgãos que deixam de receber o oxigénio necessário. É uma situação que impõe ao doente o recurso à administração de oxigénio mais de 15 horas por dia», conclui o presidente da Associação Portuguesa de tuberculose e Doenças Respiratórias.
Segundo o Dr. Teles de Araújo, presidente da Associação Portuguesa de Tuberculose e Doenças Respiratórias, «é considerado como limiar da doença a presença desses sintomas e dessas queixas num número de dias que exceda três meses, durante dois anos consecutivos».
Foi-se constatando, com o passar do tempo, que, para além da tosse e da expectoração, havia ainda a presença de outro factor.
«À medida que a doença progredia instalava-se uma obstrução crónica dos brônquios, levando à limitação da passagem do fluxo aéreo do exterior para os alvéolos e destes para o exterior. Esta limitação não é totalmente reversível, mesmo com a medicação correcta, e tende a ser progressiva», explica o especialista.
A doença surge habitualmente de forma lenta e silenciosa. Inicialmente, a tosse e a expectoração matinal, característica dos fumadores, vão passando despercebidas, contudo, as queixas vão sendo cada vez mais intensas.
De acordo com Teles de Araújo, «o doente começa a ter constipações e gripes mais frequentes, começa a sentir um cansaço cada vez mais forte para esforços menores e pode ter uma respiração ruidosa ou com farfalheira (borbulhar da expectoração à passagem do ar nos brônquios) e chiadeira (traduzindo o estreitamento dos brônquios)».
Tabaco, o principal agressor
Na origem da bronquite crónica, ou da DPOC, estão factores que agridem violentamente a mucosa dos brônquios. Partículas, fumos e gases tóxicos capazes de determinar uma contracção exagerada dos músculos que rodeiam os brônquios, e uma reacção inflamatória nociva para o pulmão.
«Como grande responsável pela doença temos de apontar o fumo de cigarro, na origem de 90% dos casos. Em segundo lugar, a poluição atmosférica, especialmente as partículas de fumos originados pelos veículos automóveis. Em terceiro lugar podemos apontar a poluição industrial. De uma forma mais discreta existem, por vezes, factores genéticos que podem contribuir para o aparecimento da doença», adianta o pneumologista.
As queixas em relação aos sintomas da DPOC tendem a surgir a partir dos 35-40 anos, quando o doente já fuma há mais de 20 anos. Nessa fase as alterações dos brônquios já estão estabelecidas.
A tosse e a expectoração são os primeiros sinais de alarme aos quais o doente deve ficar atento, no sentido de decidir se quer ou não continuar a agredir os seus pulmões. «É a altura ideal para deixar de fumar», recomenda Teles de Araújo.
Através da suspeição dos sintomas já referidos, e de acordo com os sinais encontrados na observação clínica do doente, o médico pode apontar para a possibilidade da existência de DPOC, mas a confirmação do diagnóstico é feita através de exame muito simples, a espirometria.
Para realizar este exame, o doente enche o peito de ar e sopra para um aparelho, como se estivesse a apagar as velas de um bolo, isto é, o maior volume de ar no menor espaço de tempo possível. Se os brônquios estiverem estreitados, como acontece na DPOC, o volume de ar que sai no primeiro segundo é menor.

