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Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta de Sousa: “O enfermeiro vai reforçar o seu papel de pivô nas equipas de saúde”

20 Setembro, 2007 0

São vários os desafios que se colocam actualmente à enfermagem portuguesa. A centralidade dos cuidados de enfermagem e a certificação de competências são alguns dos pontos que a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta de Sousa, destacou em entrevista exclusiva ao Jornal do Centro de Saúde.

Actualmente, qual o papel do enfermeiro no Sistema Nacional de Saúde?

O enfermeiro tem um papel de charneira fundamental nos cuidados de saúde, tendo a responsabilidade última de garantir a continuidade e a segurança nos cuidados que presta aos cidadãos.

No Sistema Nacional de Saúde, tendo presente que os enfermeiros são o grupo maioritariamente presente no sistema e, em termos internacionais, representam 80% dos profissionais de saúde, de acordo com indicadores da OMS, significa que os enfermeiros são recursos essenciais para o funcionamento global do sistema e deveriam, no meu entender, ter um papel mais activo e mais reconhecido do que até hoje tem sido.

E no futuro, qual considera ser o papel do enfermeiro, no Centro de Saúde e na Unidade de Saúde Familiar (USF)?

O enfermeiro no futuro há-de reforçar o papel de pivô nas equipas de saúde e na USF. O enfermeiro do futuro há-de ser o que se responsabiliza por garantir que, em cada família, haja um técnico de referência que lhe garanta a possibilidade de gerir os seus próprios recursos e saber a que outros recursos pode recorrer.

Ao nível da intervenção domiciliária, o enfermeiro é encarado como tendo uma função educativa?

A função educativa faz parte integrante dos cuidados de enfermagem. Não é possível haver cuidados de enfermagem que não tenham em si mesmo uma função directa de ajudar a que cada um seja mais autónomo com a sua própria saúde. Isso só se faz fazendo e ajudando a fazer. Não há outra forma.

No Congresso da Ordem, abordou a necessidade de se apostar num modelo de desenvolvimento profissional que motive os enfermeiros a consolidar e a melhorar as suas competências. Em que medida considera ser possível a criação desse modelo?

Para além de possível, considero desejável e necessário. Penso que é possível criando-se as estruturas de suporte necessárias. Hoje, já existe um conjunto de enfermeiros que, ao longo da sua vida profissional, e independentemente de fazer formação formal, ou não, vai desenvolvendo novas competências.

Portanto, aquilo que nós entendemos no futuro é um modelo que motive mais os profissionais, que garanta a consolidação e desenvolvimento dos saberes dos enfermeiros e, simultaneamente, tenha influência na organização dos cuidados que se prestam e na resposta que se dá aos cidadãos. Entendemos que é possível.

Os hospitais e os centros de saúde, nos contextos onde exercemos a prática profissional, têm que ser cada vez mais qualificantes e, para tal, necessitamos de estruturas de suporte onde se desenvolvam directamente as organizações prestadoras.

O que está em causa é melhorar a capacidade de resposta dos enfermeiros às necessidades dos cidadãos.

Com a nova rede de cuidados continuados integrados de saúde e apoio social, como define a importância do enfermeiro?

Tal como o próprio nome da rede indica, quando falamos de cuidados continuados estamos a falar da garantia de uma identificação clara dos cuidados que são necessários para o doente, para cada cidadão, e que possam ser garantidos em níveis onde não é necessário o recurso à tecnologia. Estamos a falar de situações não agudas.

Se verificarmos a tipologia que está feita, onde se identifica a necessidade de recurso a cuidados continuados, verificamos que a maioria dos cuidados necessários são cuidados de enfermagem.

Contudo, é necessário que haja articulação de recursos e garantia de conjugação de esforços. Nesta área, o enfermeiro deveria ser obrigatoriamente responsabilizado pela gestão desses casos, uma vez que são eles os técnicos mais qualificados para poderem fazer a avaliação de quais os recursos que têm que ser efectivamente afectados.

Não há dúvidas nenhumas que temos que trabalhar em equipa, mas é necessário criar uma forma de organização do trabalho que garanta que a responsabilidade da gestão da situação seja assegurada pelos enfermeiros, mesmo em conjugação com o médico, com a assistente social ou com o psicólogo.

Não tenho dúvidas que esta nova rede é essencial ao País.

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