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Bacilo de Koch: Um bacilo ainda perigoso

Chama-se bacilo de Koch a bactéria causadora da tuberculose, uma doença que está de volta à boleia da sida e da resistência aos antibióticos. Portugal é dos países europeus com mais novos casos, ainda que a incidência esteja a descer.

Portugal figura em primeiro nas estatísticas europeias da tuberculose mas pelas piores razões: é que é, com Espanha, o país com mais novos casos desta doença altamente infecciosa. Dados do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose indicam que em 2008 foram diagnosticados 2.916 casos, o que corresponde a uma taxa de incidência de 25 casos por cada 100 mil habitantes.

É certo que os números estão a baixar: em 1995, registavam-se mais de 55 casos por mil habitantes, em 2006 a taxa de notificação desceu para 32,4 por mil habitantes e em 2007 voltou a descer, para 27.

Está, no entanto, ainda acima da meta traçada pela Direcção-Geral de Saúde e que apontava para 18 casos por 100 mil pessoas em 2011, ou seja, daqui a um ano.

Para os especialistas, a evolução da tuberculose está claramente associada a factores sociais como a pobreza, mas também a doenças como a sida. Daí que os grupos de risco sejam os doentes com VIH, os toxicodependentes e a população que vive em más condições de higiene e com deficientes hábitos alimentares.

Geograficamente, é no Norte do país, em particular no Grande Porto, que se regista uma maior incidência da doença. Pelo impacto que tem na sociedade, importa conhecer melhor uma doença cujo dia mundial se assinala a 24 de Março:

 

O que causa a tuberculose?

O principal agente causador da tuberculose é um bacilo descoberto em 1882 pelo cientista alemão Robert Koch, descoberta que lhe valeria, alguns anos mais tarde, o Prémio Nobel da Medicina.

Trata-se de um bacilo com um elevado grau de contagiosidade, o que explica que a tuberculose seja uma das doenças mais infecciosas de sempre, responsável por verdadeiras epidemias e que continua a ser um flagelo em diversas partes do mundo, nomeadamente nos países subdesenvolvidos.

 

Como se dá o contágio?

O bacilo de Koch propaga-se pelo ar, através da respiração.
Quando um doente tosse, liberta cerca de 3,5 mil bacilos. Quando espirra, liberta ainda mais: cerca de dois milhões. E até quando fala espalha os micróbios, que, se respirados por uma pessoa saudável, podem penetrar no organismo e desencadear a infecção. Todavia, o contacto com o bacilo não significa que se fica automaticamente doente: a maioria das pessoas não é, aliás, afectada, dado que o organismo é capaz de se defender.
Pessoas já fragilizadas, pela idade ou por doenças como o cancro e a sida, correm mais risco de contrair tuberculose.

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Todos os doentes podem transmitir a tuberculose?

Não, nem todas as pessoas com tuberculose transmitem a doença, apenas as que não estão a ser tratadas e aquelas em que o bacilo está alojado nos pulmões e que o eliminam através do ar (que sofrem de tuberculose respiratória). As que já estão a ser tratadas e aquelas em que o bacilo atinge outros órgãos, como os rins, os ossos, os gânglios, os intestinos ou as meninges, não oferecem perigo.

 

Quais são os sintomas?

O primeiro sinal de suspeita é uma tosse persistente: aliás, uma pessoa que tussa durante três semanas seguidas deve consultar um médico. Outros sintomas são febre, dores no tórax, suores nocturnos, perda lenta e progressiva de peso, falta de apetite e apatia generalizada.

 

Como se diagnostica?

A tuberculose é diagnosticada através de exames como uma radiografia ao tórax e uma baciloscopia (também chamada “exame do escarro”) para detectar a presença do micróbio.

 

Existe tratamento?

Sim, existe tratamento e consiste na combinação de três medicamentos. Com a duração de cerca de seis meses, é quase sempre feito em ambulatório, ou seja, em casa e com acompanhamento do centro de saúde ou hospital. Pode haver lugar a internamento se o diagnóstico for feito já numa fase avançada da doença ou se o bacilo tiver afectado gravemente os pulmões. Algumas formas da tuberculose – como a meningite tuberculosa – obrigam a permanência no hospital.

 

Há cura?

É possível alcançar a cura desde que se cumpra o tratamento de demais indicações médicas: assim acontece em 95% dos casos. Mas a tuberculose continua a ser uma doença potencialmente fatal, nomeadamente se o doente não for tratado a tempo (isto é, numa fase muito inicial da doença), se não for tratado convenientemente e se interromper o tratamento.

 

Quais são as consequências da interrupção do tratamento?

O abandono do tratamento faz com que surjam novos bacilos, resistentes aos medicamentos mais utilizados no combate à doença. Isto significa que os bacilos se habituam ao antibiótico, que deixa de ser eficaz, sendo necessário um mais forte. É o princípio da chamada tuberculose multi-resistente, mais difícil de tratar. Aumenta, pois, a probabilidade de a doença causar a morte. Em 2008, foram detectados em Portugal 30 novos casos de resistência.

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O que explica a associação ao VIH/sida?

A tuberculose é uma das doenças oportunistas da sida, assim chamada porque se aproveita da debilidade do sistema imunitário dos doentes infectados com o VIH. E isto porque ficam mais vulneráveis quando em contacto com um doente com tuberculose.

 

A tuberculose previne-se?

Sim, é esse o objectivo da BCG, a vacina ministrada nos primeiros 30 dias de vida, quase sempre a primeira vacina que um recém-nascido recebe, ainda na maternidade.

 

Mãos unidas

A luta contra a tuberculose é uma das missões da Associação Mãos Unidas Padre Damião – Portugal, uma organização não governamental empenhada no combate contra as chamadas doenças da pobreza.

Organização não governamental, actua a partir do direito de todos os seres humanos a terem acesso a cuidados de saúde, independentemente da nacionalidade, religião, ideologia ou raça. O seu objectivo é dignificar o doente, onde quer que ele se encontre.

A sua acção leva-a a 27 países, de todos os continentes, sobretudo do chamado terceiro mundo. Actua igualmente nas fronteiras nacionais, lutando contra situações de carência e exclusão social e nesse sentido dando apoio a doentes com sida, crianças de rua, deficientes e sem abrigo.

“Ajude-nos a ajudar” é o apelo que a associação faz a todos os cidadãos, nomeadamente a propósito do próximo Dia Mundial da Saúde (7 de Abril), com uma campanha de solidariedade tendo como objectivo a luta contra a tuberculose e a lepra em países como Angola, Moçambique, Timor e Brasil.

Para a prossecução dos seus objectivos, a Associação Mãos Unidas aderiu à Plataforma Saúde em Diálogo, uma aliança solidária de associações de doentes, promotores e profissionais de saúde, nomeadamente farmacêuticos.

São os seguintes os contactos da associação:
Morada: Rua Gomes Freire, 211, A/B, 1150-178 Lisboa
Telf: 21 351 57 20; Fax: 21 351 57 27
E-mail: geral@maos-unidas.pt
Página na internet – www.maos-unidas.pt

FARMÁCIA SAÚDE – ANF

www.anf.pt

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