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Apresentação Guidelines Nacionais para a Cessação Tabágica

28 Fevereiro, 2008 0

Para além disso, esta intervenção deve ser repetida de cada vez que um doente não motivado vai a uma consulta.

Quanto a intervenções não-farmacológicas, as NOCs referem que “devem ser disponibilizados materiais de auto-ajuda aos fumadores que não recebam outro tipo de intervenções para cessação tabágica. Aos fumadores que procuram ajuda é mais benéfico oferecer aconselhamento breve ou materiais de auto-ajuda individualizados”.

E ao “fumador motivado para abandonar o tabagismo deve ser oferecida a possibilidade de frequentar grupos de terapia”.

É referido ainda a importância do aconselhamento telefónico pró-activo e o aconselhamento individual fornecido por profissionais treinados em cessação tabágica fora do âmbito da prática clínica habitual, bem como o exercício físico que pode ser recomendado nos indivíduos com maior intolerância aos sintomas de abstinência.

Doentes cardiovasculares e grávidas

AS NOC têm ainda em conta as particularidades de algumas populações específicas, nas quais os efeitos nefastos do tabaco podem ter consequências mais graves, como as grávidas ou os doentes cardiovasculares. Estes grupos podem também estar mais predispostos à cessação tabágica. No caso dos doentes cardiovasculares podem ser oferecidos os métodos para cessação tabágica considerados válidos nesta NOC, mas com restrições no caso dos doentes com doença coronária ou cardíaca. No caso das grávidas, a avaliação de comportamentos e os programas de cessação tabágica devem ser implementados em todos os contextos pré-natais, e “pode considerar-se o uso de farmacoterapia (…) quando a probabilidade de cessação e os potenciais benefícios superem os riscos (…)”. Há ainda recomendações especiais para doentes com patologia psiquiátrica, adolescentes, idosos, fumadores hospitalizados, doentes pré-cirurgicos e doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica. É também referida a importância dos pediatras oferecerem aconselhamento aos pais para cessação do tabagismo para limitar a exposição dos filhos ao fumo passivo.

As recomendações incluem ainda uma abordagem comunitária de intervenções no local de trabalho, como a proibição de fumar no local de trabalho, a oferta de intervenções para cessação tabágica já referidas e o uso de incentivos e competições com vista a aumentar a adesão a programas de cessação tabágica. É também referido o ensino de profissionais de saúde, com a recomendação de programas de treino para cessação tabágica, dirigidos aos profissionais dos cuidados de saúde primários, e a inclusão de uma componente educacional e prática nos programas de ensino a médicos em formação.

O aumento de peso, que é uma preocupação constante para quem pensa deixar de fumar, também é referido nas NOC. “O profissional de saúde deve reconhecer que deixar de fumar é muitas vezes seguido por aumento de peso”, mas deve salientar “que os riscos para a saúde do aumento de peso são pequenos, em comparação com os riscos da continuação do tabagismo”, deve “recomendar actividade física e uma alimentação saudável,” e que os doentes se concentrem em primeiro lugar sobre a cessação do tabagismo e não sobre o controle de peso”.

Os potenciais utilizadores da NOC são médicos (de família, do trabalho, medicina interna, cardiologia, pneumologia, obstetrícia, pediatria), dentistas, enfermeiros, psicólogos e farmacêuticos.

As NOCs surgem, em parte, como actualização da “Norma de orientação clínica para tratamento do uso e dependência do tabaco” desenvolvida pelo Instituto da Qualidade em Saúde (IQS) e CEMBE, em 2002. As fontes metodológicas de evidência científica utilizadas como base desta NOC incluem artigos científicos, livros e páginas na Internet de organizações específicas. Estas fontes são comuns a todas as NOCs, sendo incluídas aqui para informação do utilizador que deseja elaborar documentos deste tipo. É importante sublinhar que apenas se indicam as que os autores desta NOC consideram fundamentais, pelo que constitui uma lista por definição incompleta.

As NOC foram apresentadas na FML com a presença do Director-geral da Saúde, Francisco George, a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, do Director da Faculdade de Medicina, José Fernandes e Fernandes e da Coordenadora do Núcleo de Doenças Cardiovasculares da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), Helena Febra.

São apoiantes e subscritores destas NOCs a APMCG, a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo (COPPT), o Instituto Português de Prevenção do Tabagismo, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Médicos Dentistas e a Faculdade de Medicina de Lisboa.

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