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Apresentação Guidelines Nacionais para a Cessação Tabágica

28 Fevereiro, 2008 0

O aumento de peso, que é uma preocupação constante para quem pensa deixar de fumar, também é referido nas NOC. “O profissional de saúde deve reconhecer que deixar de fumar é muitas vezes seguido por aumento de peso”, mas deve salientar “que os riscos para a saúde do aumento de peso são pequenos, em comparação com os riscos da continuação do tabagismo”, deve “recomendar actividade física e uma alimentação saudável,” e que os doentes se concentrem em primeiro lugar sobre a cessação do tabagismo e não sobre o controle de peso”.

Os potenciais utilizadores da NOC são médicos (de família, do trabalho, medicina interna, cardiologia, pneumologia, obstetrícia, pediatria), dentistas, enfermeiros, psicólogos e farmacêuticos.

As NOCs surgem, em parte, como actualização da “Norma de orientação clínica para tratamento do uso e dependência do tabaco” desenvolvida pelo Instituto da Qualidade em Saúde (IQS) e CEMBE, em 2002. As fontes metodológicas de evidência científica utilizadas como base desta NOC incluem artigos científicos, livros e páginas na Internet de organizações específicas. Estas fontes são comuns a todas as NOCs, sendo incluídas aqui para informação do utilizador que deseja elaborar documentos deste tipo. É importante sublinhar que apenas se indicam as que os autores desta NOC consideram fundamentais, pelo que constitui uma lista por definição incompleta.

As NOC foram apresentadas na FML com a presença do Director-geral da Saúde, Francisco George, a Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, do Director da Faculdade de Medicina, José Fernandes e Fernandes e da Coordenadora do Núcleo de Doenças Cardiovasculares da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG), Helena Febra.

São apoiantes e subscritores destas NOCs a APMCG, a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo (COPPT), o Instituto Português de Prevenção do Tabagismo, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a Ordem dos Médicos, a Ordem dos Médicos Dentistas e a Faculdade de Medicina de Lisboa.

Prevalência em Portugal

Em Portugal, os dados mais recentes provêm do 4º Inquérito Nacional de Saúde (INS) (2005/20006), e estima-se que a prevalência dos fumadores (diários, com idade superior a 10 anos) no continente seja de 19,6% (28,7% da população masculina e 11,2% da feminina). O consumo tabágico contribui para o aumento da mortalidade global, é um factor de risco independente para doenças cardiovasculares e cérebrovasculares, hipercolesterolémia, diabetes mellitus, doenças pulmonares e neoplasias do sistema respiratório, entre outras.

O tabaco é um factor de risco para inúmeras doenças, sendo a cessação tabágica um desafio, tanto para fumadores como para os profissionais de saúde que os orientam e incentivam nas suas tentativas. Quando Portugal está a adaptar-se à nova legislação da restrição do tabaco nos espaços públicos é ainda mais oportuno criar linhas de orientação para ajudar os portugueses a deixar de fumar.

As NOCs são fundamentadas em fontes metodológicas de evidência científica e fornecem conselhos e estratégias concretas para intervenções farmacológicas e nãofarmacológicas, definindo ainda esquemas de motivação e de controlo para evitar as recaídas.

Definem também métodos para tratamento de doentes especiais (cardiovasculares ou grávidas) e fazem chamadas de atenção importantes como a relação entre a cessação tabágica e o aumento de peso.

As recomendações principais das NOCs vão para as intervenções farmacológicas, que devem ser aconselhadas a todos utentes que desejem deixar de fumar, excepto em circunstâncias especiais. Actualmente há diversas terapêuticas farmacológicas com o objectivo de reduzir o impulso de fumar e diminuir os sintomas de abstinência.

António Vaz Carneiro, director do CEMBE e principal autor destas NOCs explica que “estas linhas orientadoras para a cessação tabágica pretendem ajudar os profissionais de saúde para que melhor possam intervir junto dos seus doentes, farmacologicamente ou não, consoante as particularidades de cada um.

Esta dependência é extremamente difícil de abandonar e por isso é importante haver linhas de orientação que os profissionais possam seguir. As NOCs são um manual que reúne desde a escala de Fagerström até um esquema que resume o processo de tratamento, o algoritmo clínico”.

As NOCs pretendem ser uma ferramenta de informação e decisão útil para a prática clínica no dia-a-dia. Assim, o algoritmo clínico é um esquema que mostra que quando o profissional de saúde se depara com um fumador que quer deixar de fumar deve seguir um esquema de procedimentos concretos.

O primeiro passo é avaliar o grau de dependência (através da escala de Fagerström) e providenciar uma sessão de aconselhamento. Na fase seguinte o profissional deve fornecer materiais de autoajuda, tratar com farmacologia de acordo com as características individuais do fumador e oferecer intervenções intensivas (se possível), para depois programar o follow-up do doente.

Aumentar a motivação para abandonar o tabaco – estratégia dos “5 Rs”

Caso o fumador não pretenda deixar de fumar, o profissional de saúde deve aumentar a motivação através dos 5 R’s: chamar a atenção para a relevância que tem para o doente deixar de fumar (tendo em conta factores de risco concretos ou a existência de crianças em casa, por exemplo), identificar os riscos que corre por ser fumador (da infertilidade até às neoplasias), salientar as recompensas de deixar de fumar (melhoria na saúde e diminuição de gastos, entre outros) e ainda alertar para possíveis resistências neste percurso (por aumento de peso ou falta de apoio).

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