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Alto-Comissário da Saúde, Prof. Doutor Pereira Miguel » “As pessoas devem saber se andam ou não a pisar o risco”

30 Junho, 2007 0

O Alto-Comissário da Saúde, Prof. Doutor Pereira Miguel, em entrevista ao Jornal do Centro de Saúde, falou sobre a estratégia nacional para reduzir as doenças cardiovasculares, durante um encontro internacional sobre “Estratégias Nacionais de Luta Contra as Doenças Cardiovasculares” que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian.

O encontro teve como principal objectivo a apresentação do panorama actual das doenças cardiovasculares em Portugal e as estratégias que têm sido estudadas e aplicadas em Inglaterra e França, com o intuito de reduzir a mortalidade provocadas por estas doenças.

Porquê esta reunião em Portugal?

O Plano Nacional da Saúde dá relevância às doenças cardiovasculares. Esta realidade foi assumida pelo Governo ao criar o Alto Comissariado da Saúde e a Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares. O encontro de hoje insere-se no trabalho dessa Coordenação, liderada pelo Prof. Doutor Ricardo Seabra Gomes.

Temos conhecimento da existência em outros países, nomeadamente o Reino Unido, de programas nacionais de luta contra as doenças cardiovasculares, com grande sucesso, e evidente redução da incidência e da mortalidade, com melhoria da qualidade e do acesso aos cuidados cardiológicos.

Por esta razão, convidámos o principal responsável por esse programa no Reino Unido e outros colegas deste país, e ainda de França, para nos virem expor a sua realidade, os seus programas e nos relatarem o caminho que conduziu ao seu sucesso.

São bons exemplos a seguir?

Sim, são bons exemplos. Claro que há uma máxima antiga que usamos na saúde e que consiste em “não adoptar, mas adaptar”. Teremos de adaptar as experiências dos outros à realidade portuguesa, numa altura em que podemos tomar decisões baseadas em evidência científica. Estes colegas mostram-nos algumas evidências de caminhos que parecem ser muitos bons.

Quais as recomendações para reduzir as doenças cardiovasculares?

Uma vida mais saudável, com uma alimentação mais cuidada. Recomenda-se uma dieta pobre em sal e em gorduras saturadas e rica em fruta, verduras e fibras.

As pessoas com um elevado índice de massa corporal devem iniciar uma dieta para reduzir o peso. Por exemplo, neste encontro foi apresentado um programa inglês que estimula o consumo de frutos e de vegetais nas escolas.

Aconselham um mínimo de cinco porções de fruta por dia. Outro aspecto é a vigilância das gorduras no sangue. O colesterol continua a ser um factor de risco que procuramos que seja conhecido, vigiado e controlado. As pessoas devem saber se andam ou não a pisar o risco e devem ter ajuda médica para debelar essa possibilidade.

Para além da alimentação saudável, deve estimular-se o exercício físico. A população portuguesa é cada vez mais sedentária. A prática regular de exercício físico intenso parece estar inversamente relacionada com o risco de AVC. Há também factores de risco que devem ser vigiados e identificados. A tensão alta, por exemplo. Em Portugal, há muitos hipertensos.

A hipertensão não dói. Se as pessoas não medirem a tensão, não sabem que têm hipertensão arterial. A hipertensão é o factor de risco modificável mais importante e prevalente de AVC. O seu tratamento reduz o risco de AVC. O consumo de tabaco é um factor de risco independente de AVC: aumenta o risco até 6 vezes. As pessoas que deixam de fumar reduzem o risco de AVC em cerca de 50%.

Ministro da Saúde, Prof. Doutor António Correia de Campos, ao Jornal do Centro de Saúde

“Doenças cardiovasculares no topo, mas inferior ao Norte da Europa”

Porque é que se continua a morrer tanto por doença cardiovascular, em Portugal?

Em Portugal e em todo o mundo… Os dados actuais indicam que se morre muito menos em Portugal, por doença isquémica do coração, em comparação com os países do Norte da Europa. Por outro lado, morre-se muito mais por doença cérebro vascular, ou seja, de tromboses. Esta realidade deve-se a várias razões. Não há uma explicação única. Resulta de factores alimentares, ambientais, stress, hábitos de vida, hábitos tabágicos, falta de exercício físico, etc.

Que tipo de estratégias são utilizadas em Portugal, em concreto, para o combate das doenças cardiovasculares?

As estratégias nacionais passam por quatro vectores: prevenção primária, prevenção secundária, isto é o acesso rápido a unidades de intervenção, tratamento, através da melhoria de salas de intervenção, e a reabilitação.

Mas se há cada vez mais informação acerca dos factores de risco, porque é que as doenças cardiovasculares continuam no topo da mortalidade em Portugal?

Não tenham ilusões! As doenças cardiovasculares vão continuar no topo da mortalidade. Nós não somos nenhuma excepção em relação aos outros países, mas temos vindo a evoluir. No entanto, não estamos a seguir o padrão de crescimento da doença isquémica que se denota no Norte da Europa, onde as pessoas comem poucos vegetais e têm menos dieta mediterrânica.

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