O Álcool
Mitos Relacionados com o Consumo de Álcool
Finalmente há que repor a verdade relativamente a alguns mitos falsos sobre os “benefícios” do álcool:
1- O álcool não aquece!
O que sucede é que o álcool faz a dilatação dos pequenos vasos sanguíneos da pele, aumentando a quantidade de sangue (quente) ao nível da pele e dando por isso a sensação de calor.
Infelizmente, isto faz com que o calor do corpo se dissipe mais facilmente para o exterior, levando mais rapidamente à morte por enregelamento em condições extremas…
2- O álcool não mata a sede!
A única bebida que mata a sede é a água. Todas as bebidas alcoólicas têm água em percentagens variáveis mas, o álcool que também contêm produz perda de água pela urina, o que significa que beber uma bebida alcoólica para matar a sede pode provocar mais sede…
3- O álcool não dá força para o trabalho físico!
O álcool atendendo ao seu efeito anestesiante diminui a sensação de cansaço, o que pode ser perigoso, porque o cansaço é um mecanismo que o nosso organismo tem de nos avisar de que devemos parar o esforço antes de atingirmos o nosso limite. De qualquer forma, o álcool não aumenta a força física.
Embora seja muito rico em calorias, estas calorias especificamente têm o problema de nunca serem utilizadas pelo músculo, mas tão somente para os processos de metabolismo basal. Isto significa que beber álcool engorda, mas não dá energia para trabalhar!
Consumo em Portugal
Portugal é o 4º maior consumidor de álcool da União Europeia, estimando-se que cada português consumiu em média cerca de 11 litros de álcool puro no ano de 1993, o que é um exagero, considerando que o menor risco de mortalidade está em populações que consomem cerca de 2-3 litros por ano.
Parece haver uma ligeira diminuição global do consumo do álcool desde 1980, particularmente à custa duma diminuição marcada do consumo do vinho.
Infelizmente tem havido um enorme aumento do consumo da cerveja e das bebidas destiladas, especialmente entre os jovens, que adoptam cada vez mais um padrão de consumo maciço aos fins-de-semana (à volta dos pubs e discotecas) e abandonam o consumo regular às refeições, característico da cultura mediterrânica.
Estratégias para Programas de Prevenção
A eficácia de algumas estratégias de prevenção estão claramente definidas.
As campanhas educacionais baseadas apenas na informação sobre os malefícios do álcool em escolas, locais de trabalho ou nos meios de comunicação social, sem acompanhamento articulado e continuado com outras medidas, não tem demonstrado eficácia. No entanto, quando esta articulação é feita, são importantes para sensibilizar as diferentes comunidades para a implementação dos programas de prevenção, atendendo a participação comunitária ser fundamental para o sucesso dos programas.
As medidas ou orientações políticas que claramente têm tido sucesso onde foram implementadas são:
– treino dos alunos nas escolas, para reconhecer as situações de risco em que poderão ser iniciados no consumo (geralmente de tabaco, álcool e marijuana) e em como poderão lidar com estas situações, melhorando a assertividade e outras competências sociais através da simulação das situações e vivência dos papéis.
– identificação dos casos-problema nos locais de trabalho, com acompanhamento e aconselhamento por parte de pares ou profissionais.
– promoção da auto-identificação e reflexão nos locais de trabalho, através da implementação de auto-testes com feedback — ver Quadros 2 e 3.
– proibição da venda e do consumo em determinadas horas e dias, e proibição da venda a menores.
– proibição de venda e consumo de álcool nos locais de trabalho (efeito positivo na diminuição do consumo global e do número dos acidentes de trabalho, aumentando a produtividade).
– aplicação de taxas elevadas e prática de preços altos na venda de bebidas alcoólicas.
– medidas de coacção, como os testes aleatórios do balão aos condutores e a determinados grupos profissionais.
– medidas de prevenção do consumo abusivo nos locais públicos.
Bibliografia
Centro Regional de Alcoologia de Lisboa. O que deve saber sobre bebidas alcoólicas, Lisboa, 1999.
Lowinson J, Ruiz P, Millman R, Langrod J. Substance abuse. A comprehensive textbook, Williams & Wilkins, 1997.
Mello M, et al. Manual de Alcoologia para o clínico geral, Delagrange, Coimbra, 1988.
World Health Organization. Alcohol and health, implications for public health policy, WHO, Oslo, October, 1995.
World Health Organization. Alcohol in Europe, a health perspective, WHO, Copenhagen, 1995.

