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Como evitar a dependência do álcool

3 Janeiro, 2007 0

3 – Tal como em quase todas as doenças de causa genética o gene contribui com a informação, mas o efeito final depende muito das acções epigenéticas, ou seja, do ambiente bioquímico das células e, mais tarde, do ambiente fami­liar e social que envolve a pessoa. Portanto, mesmo as pessoas com defeito genético, embora te­nham uma «síndrome de deficiência compensatória», podem não se tornar bebedores compulsivos e excessivos, se o meio familiar e social os proteger particularmente, conseguindo que recebam, por outras vias, a compensação afectiva que lhes falta. Nas pessoas sem defeito genético mesmo um ambiente familiar e social propenso ao abuso de álcool pode não conseguir criar bebedores excessivos desde que, na adolescência, que é um período de deficiente compensação afectiva de natureza funcional, não genética, haja uma adequada acção educativa.

Por isso a LASVIN, que tem no seu programa de acção a luta contra os malefícios do álcool, acredita fortemente na força da educação do beber para a protecção do abuso, mesmo nas pessoas com predisposição genética.

Assim, no dia 13 de Dezembro irá realizar um grande encontro com a Juventude, numa discoteca do Porto, conhecida por ser «limpa», com o slogan: Aprenda a beber, beba e fique feliz. Nesse encontro serão apresentados os fundamentos científicos do benefício para a saúde do uso moderado de vinho às refeições, ao longo da vida, e os malefícios do abuso de bebidas alcoólicas. Será ainda ensinado como distinguir e escolher os diversos vinhos portugueses usando os nossos órgãos sensoriais. Finalmente, haverá uma aula prática do uso do vinho a uma refeição, seguindo-se a festa com alegria e sem embriaguês.

Esta reunião festiva com a juventude servirá de pre­tex­to para a apresentação de um livro traduzido do original Inglês com o título: Éduc’Álcool, que é um manual para guia dos pais e professores que queiram proteger os adolescentes do risco de ficarem dependentes de álcool. Contém regras simples, objectivas e claras para que pais e professores saibam como falar aos jovens sobre o uso e o abuso das bebidas com álcool.

Os números estatísticos que são referidos no livro são do que se passa no Canadá, onde o livro foi publicado originalmente; mas a situação em Portugal não será muito diferente e começa a ser tema preocupante de saúde pública e de prevenção do risco de morte na estrada dos nossos adolescentes, em especial em veículos de duas rodas.

Sei bem que o adolescente adora o risco, porque é no risco que completa e activa as estruturais neuronais da compensação afectiva. Dar-lhes a conhecer em que medida o desejo exagerado da compensação afectiva pelo álcool em excesso é um marcador de imaturidade biológico-estrutural do seu cérebro emocional e provan­do-lhes que o abuso de álcool vai impedir que a maturação aconteça e que possam vir a ter uma vida afectiva e sexual compensadora é caminho seguro para uma utilização inteligente das bebidas com álcool e para a escolha do vinho que vale muito mais do que o álcool que contém.

A LASVIN olha para o futuro da nossa juventude e por isso continuará a intervir sem descanso nem desânimo.

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