Alcoolemia e (In) Segurança Rodoviária - Médicos de Portugal

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Alcoolemia e (In) Segurança Rodoviária

30 Março, 2006 0

Com o objectivo de encontrar soluções para a sinistralidade rodoviária em Portugal a LASVIN – Liga dos Amigos da Saúde, Vinho e Nutrição convidou especialistas de tráfego, de vigilância, de Psicologia e de Direito para analisarem quatro questões-chaves:

1. Como são avaliados e interpretados os acidentes.

2. Que factores influenciam as decisões dos condutores.

3. Qual a influência das características das vias.

4. Como educar e punir os condutores perigosos.

Após as apresentações dos onze conferencistas e do debate com a assistência, a LASVIN propõe as seguintes conclusões, que oferece à reflexão dos condutores e à atenção dos poderes públicos.

1. A avaliação detalhada de cada acidente com o objectivo de descobrir todas as suas causas necessita de ser melhorada, pelo que a intenção da GNR de reforçar os efectivos da Brigada de Trânsito e criar uma equipa especializada na análise dos acidentes deve ser levada à prática o mais depressa possível. Em 53,1% dos acidentes não é possível, actualmente, apontar qual foi a sua causa. É preciso criar uma base de dados com mais registos e com melhores registos.

2. O Plano Nacional de Prevenção Rodoviária tem de ser posto em acção, imediatamente e de forma completa e rigorosa, porque a sinistralidade rodoviária é evitável. Reduzir o número de mortos na estrada para metade tem de ser um imediato desígnio nacional e uma questão de honra e cidadania.

3. A condução reflecte a complexidade e a ambivalência que marcam todas as decisões humanas. Sem negar o efeito negativo da alcoolemia, em especial com valores iguais ou superiores a 1,2 gramas por litro de sangue, deve investigar-se, em todos os acidentes, a presença de drogas que actuam sobre o cérebro, como as benzodiazepinas, de drogas ilícitas, de hipertensão grave, de visão deficiente e de hipoglicemia em diabéticos tratados com insulina; bem como avaliar a existência de perturbações emocionais que possam ter afectado as decisões do condutor.

4. As vias de transporte rodoviário deverão permitir uma leitura global correcta por parte dos condutores: a sinalização, horizontal e vertical, tem de ser clara, apropriada, bem colocada, preventiva e esclarecedora, de modo a induzir a decisão correcta do condutor. Impõe-se uma revisão imediata de toda a sinalização para que as mensagens transmitidas sejam uniformes e compreensíveis, de modo fácil e rápido, atendendo à diversidade cultural dos condutores.

5. O novo Código da Estrada deve ser amplamente divulgado, tanto nos aspectos preventivos como punitivos, por meio de slogans, sem aparato jurídico mas que sejam compreendidos e interiorizados pelos condutores de modo a que se consiga uma verdadeira acalmia do tráfego rodoviário.

6. A educação contínua do condutor por intermédio de campanhas de esclarecimento sobre os perigos da condução agressiva, a fiscalização rigorosa e permanente às infracções ao Código com relevo para o excesso de velocidade e uma aplicação das leis pelos tribunais mais sensível ao objectivo de punir para educar são objectivos a atingir imediatamente.

7. Também há que investir na formação dos candidatos a condutores, transpondo para a Lei nacional as Directivas da União Europeia sobre o ensino da condução de modo a que as escolas possam praticar os métodos de ensino dirigidos às formas modernas de circular, nomeadamente em auto-estradas, e à mentalização dos futuros condutores para a prática da condução defensiva.

8. O papel fulcral do condutor no controlo do funcionamento global do sistema de transporte rodoviário impõe que seja dada uma atenção especial, por parte das escolas de condução e dos examinadores, para a formação psicológica dos candidatos quanto à responsabilidade pessoal e social de conduzir um veículo motorizado, de modo a que o automóvel, a mota ou o camião não sejam nunca usados para exprimir pulsões de morte, tendências para a agressividade, sentimentos de poder, de orgulho ou de vaidade competitiva.

9. A estrada não pode ser o campo de batalha de uma guerra civil entre os portugueses. Todos não somos demais para salvar, imediatamente, as vidas ameaçadas de tantos portugueses e os corpos estropiados e paralisados de muitos mais.

10. É urgente modificar o registo das vítimas dos acidentes para que todos saibamos quantas pessoas morrem, imediatamente e nos dias seguintes ao acidente, e quantas ficam inutilizadas para toda a vida. Serão números aterradores, mas só esta realidade pode levar os portugueses a promoverem, todos, uma revolução na cultura da condução rodoviária.

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