Álcool & pâncreas: Relações perigosas
Os homens são mais propensos a desenvolver pancreatite crónica do que as mulheres, pelo facto de beberem mais – em frequência e quantidade. No sexo feminino, a principal causa são os cálculos biliares.
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A dor como alarme
É a dor – uma dor moderada a intensa que começa na região superior do abdómen e irradia para as costas e, ocasionalmente, para o peito – que denuncia a pancreatite, sobretudo na sua forma aguda. Surge então subitamente, podendo prolongar-se por horas ou até dias, agravando-se com a ingestão de alimentos e/ou de álcool. Algum alívio, mas apenas temporário, é conseguido quando o doente se inclina para a frente ou se enrola na posição fetal.
Além da dor, a pancreatite aguda manifesta-se através de náuseas e vómitos, febre, pulsação acelerada, abdómen inchado. Nalguns casos, pode haver baixa da pressão arterial e desidratação.
É possível sofrer vários episódios de pancreatite aguda e recuperar completamente. Mas cada um dos episódios constitui uma séria ameaça ao pâncreas, podendo ter consequências sérias.
Aliás, a pancreatite crónica acontece, como já referido, por toxicidade do álcool ao longo do tempo e quando há episódios continuados, com risco de lesão grave do pâncreas e dos tecidos próximos. Os sintomas podem, no entanto, demorar anos a manifestar-se. A dor mantém-se como o principal, podendo ser intermitente ou constante.
A ela se juntam náuseas e vómitos, febre, perda de peso mesmo que os hábitos alimentares não se alterem. As fezes ganham uma aparência gordurosa e odor, devido à deficiente digestão e absorção dos alimentos, sobretudo das gorduras. A diabetes é um risco, uma vez que pode haver lesão das células produtoras de insulina e, assim, uma deficiente gestão do açúcar no sangue.
Controlar a dor, permitir que o pâncreas se recupere e restaurar o equilíbrio normal dos sucos pancreáticos são os objectivos do tratamento da pancreatite aguda, o qual passa, quase sempre, pela hospitalização. E porque o pâncreas entra em acção sempre que se come, o doente tem de ser alimentado por via endovenosa – ou seja, recebe fluidos e nutrientes através de uma veia.
Quando a causa está relacionada com o abuso de álcool, o tratamento envolve necessariamente a abstinência. Já quando a causa é a existência de cálculos biliares, pode ser recomendada cirurgia para remoção dos obstáculos à circulação dos sucos digestivos.
Em relação à pancreatite crónica, o tratamento passa também por controlar a dor e melhorar os problemas de absorção dos nutrientes, a par da cessação dos hábitos alcoólicos.
Até porque, à medida que a doença progride, a continuação da ingestão de álcool aumenta grandemente o risco de complicações e morte. Pode requerer hospitalização.
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Complicações à espreita
E são várias as complicações possíveis de uma inflamação do pâncreas.
No caso da pancreatite aguda um dos riscos é o de uma infecção bacteriana, na medida em que o pâncreas fica mais susceptível à acção das bactérias existentes nos intestinos.

