«A SIDA e a infecção VIH não existem isoladas dos outros problemas de saúde»
Não sabemos sobretudo em que medida é que meios de informação fora do sistema educacional – os jornais, as televisões, as rádios, os pares em geral – têm sido capazes de ajudar a preencher essas dificuldades. Mas o facto de Portugal apresentar uma taxa tão elevada de infecção, de não conseguir descolar da cauda da União Europeia e com uma diferença importante da maior parte dos países membros, mostra que alguma coisa estará a falhar.
E há quem não queira saber. Quem teime não usar o preservativo, por exemplo…
HB – Sim. Isso é expressão de uma certa ignorância, particularmente relevante. Muitas vezes tem associada alguma sobranceria, porque tem a ver com uma ideia estúpida de que a infecção só afecta determinados grupos de pessoas. Há gente que, por nunca ter tido determinados comportamentos, imagina que está imune a qualquer perigo. O que é obviamente falso.
A questão das resistências está cada vez mais na ordem do dia. Há casos em os medicamentos actualmente utilizados na terapêutica VIH/SIDA só revelam eficácia em apenas 16% dos doentes…
HB – Aqui há um aspecto desvantajoso: a não aderência à terapêutica. Seja por razões de incapacidade física perante a lógica da prescrição, seja por razões sociais, culturais ou comportamentais. Mas em qualquer destas circunstâncias está-se a diminuir por um lado a taxa de sucesso e está-se a contribuir para facilitar a estratégia do agente.
E essa questão vai fazer parte do seu trabalho?
HB – Seguramente. Há dois aspectos que nós temos que conhecer. Por um lado, o conhecimento epidemiológico, que nos fornece a dinâmica da infecção, onde também entra a mudança das características do agente.
Piercings e tatuagens: Portugal, ao contrário do que já recomendou a União Europeia em 2003, não tem legislação específica na matéria. Qual é a sua opinião sobre o assunto?
HB – Essa questão é importante não só por causa da infecção VIH/SIDA mas também devido às hepatites B e C. Tem sido difícil determinar o risco absoluto associado a essas práticas. Nomeadamente, porque havia, na maior parte das pessoas, a concorrência de outros possíveis factores associados à transmissão da infecção.
No conjunto das informações que dispomos, sabemos que os agentes infecciosos transmissíveis por via percutânea são passíveis de serem transmitidos quando se fazem tatuagens ou piercings com material reutilizável. Portanto a regra de precaução genérica é muito simples: uma pessoa, um conjunto de material. Ponto.
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