14% dos adolescentes portugueses entre os 14 e 17 anos têm excesso de peso ou obesidade - Médicos de Portugal

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14% dos adolescentes portugueses entre os 14 e 17 anos têm excesso de peso ou obesidade

29 Março, 2007 0

Lisboa, 28 de Março de 2006 – Um estudo inédito sobre Obesidade e Adolescência realizado pela Associação Portuguesa de Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO), com o apoio da Roche, revelou que mais de 1 em cada 10 jovens portugueses (14%) entre os 14 e os 17 anos tem excesso de peso ou obesidade.

O novo estudo chama a atenção para os maus hábitos alimentares, especialmente no que diz respeito aos alimentos consumidos no espaço escolar, e para o facto de uma esmagadora maioria (82%) dos adolescentes obesos ou com excesso de peso não estar, neste momento, a tomar qualquer medida para perder peso (dieta, exercício físico ou acompanhamento clínico).

Este projecto pretendeu avaliar a percepção dos jovens sobre hábitos alimentares, actividade física e consequências físicas, psicológicas e sociais do excesso de peso e obesidade. Sobre este aspecto, a generalidade dos inquiridos (com ou sem excesso de peso) afirma que os jovens com excesso de peso/ obesidade deixam de fazer o que gostam (68%), são frequentemente gozados pelos seus pares (54%) e chegam mesmo a ser postos de parte (52%).

Para além dos maus hábitos alimentares, com 1 em cada 4 jovens a assumir que consome pelo menos uma vez por dia bolos com creme, doces e donuts, a prática de exercício físico também deixa muito a desejar: 13% dos adolescentes não pratica exercício físico de uma forma regular e 30% fá-lo unicamente na escola.

Para Carlos Oliveira, Presidente da ADEXO, “esta situação em especial ao nível das grandes cidades é preocupante, uma vez que o dinheiro à disposição destes jovens não é muito, a comida nas cantinas não é atractiva e as alternativas quer na escola, (máquinas distribuidoras, etc.) quer nas áreas envolventes são extraordinariamente agressivas na oferta da comida rápida de má qualidade.

Por outro lado, a violência da sociedade está a levar os pais a colocar as crianças mais novas em instituições de tempos livres que na maioria das vezes têm as crianças dias inteiros sentadas não lhes permitindo o desenvolvimento e dispêndio de energias necessário para que estes estágios de obesidade não se manifestem, sendo muitas vezes nestes centros que os mencionados processos têm o seu início”.

Para Helena Fonseca, Presidente da Secção de Medicina do Adolescente da Sociedade Portuguesa de Pediatria e responsável pela Consulta de Adolescentes do Hospital de Santa Maria, “é importante notar que a larga maioria dos jovens inquiridos considera que o excesso de peso e a obesidade é uma doença grave ou muito grave, mas apenas uma pequena minoria (18%) dos que têm excesso de peso afirma estar a fazer algo concreto para resolver o problema. Trata-se de um problema médico que é tanto mais difícil corrigir quanto mais tarde se actuar”.

Outro dos aspectos referido no estudo diz respeito ao apoio nutricional por parte da família. Neste capítulo um em cada quatro inquiridos referiu não receber orientação dos pais sobre a sua alimentação.

A obesidade resulta de um excesso de calorias consumidas associado a uma actividade física insuficiente. A obesidade é hoje encarada como uma doença para a qual é necessária uma abordagem multidisciplinar ao nível dos hábitos de vida (alimentação e desporto) à qual se adiciona, quando necessário, uma vertente farmacológica complementar.

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