VIII simpósio internacional – Avanços recentes em Cardiologia
E após o enfarte? O enfarte do miocárdio é apenas um passo no processo contínuo que vai desde a dilatação do ventrículo esquerdo, passa pela insuficiência cardíaca e termina, eventualmente, em morte.
«O que nos diz a epidemiologia é que o risco de morte em doentes com sinais ou sintomas de insuficiência cardíaca após enfarte é muito mais elevada do que em doentes que não desenvolvem este problema no período pós-enfarte», refere o Dr. Roberto Latini, especialista italiano que esteve recentemente em Portugal no âmbito do VIII Simpósio Internacional – Avanços Recentes em Cardiologia.
Durante a sua palestra neste evento, que teve lugar em Lisboa, o especialista pronunciou-se acerca do uso de uma classe de fármacos, os bloqueadores dos receptores da angiotensina (também designados por ARA II) no contexto do pós-enfarte, sustentando a sua argumentação com dois estudos científicos, o Valiant e o Val-Heft.
«O principal resultado do estudo Valiant é que agora temos outro bloqueador dos receptores da angiotensina (valsartan) que é tão eficaz como outros fármacos da sua classe na redução da mortalidade aguda em doentes com enfarte do miocárdio complicado.
Quando digo complicado refiro-me ao facto de estes doentes terem um risco elevado de desenvolver insuficiência cardíaca, o que significa taxas mais elevadas de hospitalização no ano seguinte, maiores taxas de mortalidade, e, logo, pior qualidade de vida», disse Roberto Latini, acrescentando:
«Também se verificou que estas duas substâncias são absolutamente equivalentes no que toca a mortalidade e eventos cardiovasculares.»
Por outro lado, avançou Roberto Latini, referindo-se ao estudo Val-HeFT, cuja comissão directiva integra, «verificou-se que a combinação do valsartan com um fármaco de outra classe, a dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), melhora a performance do coração, reduzindo em cerca de 30% as hospitalizações por pioras ou insuficiência cardíaca».
Também ficou demonstrado com o Val-Heft que, se o doente não pode tomar um IECA, por exemplo porque lhe provoca tosse, um efeito secundário bem conhecido desta classe de fármacos, «é possível este doente fazer valsartan em substituição», adiantou Latini, concluindo:
«Em doentes com complicações, ou seja, insuficiência cardíaca e disfunção ventricular, ou ambos, o valsartan é tão eficaz como o captopril na redução da mortalidade e da morbilidade. Mas combinar os dois não produziu nenhuma redução, quer numa, quer noutra. Nestes doentes, o valsartan é uma alternativa eficaz a um IECA. Sabemos agora que temos outra ferramenta eficaz para reduzir as complicações no pós-enfarte.»
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