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Tenho um sono normal?

12 Maio, 2012 0

Esta pergunta reflecte a impossibilidade de cada um reconhecer seguramente como é o seu sono. Todos temos a experiência de recordar que, por dormir pouco ou por dormir mal, nos sentimos cansados no dia seguinte, nervosos e irritáveis, com menos paciência, com os raciocínios mais difíceis. Portanto, todos temos a noção do que possa ser um sono normal, partindo da percepção dos resultados.

O sono é um comportamento geneticamente determinado. No ser humano, é predominante à noite, com processos de acerto do relógio interno. Esta característica cíclica também é geneticamente controlada, mas passível de ser modificada. À medida que se desenrola o período diurno vai-se acumulando a necessidade (ou pressão) de dormir. Progressivamente vai-se intensificando o processo cíclico. O encontro potenciador destes dois processos define a localização, a constituição e a duração do sono diário.

Contra este conceito, estão as “noitadas”, principalmente dos jovens. São causa provada de privação do sono e de insónia porque quando se deve dormir (ciclo), não se quer (necessidade manipulada), e quando se quer dormir, não se consegue.

Durante o sono, toda a fisiologia é diferente. O cérebro tem uma actividade de base espontânea cíclica que permite definir as fases do sono e distinguir o sono da vigília. Algumas consequências são: a perda da consciência durante o sono (afinal, é por esta que se formula a pergunta inicial), os perfis de secreção de hormonas, as influências na estabilidade emocional, na actividade cognitiva, no controlo do apetite, do peso, da tensão arterial e da temperatura corporal, entre tantos outros. Resumindo, a fisiologia do sono é dinâmica e, pelo menos, com dois sentidos, influenciando e sendo influenciada. Ao resultado final desejável, com equilíbrio físico e psíquico, chamamos descanso.

A idade é um factor intrínseco que em cada indivíduo influencia o sono. A sua arquitectura vai-se modificando desde que se nasce. A sua inserção circadiária altera-se. A sua representação nas 24 horas do dia varia. Das idades mais prematuras às mais avançadas, o sono vai tendo características diferentes relacionáveis com funções mais específicas e significativas para e de cada fase da vida.

Como em todos os processos fisiológicos, podem ocorrer doenças do sono. Ascendem a mais de uma centena, segundo a última classificação, com grande diversidade de características. No contexto da Medicina do Sono é indispensável fomentar a pluridisciplinaridade.

 

O que tem feito pelo sono?

O sono pode conter problemas intrínsecos, com predominâncias de origem e de efeito diferentes. Portanto, o sono pode conter potencial de prejuízo relativamente ao que ele devia fazer por nós. Porém, é fundamental que cada um se pergunte sobre o que tem feito pelo seu sono.

Se houver a consciência de que é muito importante ter uma boa higiene do sono, corresponder à necessidade de dormir, tanto em quantidade como em qualidade de sono (tudo o que se não dorme, paga-se), e que, afinal, nos sentimos descansados, então é muito provável que se possa dizer que se tem um sono normal.

Se se sentir cansaço logo ao acordar e, por vezes, durante o dia, uma sonolência inoportuna, menos faculdades (facilmente “desculpadas” com a idade) com testemunhos de outros (podem saber mais do nosso sono que nós) de que ressona (não é normal ressonar em idade nenhuma) ou pára de respirar, ou outros sinais anormais, então é muito provável que não tenha um sono normal.

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