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Saúde Mental em foco

16 Junho, 2008 0

Ainda não existem dados fiáveis sobre a incidência das doenças mentais em Portugal. No entanto, em breve, Portugal já terá um estudo nacional que indicará os dados rigorosos sobre a prevalência das doenças psiquiátricas, o seu impacto e a forma como são tratadas no País. O Jornal do Centro de Saúde entrevistou o Prof. Doutor Caldas de Almeida, recentemente nomeado Coordenador Nacional para as Saúde Mental, do Alto Comissariado da Saúde.

Existem dados acerca da prevalência das doenças mentais no nosso País?

De momento, não dispomos de dados fiáveis sobre a prevalência das doenças mentais em Portugal, pois nunca foi realizado um estudo epidemiológico numa amostra representativa da população. Podemos apenas fazer estimativas com base em estudos realizados noutros países.

Felizmente, dentro de um ano, esta situação será ultrapassada, graças a um estudo nacional iniciado recentemente, que nos dará dados rigorosos sobre a prevalência das doenças psiquiátricas, o seu impacto e a forma como são tratadas em Portugal.

Este estudo, que está a ser realizado pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e pela Universidade Católica Portuguesa, com o apoio das fundações Champalimaud e Gulbenkian, e do Alto Comissariado da Saúde, vai ajudar-nos muito a conhecer melhor os problemas de saúde mental no País e vai certamente constituir um apoio importante para a melhoria dos nossos serviços de saúde mental.

Na sua perspectiva, quais as doenças mentais mais graves em Portugal?

As psicoses (sobretudo a esquizofrenia e a doença bipolar) são situações especialmente graves pelo impacto que muitas vezes têm nas capacidades psicossociais dos doentes. A depressão é também uma doença psiquiátrica com um impacto negativo muito significativo. Em Portugal, as perturbações ligadas ao abuso de álcool ocupam um lugar destacado nas doenças psiquiátricas mais graves.

As perturbações mentais da infância – sobretudo as ligadas a alterações comportamentais – não podem igualmente deixar de ser mencionadas. São muito frequentes e têm consequências gravosas para as crianças que delas sofrem. Felizmente, graças aos progressos registados nos últimos anos, dispomos actualmente de meios terapêuticos que permitem obter resultados muito positivos em todas as situações referidas.

De que forma se pode melhorar a informação aos utentes sobre as doenças mentais?

Existem muito materiais com informação actualizada sobre os vários tipos de doenças mentais. A Coordenação Nacional para a Saúde Mental (CNSM) vai, em breve, disponibilizar esta informação no seu site.

Que actividades estão previstas pela Coordenação para o presente ano?

A CNSM tem um programa muito extenso para este ano, que inclui programas para desenvolver novos serviços de saúde mental nos hospitais gerais e na comunidade, programas de formação para os técnicos de saúde mental, a melhoria do sistema de informação dos serviços, a reformulação do esquema de financiamento dos serviços de saúde mental, o desenvolvimento de serviços especializados para crianças e adolescentes e para pessoas com problemas especiais (por exemplo, doentes inimputáveis e os sem domicílio).

Uma parte fundamental do programa passa pelo desenvolvimento de cuidados continuados de saúde mental: em breve, sairá um diploma que permite financiar serviços residenciais e de apoio psicossocial para pessoas com situação de dependência causada por doenças mentais. Esta iniciativa vai, nos próximos anos, operar uma mudança muito importante na forma de apoiar as pessoas com problemas graves de saúde mental e as suas famílias.

Pessoas que, até agora, não tinham qualquer apoio ou estavam condenar a permanecer em hospitais psiquiátricos poderão passar a beneficiar de residências de tipo familiar, centros de dia ou apoio domiciliários, através de programas a desenvolver pela Unidade de Missão dos Cuidados Continuados Integrados, com a colaboração da CNSM. De referir que, graças às actividades deste ano, já foi possível alcançar alguns objectivos importantes da Coordenação, como sejam a abertura do internamento de psiquiatria nos hospitais de Almada e de Tomar e o início da reorganização dos hospitais psiquiátricos de Lisboa e Coimbra.

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